Teste Indian Chief Dark Horse 2022 - Road Tripper

Uma cruiser cheia de força e grande presença, para partir em busca de boas recordações. A nova Indian Chief celebra 100 anos de existência com revivalismo e tecnologia.

andardemoto.pt @ 1-6-2021 07:21:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Indian Chief Dark Horse | Moto | Cruiser

Não há nada melhor do que uma road trip. Partir para a estrada, com destino mas sem qualquer tipo de compromisso nem horários, é uma das minhas actividades recreativas favoritas e aquilo que mais gosto de fazer com roupa vestida.

No entanto, certas motos são mais inspiradoras que outras para um passeio relaxante por estradas perdidas e paisagens deslumbrantes. É o caso da nova Indian Chief Dark Horse 2022 que assinala os 100 anos de existência do modelo (a primeira Indian Chief foi apresentada ao mundo em 1921).

Com um compromisso em Beja, bem cedo no dia seguinte (ia testar a nova Suzuki Hayabusa cujas sensações transmitidas pode ler também nestas páginas), parti na véspera, a meio da tarde, tranquilamente, rumo à gastronomia da Pax Julia e à companhia de amigos de longa data.

O dia estava ameno, o sol brilhava, o trânsito era pouco e por isso os quilómetros desenrolavam-se prazenteiros, sincopados com o troar das ponteiras “shotgun”.

Equipada com o motor Thunderstroke 116, capaz de debitar uns impressionantes 162 Nm de binário às 3200 rpm, instalado no centro de um quadro tubular que confere ao conjunto uma distância entre eixos de 1626 mm, e uma altura do assento a apenas 662 mm do solo, a Indian Chief Dark Horse não é, definitivamente, uma moto urbana. Pelo menos na Europa. Por isso esta pequena viagem vinha mesmo a calhar para poder fazer uma avaliação mais realista.

Trata-se efectivamente de uma moto para passear, algo a que os americanos chamam de “cruiser”, perfeitamente adaptada ao nosso Alentejo profundo, com as suas longas rectas e esporádicas curvas suaves.

Oferece uma posição de condução típica, com os comandos dos pés colocados centralmente, ainda assim bem mais avançados do que numa moto de outro tipo, e um guiador amplo que permite abraçar a paisagem que se desenrola diante de nós, proporcionando também um valioso suporte para ajudar a vencer a pressão causada pelo ar no peito, quando não se consegue resistir à tentação de enrolar o punho direito.

Equipada com cruise control, que é um ótimo aliado na manutenção do ritmo da viagem e na poupança de combustível, este é um fator importante na redução da fadiga.


O assento (solo nesta versão mais acessorizada Dark Horse) não é desconfortável, mas a posição de condução demasiado fletida não foi pensada para se fazerem longas tiradas, de seguida, menos ainda a alta velocidade. Será antes ideal para passeios, com paragens frequentes e ritmos calmos que permitam uma maior integração com a natureza.

Rumo ao meu primeiro destino, ao cabo de 80 quilómetros, ou aproximadamente 45 minutos, o fundo das minhas costas já se queixava a alto e bom som, pelo que encostei na primeira tasquinha de Vendas Novas para um café relaxado.

Aproveitei para apreciar melhor as linhas refinadas da nova Indian Chief Dark Horse: descomplicada e reduzida ao essencial, tem um impacto visual minimalista e um elevado potencial artístico a avaliar pela atenção que desperta nos transeuntes.

Pormenores como a matrícula legalmente instalada do lado esquerdo, mostram bem o empenho da marca em corresponder aos gostos mais refinados de uma clientela muito exigente em termos estéticos. Por isso não será também de admirar a excelente qualidade dos acabamentos, sem cabos à vista nem ruídos parasitas, mesmo em pisos mais degradados ou calçadas.


Voltei a arrancar, decidido a manter uma toada mais calma. Rumei a Montemor-o-Novo e aproveitei para dar a volta ao castelo, algo que faço sempre que por ali passo e que nunca me canso de repetir. Nem parei, e segui a N2, passando por Santiago do Escoural, até Alcáçovas, onde mudei de rumo, entrando na rua do Carmo (provavelmente um parente afastado), para uma paragem estratégica em frente ao Palácio dos Henriques.
Não fui escrever nenhum tratado, mas fui tratar de me hidratar e descansar um pouco os joelhos e as costas. Sempre foram mais sessenta quilómetros seguidos, em aproximadamente uma hora.

Não me pude demorar muito pois a tarde estava a acabar. As cores do campo em breve iriam receber a pincelada de glamour típica da golden hour, e não queria perder o espetáculo. Foi então que me arrependi de não ter levado um capacete com intercomunicador, para desfrutar do fantástico Ride Command, o sistema de infotainment que permite emparelhar o telefone por bluetooth (ou ligá-lo via cabo USB) e navegar, com os próprios botões instalados nos punhos, entre as diversas opções de chamadas, mensagens e, obviamente (sobretudo), ouvir as músicas das minhas playlists favoritas.

Também a suspensão da Indian Chief impressiona, sendo realmente referencial para a sua classe. Tanto as bainhas de 46 mm de diâmetro e 132 mm de curso, como o amortecedor a gás instalado na traseira, têm a capacidade de absorver com enorme eficácia até as maiores irregularidades do piso, apesar de se mostrarem bastante firmes em curva e sob travagem.

Ainda assim, e a jogar pelo seguro, rumei a Portel por ser o caminho mais direto e com o piso mais regular. Dediquei-me a apreciar a resposta ao acelerador, que é feita com convicção e sem hesitações, em qualquer um dos 3 modos de potência, sendo que, como é normal, o modo Standard é o mais equilibrado.

A caixa de velocidades revelou-se extremamente precisa e leve, e a travagem, perfeitamente adequada ao potencial do conjunto apesar do único disco dianteiro, é potente, ainda mais porque, neste tipo de moto, o travão traseiro é importante para diminuir a distância de paragem, sendo ainda potenciada pelo desempenho dos pneus Pirelli Night Dragon.

Consegui resistir à tentação de subir ao velho castelo e lavar a vista com a extensão dos barros de Beja. A subida até lá, pelas velhas calçadas de Portel, seria mais um teste à facilidade de manobra, proporcionada pelo assento bastante baixo, pelo peso relativamente contido (304 kg a cheio) e pela boa alavanca proporcionada pelo guiador de estilo “drag”. Mas isso também já estava claro!

No entanto, aproveitei para abastecer de combustível e hidratar-me novamente. Arranquei decidido a aumentar um pouco o ritmo, beneficiando da fluidez do IP2. O dia estava a chegar ao fim e tive que resistir a uma paragem na Vidigueira. Cheguei a Beja já mesmo em cima da hora de jantar. O massivo V-Twin esmerou-se e conseguiu recuperar algum do tempo perdido, ao mesmo tempo que mostrava os seus insuspeitos dotes de aceleração.

Entretanto, à porta do Hotel, sem sequer suspeitar que a vistosa inscrição 116 se referia à cilindrada em polegadas cúbicas, o standard americano que equivale a 1890cc, havia quem não parasse de olhar para a Chief, admirando sobretudo o artístico desenho do impressionante motor, a perfeição da pintura e as belíssimas jantes, que nas edições especiais, como a Dark Horse, são de 19 polegadas na frente e 16 polegadas atrás e, no caso concreto, fabricadas em alumínio e pintadas a negro com acabamento maquinado.

O jantar e um amigo de longa data aguardavam-me, mas não me pude distrair com o tempo, pois o dia seguinte ia requerer lucidez e energia. Para compensar, as iguarias não estavam nada más e a conversa também foi boa!


No dia seguinte, bem cedo, eu e a Chief rumámos até ao local do evento que me esperava. O GPS incorporado no pequeno painel de instrumentos digital e sensível ao toque, teve alguma dificuldade em encontrar o caminho, ou não fosse ele americano e pouco habituado a intrincados mapas rodoviários.

Mas acabou por me levar até ao meu destino. Estacionei num local onde ela ficasse minimamente segura e não deixei de me questionar sobre se iria ferir os seus sentimentos ao trocá-la por outra! Mas rapidamente me apercebi que, com tantos curiosos à sua volta, a tecer-lhe elogios, dificilmente ela iria sentir a minha falta.

Na dúvida se ficava mais uma noite no Alentejo, ou se seguia direto para Lisboa ainda no próprio dia, marquei jantar com amigos em Évora. A jornada acabou por ser longa, algo cansativa e muito excitante, tendo-se prolongado por um espectacular sunset na placa da BA11. Com despedidas e mudança de equipamento, passava já das nove e meia da noite quando me pude voltar a sentar na Indian Chief e a fazer-me à estrada.

Ainda com a adrenalina provocada pela estonteante velocidade da Hayabusa a correr-me nas veias, rumei a Évora. A escuridão já tinha chegado e pude realmente desfrutar da fabulosa iluminação proporcionada pelo pequeno e personalizado farol em LED .

Aquilo que eu pensava que ia ser um trajecto rápido revelou-se bastante mais demorado do que o previsto, pois os insectos também gostam do Alentejo, mas ao que parece não se sabem desviar da viseira do capacete, e obrigaram-me a duas paragens para limpar a viseira, e também o farol. Ainda não sei se tinha sido mais rápido ir mais devagar e evitar a “insectificina”…


Chegado a Évora, super atrasado, repeti a fórmula e jantei bem e com boa companhia. Na minha mente continuava a pairar a dúvida sobre o regresso ou não a Lisboa ainda nessa mesma noite, mas a lógica acabou por sair derrotada e, já depois das duas horas da madrugada, fiz-me à estrada.

O que eu não esperava era o frio! Com o indicador de temperatura ambiente a marcar 9 ºC, parei na berma da estrada, vesti um hoodie e o meu corta-vento de reserva, enfiei um tubo de malha no pescoço e arranquei. Foi quase um contra-senso lamentar o pouco calor emitido pelo motor, que mal dava para manter as mãos quentes, cada uma à vez, com a ajuda do cruise control. 

Em Vendas Novas, rendido ao frio e ao cansaço e na esperança de uma subida de temperatura por aproximação ao litoral, entrei na auto-estrada. Aproveitei para meter uns poucos euros de gasolina e beber um café numa escandalosamente cara e deserta área de serviço e revirei a minha mochila em busca de algo com que pudesse apertar as perneiras das calças para tentar diminuir o frio que por elas subia.

Frustrado por não ter solução, arranquei resignado, com o cruise control regulado para os 70 km/h, encolhido o mais que podia e mentalizado para chegar ao meu destino. Após mais duas paragens para reactivar a circulação, acabou tudo bem, apesar de ter chegado a casa já muito perto do nascer do sol.



Confirmo que, numa cruiser, não devem existir compromissos para não nos sentirmos pressionados a aumentar o ritmo, que devemos evitar circular em noites frias por causa da falta de protecção aerodinâmica e que não devemos usar o nosso equipamento de estimação porque os mosquitos vão forrá-lo todo com as suas vísceras e escamas.

Para concluir, a nova Indian Chief é uma daquelas motos que fazem maravilhas ao ego. Ninguém lhe fica indiferente. O prazer de condução, num cenário de passeio, está garantido e a sua qualidade de construção, bastante acima da média, é irrepreensível. A marca disponibiliza também uma vasta gama de acessórios para personalização.

Para os mais comodistas, existe a versão Super Chief Limited, mais bem equipada para viagens, e para os ainda mais estilosos, existe a versão Bobber Dark Horse. Pode ficar a saber tudo sobre a gama completa num artigo que publicámos recentemente (clique aqui).


Equipamento

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