Teste Triumph Speed Triple 1200 RS - Agora é a sério!

A Triumph tem finalmente uma powernaked para combater pelo título de melhor do segmento, olhos nos olhos com rivais de peso. A nova Speed Triple 1200 RS é tudo aquilo que queremos numa naked de alta performance.

andardemoto.pt @ 6-7-2021 09:30:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte

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Triumph Speed Triple 1200 RS | Moto | Roadsters

Sempre tive uma especial predileção pelos motores “triple” da Triumph Motorcycles. A minha Street Triple 675 equipada com o fantástico sistema de escape 3-1 da Arrow deixou-me um vazio no coração quando a vendi.

A marca britânica tem uma longa tradição nos motores com arquitetura três em linha, e a chegada da nova geração da Speed Triple é a demonstração que os engenheiros da casa de Hinckley sabem perfeitamente aquilo que é preciso fazer para colocar a powernaked britânica na luta pelo título de melhor do segmento, e confesso que a oportunidade de testar esta nova Triumph Speed Triple 1200 RS me deixou bastante entusiasmado.

Num mundo em que as vendas das motos desportivas estão em claro declínio e em que esses modelos cada vez se revelam mais especializados para uma utilização para pista, a grande tendência atualmente é o segmento powernaked. As nakeds de alta performance são o “território” onde os grandes fabricantes esgrimem argumentos, indo à luta com motos altamente evoluídas, quer ao nível da ciclística, mas também do motor e da eletrónica.


Faz agora mais ou menos um ano desde que testei aquela que agora sabemos que foi a última geração Speed Triple com motor de 1050 cc. Menos potência do que a concorrência e com um pacote eletrónico que, embora eficaz, era menos evoluído do que o das rivais mais apetrechadas eram alguns dos pontos menos positivos.

Por outro lado, o motor muito divertido e cheio e uma ciclística bem afinada, tornavam a Speed Triple 1050 RS numa naked que facilmente ocuparia um lugar de destaque numa qualquer garagem. Pelo menos na minha garagem tenho a certeza que sim.

Porém, o mundo das duas rodas evolui, e um conceito como o da Speed Triple com mais de 25 anos de existência tem obrigatoriamente de se modernizar.

Na base desta nova geração encontramos então um motor tricilíndrico totalmente redesenhado. Esta unidade motriz Euro5 não partilha praticamente nenhum componente com a anterior geração. A arquitetura de três cilindros em linha mantém-se. Mas a cilindrada aumenta para os 1160 cc.

Este aumento de capacidade permite ao tricilíndrico apresentar na ficha técnica números assinaláveis e que o colocam entre os mais potentes do segmento.


A potência máxima sobe dos anteriores 150 cv para os 180 cv. Este valor é atingido às 10.750 rpm. O binário máximo também cresce, atinge os 125 Nm às 9.000 rpm. Tudo isto num motor que sobe de rotações de forma mais contundente graças à inércia interna reduzida em 12%, e que apresenta um “redline” às 11.150 rpm, ou seja, 650 rpm acima do que o anterior motor 1050 conseguia.

Os engenheiros da Triumph conseguiram ainda assim reduzir as dimensões externas do motor, sendo agora mais compacto, favorecendo a dinâmica da moto ao reposicionar o centro de gravidade, e o peso reduziu em 7 kg, o que contribuiu para que a nova Speed Triple 1200 RS seja a mais leve de sempre marcando 198 kg de peso a cheio.

Este valor garante que a nova geração desta powernaked de Hinckley melhora em 25% a relação peso/potência em comparação com a geração que substitui, mas mais impressionante ainda é o facto de praticamente duplicar a relação peso/potência em comparação com a Speed Triple de 1994.


Apenas com base nestes números já podemos ficar com a ideia que a nova Triumph Speed Triple 1200 RS tem sérias intenções! Mas esta moto não se fica por aqui.

A altura do assento subiu 5 mm, cifrando-se agora em 830 mm de altura ao solo. Poderia ser algo problemático para condutores de menor estatura, mas o conjunto é compacto de dimensões, esguio, particularmente na zona de união entre o depósito bem esculpido e o assento.

Torna-se fácil passar a perna por cima dela e posicionar o corpo aos comandos da nova Speed Triple 1200 RS, com o guiador a permitir adotar uma postura de certa forma desportiva, mas sem ser demasiado agressiva.

O sistema de ignição “keyless” da Triumph faz parte da lista de equipamento premium, mas o sistema demora algum tempo a reagir. Assim que arranca, o motor “triple” faz-se ouvir com uma sonoridade vincada e com o ruído da admissão mais pronunciado, soltando um leve uivar cada vez que aumentamos as rotações.



O sistema de escape abandona a configuração de duas ponteiras debaixo do assento traseiro. Por um lado, tenho pena que isto tenha acontecido, pois as ponteiras eram imagem de marca na Speed Triple e emanavam um som muito agradável.

Por outro lado, a nova ponteira lateral – e a Triumph anuncia que não irá disponibilizar uma opção “aftermarket” oficial – está bem conseguida e não destoa da imagem agressiva e afilada do conjunto, ajudando também a uma melhor distribuição do peso no conjunto.

Aos comandos da nova e potente naked britânica somos recebidos por uma animação gráfica atraente no painel de instrumentos TFT a cores. A informação é muita e bem posicionada no ecrã, embora alguns ícones ou números pudessem ser de maior dimensão para facilitar a sua leitura, particularmente quando estamos em andamento.

A informação básica mostra-nos em destaque o conta-rotações a rodear a indicação de velocidade e também a relação de caixa engrenada. Mas ao toque de um botão entramos no menu “home”, que faz deslizar para a esquerda as informações básicas e nos dá acesso a todos os parâmetros de configuração da Speed Triple 1200 RS. Mantém-se a necessidade de entrar em diversos sub-menus para aceder as todas as opções, o que por vezes se torna menos prático.

O principal a reter ao nível da eletrónica são os cinco modos de condução: Rain, Road, Sport, Track e ainda Rider. As opções disponíveis em termos de ajustes de ajudas à condução resumem-se à sensibilidade / potência disponibilizada pelo acelerador (3 parâmetros diferentes), ao ABS sensível à inclinação e também ao controlo de tração (4 parâmetros diferentes) que está ligado ao novo sistema de controlo do levantamento da roda dianteira.


Assim que começamos a conduzir a nova Triumph Speed Triple 1200 RS é imediatamente notória a facilidade com que o três cilindros de 1160 cc sobem de rotação. A menor inércia dos componentes internos permite que o regime do motor suba de forma mais contundente em baixos regimes, revelando uma unidade motriz reativa aos impulsos no acelerador, pronta a fazer passar todos os 125 Nm de binário para o pneu traseiro que tenta por todos os meios agarrar-se ao asfalto sem perder tração.

O generoso binário está bem espalhado pela gama de rotações. Não há uma zona específica onde a Speed Triple 1200 RS se sinta mais nem menos confortável. É um motor que revela uma grande polivalência e ausência de vibrações. Em baixas é suave e progressivo, na passagem para o médio regime o binário empurra os 198 kg com uma força impressionante e que facilmente faz levantar a roda dianteira se o condutor for mais impetuoso com o acelerador.

E nos regimes mais elevados, altura em que a 1050 perdia fôlego, a nova Speed Triple 1200 RS revela-se uma naked capaz, entusiasmante, e os 180 cv permitem atingir velocidades muito acima do que os nossos braços e corpo aguentam, tendo em conta a proteção aerodinâmica de uma naked que, no caso da unidade testada equipada com um pequeno defletor dianteiro por cima das óticas “Full LED” de design ainda mais afilado, se mostrou suficiente.


A linearidade na entrega de potência e binário é viciante, tal como o uivar ruidoso da admissão, fruto de uma caixa de ar completamente redesenhada e que permite que maior quantidade de oxigénio entre para os três cilindros com mais pressão. A injeção de combustível é perfeita. E tudo isto se resume a uma condução plena de adrenalina e diversão.

Depois temos o novo quickshift. Trocas de caixa quase instantâneas e precisas graças ao novo sensor de posição variável, um sistema que deriva do que a Triumph utiliza no Mundial Moto2. O tato do seletor é muito bom, mesmo nas reduções mais agressivas, e o sistema de embraiagem deslizante (e assistida) revela-se eficaz a digerir os excessos nas entradas em curva em que temos de reduzir rapidamente, à última hora, porque entrámos um pouco “quentes” demais para manter a trajetória.

A ciclística britânica mantém uma afinação e equilíbrio impecáveis, mesmo quando levamos a Speed Triple 1200 RS aos limites.

A equipa de desenvolvimento da Triumph admitiu, durante a apresentação técnica desta novidade aos jornalistas, que a nova geometria do quadro foi pensada para garantir uma condução mais descontraída mas também mais focada numa utilização em pista.


Como é que fizeram isso? Estes dois conceitos são, aparentemente, opostos.

Basicamente redesenharam o quadro de forma a permitir carregar mais a dianteira, movendo o centro de gravidade mais para baixo e para a frente. Esta alteração, em conjunto com o guiador mais largo e baixo, nota-se na forma como sentimos a frente a agarrar-se ao asfalto, respondendo com precisão aos impulsos no guiador, revelando maior certeza de reações na direção e que a anterior Speed Triple não era tão eficaz nos momentos de condução mais desportiva.

Neste aspeto destacam-se as suspensões Öhlins topo de gama, que contam com uma afinação de fábrica focada na condução dinâmica. A firmeza das suspensões é notória, particularmente ao nível do amortecedor traseiro TTX36 que, em pisos degradados ou menos suaves, faz com que a traseira compacta e bem desenhada da Speed Triple não se mova em demasia ao reagir às imperfeições.

Por outro lado, a forquilha NIX30, com bainhas de 43 mm, é garantia de uma leitura do asfalto que, digo eu, será perfeita para quem procura traçar trajetórias agressivas e sentir em todo o momento o que a roda dianteira está a fazer.



O condutor sente a forquilha a trabalhar tanto em compressão como em extensão. Nas travagens mais fortes a frente não revela uma tendência a baixar em demasia, o que poderia descompensar o conjunto que se mantém equilibrado mesmo quando abusamos dos limites em estrada. E em inclinação a suavidade de movimentos da suspensão maximiza a confiança para levarmos esta naked ao limite em estrada.

Isso, em conjunto com o novo guiador que obriga a abrir bem os braços para agarrar com firmeza os punhos, faz com que a frente desta Triumph mostre uma precisão cirúrgica. É extremamente fácil colocar a Speed Triple 1200 RS na trajetória e a estabilidade é assinalável para uma moto com apenas 1445 mm de distância entre eixos.

As trocas de inclinação acontecem de forma intuitiva, quase como se a direção da moto estivesse ligada diretamente aos nossos pensamentos. É uma daquelas motos em que olhamos para onde queremos ir e ela faz o trabalho todo, sem que o condutor tenha de se esforçar.


Também tenho de dar o devido crédito aos travões, que contribuem, e muito, para manter o endiabrado conjunto sob controlo.

A bomba radial Brembo MCS – Multi Click System, que permite uma grande variedade de ajustes e inclusivamente o ponto de “mordida” da travagem dianteira, não esconde os seus genes desportivos, e que possui uma mordida inicial incisiva, que requer um pouco de contenção na forma como apertamos a manete direita.

Mas a potência disponibilizada pelo sistema Brembo MCS e pinças Stylema de quatro pistões parece ser inesgotável e é viciante. A ferocidade inicial com que as pinças mordem os discos de 320 mm de diâmetro é compensada pelo “feeling” quase perfeito ao longo de todo o curso da manete. E ainda contamos com um ABS com parametrização mais desportiva e um funcionamento que não se nota.

Uma última nota para a escolha de pneus.

A Triumph descartou os anteriores Pirelli Supercorsa SP e recorre agora aos pneus Metzeler Racetec RR (borrachas bem desportivas que garantem uma aderência superior em inclinação) para cobrir as esbeltas jantes de 17 polegadas, de novo design, mas que não são forjadas, uma escolha que a Triumph admite ter sido feita para conter os custos. No entanto são bonitas e cumprem com a sua função.

Veredicto Triumph Speed Triple 1200 RS

As pequenas queixas que tenho em relação à nova Triumph Speed Triple 1200 RS são facilmente esquecidas quando analiso o conjunto no seu todo. Este novo motor “triple” dá à naked britânica aquilo que lhe faltava para ser uma rival a sério no segmento das powernaked. 

O motor é potente, a eletrónica refinada permite-nos explorar uma moto tão exigente, mas sempre a sentir segurança, enquanto a ciclística coloca a Speed Triple 1200 RS no topo do segmento.

Notamos sim que está uma moto mais focada para uso em pista do que antigamente. Se quisermos sentir realmente o potencial desta naked britânica temos de a conduzir como uma “hooligan” de forma às suspensões firmes conseguirem trabalhar e os travões revelarem todo o seu potencial.

Com uma qualidade de construção acima de qualquer suspeita e um pacote eletrónico mais eficaz devido à utilização de uma plataforma de medição de inércia de 6 eixos, a mais potente Triumph Speed Triple 1200 RS torna-se numa das motos mais relevantes dentro do segmento das powernaked, contando ainda com um preço ajustado àquilo que oferece em termos de equipamento, como por exemplo o “cruise control” ou a conectividade com o smartphone.


Galeria de fotos Triumph Speed Triple 1200 RS

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