Teste Voge 650 DSX - Evocação do Paris-Dakar

Uma moto de tipologia Trail Aventura com um elevado nível de equipamento e componentes de alta qualidade que cativa pelo desempenho polivalente e facilidade de condução.

andardemoto.pt @ 5-11-2021 16:15:15 - Texto: Rogério Carmo

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Voge 650DSX | Moto | Trail

A convite da Onetrón Motos, sociedade pertencente ao grupo Onex que é responsável pela Voge para o mercado ibérico (entre ouras marcas como a Ducati, Daelin e Royal Enfield), estive nas montanhas de Teruel, em Espanha, para testar a nova Voge 650 DSX.

Na apresentação prévia que foi feita aos media convidados, foi dada ênfase à história da marca e à sua importância no panorama motociclístico mundial. Isto porque a Voge é a marca premium da Loncin, um fabricante chinês sediado na capital do motociclismo que é a mega cidade de Chongqing, que iniciou a sua actividade nos idos de 1993 sob o nome de Chongqing Loncin Traffic Machinery Factory e que actualmente produz mais de três milhões de motos anualmente, tanto para as diversas marcas que detém, como para outras empresas das quais se destacam algumas marcas europeias de renome.

A Loncin ganhou protagonismo ao receber a confiança da marca alemã BMW para produzir o motor R13 da monocilíndrica de 650cc que equipou a sua lendária trail G650 GS (inicialmente conhecida como F650 GS), um grupo propulsor que foi desenvolvido e produzido pela firma austríaca Rotax.

Mas a partir de 2007 o R13 viu o seu fabrico mudado para as instalações do fabricante de Chongqing. Em 2019 a Loncin assinou também um acordo de cooperação estratégica de longo prazo com a MV Agusta para a produção de motos e motores, mantendo ainda contratos com outros construtores europeus, nomeadamente na produção de scooters.

Chegado 2021, a oferta de motos de aventura de média cilindrada pecava pela falta de uma alternativa monocilíndrica, e foi por isso que a Voge decidiu desenvolver uma nova moto para o mercado externo, equipada com uma versão actualizada do mítico monocilíndrico que ficou famoso ao vencer o Rally Paris-Dakar por duas vezes consecutivas (1999 e 2000 nas mãos do piloto francês Richard Sainct).

Profundamente revisto, este motor tem agora homologação Euro5. Dotado de quatro válvulas accionadas por uma dupla árvore de cames à cabeça, refrigeração por líquido e injeção eletrónica Bosch, consegue que os seus 652cc de capacidade debitem uma potência máxima de 47,5cv às 6750rpm, com um binário de 60,0Nm atingido às 5500rpm que, potenciado pela caixa de cinco velocidades, lhe confere uma velocidade máxima de 160km/h. 

O elevado binário resolve facilmente situações de manobra e garante boas retomas sem necessitar usar intensamente a caixa de velocidades. Com um funcionamento bastante regular e um nível de vibrações bastante contido, este motor responde de forma exemplar às solicitações do acelerador, com uma suavidade que justifica perfeitamente a ausência de controlo de tração.

Em termos de consumo, o fabricante indica um valor mínimo de 4,2 litros/100km que, aliado a um depósito com capacidade para 18 litros de combustível, permite autonomias práticas bastante superiores a 300 quilómetros, mesmo sem qualquer preocupação economicista.

A Voge 650 DSX não é uma cópia de qualquer outro modelo. Com um aspecto sólido e robusto, linhas bem desenhadas, uma ergonomia bastante boa e equipamento que garante um bom desempenho em qualquer situação, esta nova Voge é extremamente cativante, tornando-se ainda mais interessante quando se tem em conta o preço final.

Apresenta-se como uma alternativa muito válida que deve ser considerada por quem pretende evoluir na carreira motociclística (nomeadamente os titulares de carta A2) ou por quem pretende uma segunda moto para pequenas ou grandes aventuras, ou mesmo para uma utilização diária polivalente. A estética cuidada, o nível de equipamento e a qualidade de construção não deixam qualquer dúvida sobre a sua boa aceitação em qualquer mercado.

A ciclística, assente num quadro multitubular em aço de elevada resistência, complementado por um subquadro desmontável, foi desenvolvida de forma a garantir um bom compromisso entre o conforto e o desempenho em qualquer tipo de piso, e um aprumo notável tanto em curva como sob forte travagem. Em pisos menos estáveis salienta-se a facilidade com que a potência é transmitida à roda, tornando muito fácil a passagem de obstáculos.

Para tal a suspensão mereceu especial atenção, destacando-se a forquilha invertida da marca japonesa Kayaba, com 41mm de diâmetro e 179,5mm de curso, auxiliada por um mono-amortecedor óleo-pneumático ligado a bielas que lhe conferem uma progressividade variável. Em conjunto não têm qualquer dificuldade em suportar os declarados 219kg de peso em ordem de marcha.


Com 200mm de altura livre ao solo, que lhe permitem vencer obstáculos de dimensão significativa, e um assento colocado a apenas 820mm do piso, que facilita as manobras aos condutores de mais baixa estatura, a Voge 650 DSX é extremamente ágil e fácil de conduzir em qualquer tipo de piso.

Na travagem, assertiva e doseável quanto baste, a roda dianteira conta com um duplo disco flutuante de 298mm e pinças Nissin de 2 pistões, enquanto a roda traseira está equipada com um disco de 240mm e uma pinça de pistão simples na qual o sistema ABS pode ser facilmente desligado com recurso a um botão dedicado instalado no punho esquerdo.

Também neste capítulo é de registar o desempenho dos pneus que a Voge elegeu para equipar este modelo, nada mais nada menos que os aclamados Pirelli Scorpion Rally STR, nas medidas 110/80 R19 e 150/70 R17, na frente e traseira respectivamente.

A Voge também não se poupou a esforços em termos de equipamento.

Das manetes com regulação de amplitude à iluminação integral em LED com luzes diurnas de alto brilho, passando pelo ecrã pára-brisas facilmente regulável em altura (mas cuja operação tem de ser feita fora da moto) e pelas proteções de motor, radiador e cárter ou pela ponteira de escape em aço inox, a Voge concebeu um pacote de série com uma relação qualidade/preço muito elevada.

Não faltou sequer um impressionante painel de instrumentos em TFT a cores, de leitura fácil, a que inclusivamente tem um sensor crepuscular para automaticamente passar para modo nocturno ou diurno conforme a luminosidade ambiente.

A instrumentação é completa, com muita informação pertinente, como a indicação de mudança engrenada, relógio, voltímetro, consumos de combustível e pressão dos pneus, esta monitorizada por um alarme de esvaziamento. Mas conta ainda com ligação Bluetooth para emparelhamento de um smartphone para visualização das chamadas entradas.

Mesmo ao lado do painel encontra-se uma conveniente tomada USB para ligação de um GPS ou dum Smartphone. De série, a Voge 650 DSX vem também equipada com cavalete central e porta-bagagens.

Como opcionais, a Voge disponibiliza malas de alumínio de alta qualidade e respectivos suportes, com as duas laterais e a top-case a somarem quase 100 litros de arrumação (29 litros na mala do lado do escape, 37 litros na mala direita e 33 litros na Top case). O preço de tabela é de 1.200 euros para o conjunto, malas com os respectivos suportes, mas na actual fase de lançamento existe uma promoção a um preço de apenas 650 euros.

Para os condutores de estatura mais alta, a marca disponibiliza um assento mais espesso, que eleva a altura ao solo para os 850mm, e que será recomendado sobretudo para quem pretender realizar viagens longas, evitando assim demasiada flexão dos joelhos.

Resumindo, a Voge 650 DSX surpreendeu-me pela positiva, e é mais uma prova em como os fabricantes asiáticos vão também dominar o mercado das duas rodas a curto prazo, apostando numa boa relação entre a cada vez maior qualidade e nível de equipamento, e um preço contido. 

A estética agradável, o nível dos componentes, os detalhes de acabamento, o comportamento dinâmico, a regularidade do motor e a agilidade do conjunto, são fatores de destaque que contribuem para um elevado prazer de condução.

Com boas prestações em asfalto, é fora dele que a Voge 650 DSX pode realmente brilhar, fazendo valer o elevado binário e a grande agilidade, garantindo um bom controlo da direção graças ao guiador amplo. É uma moto extremamente fácil de conduzir e segura, mas sem grande incorporação de eletrónica, e que conta com uma mecânica robusta e testada.

O conforto a bordo é elevado, contribuindo para isso uma boa proteção aerodinâmica, uma ergonomia bem estudada, o conforto da suspensão e a quase ausência de vibrações. Até a visibilidade dos espelhos retrovisores é boa.

Montar o cavalete central é uma manobra fácil e o descanso lateral é estável e bastante acessível. O passageiro também conta com um grande conforto e o assento elevado permite uma excelente visibilidade para que não perca nada do passeio!

Sem concorrência direta no seu segmento, onde militam os motores bicilindricos, a Voge 650 DSX é uma moto polivalente que constitui, sem qualquer dúvida, uma boa opção para qualquer utilização. 


Já está disponível nos concessionários da marca em três atrativas cores: Vermelho,Preto e Azul.

Até 31 de Novembro de 2021 a Voge 659DSX tem um preço promocional de 7.345€. Até então, pode ainda incluir as 3 malas originais em alumínio por apenas 650€

Para os menos dados a aventuras, mas que pretendam uma moto estradista igualmente cativante, a Voge propõe a versão 650DS, que vem equipada com jantes das mesmas dimensões mas fabricadas em alumínio e calçadas com pneus mais asfálticos. 

Pode ficar a conhecer toda a gama da marca se clicar aqui

Neste teste usámos o seguinte equipamento de protecção e segurança:

Capacete Schuberth C4 Pro Carbon

Luvas REV’IT Arch

Fato Rev’It! Poseidon 2 GTX

Botas TCX Clima Surround GTX

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Voge 650DSX | Moto | Trail

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