Teste Kawasaki Z650RS - Carisma Retro

Uma naked japonesa de inspiração retro que se adapta a qualquer tipo de utilização, brindando a jornada com o seu estilo intemporal.

andardemoto.pt @ 18-1-2022 07:50:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Rui Jorge

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Kawasaki Z650 RS | Moto | Clássicas Modernas

O segmento naked é talvez o mais variado do mercado. Desde as motos com inspiração marcadamente oriental ou futurista às descaracterizadas utilitárias urbanas ou às pouco práticas powernakeds, a variedade é grande.

Mas há um segmento em particular que apaixona os amantes das duas rodas: são as motos de inspiração retro, também conhecidas por clássicas modernas, que fazem reviver memórias da juventude e evocam arquétipos que estão na base da cultura motociclística.

É o caso da nova Z650RS, inspirada na aclamada Kawasaki Z 650-B1 de 1977, e que à semelhança da Z900RS apresenta linhas esguias e simples, definidas pelo farol dianteiro e pelos manómetros redondos rematados a cromado, pelo depósito de combustível alongado e pelas jantes que, apesar de serem de fundição de alumínio, fazem lembrar aros raiados.

Os apontamentos cromados, o tradicional remate da baquet em forma de bico de pato, as delicadas faixas pintadas que decoram o depósito que também é ornamentado pelo característico logótipo da marca em relevo, contribuem para um aspecto nostálgico e uma elegância extremamente bem conseguidas.

O posto de condução é espaçoso, dominado por um guiador largo e um assento baixo  e estreito (a 820 mm do solo, podendo inclusivamente ser substituído por outro opcional que tem menos 20mm de altura) que favorece um acesso fácil.

A boa ergonomia proporciona uma posição de condução elevada e extremamente cómoda que, aliada ao conforto proporcionado pela suspensão, incentiva a grandes passeios. 

A par com o conforto está o prazer de condução promovido pelo desempenho do motor bicilíndrico de 649 cc, que é basicamente o mesmo que equipa a Kawasaki Z650.

Com uma sonoridade muito interessante mas discreta e um binário significativo (64,0 Nm às 6.700 rpm), que permite uma grande tolerância na escolha da mudança engrenada, a Z650RS revela-se uma moto extremamente fácil de conduzir.

A entrega de potência (68 cv às 8.000 rpm) é extremamente suave abaixo das 3.000 rpm e vigorosa acima das 6.000 rpm, com uma entrega plana no intervalo, facto que permite uma condução despreocupada, com uma resposta rápida e irrepreensível ao acelerador.

Em termos de consumos, o fabricante anuncia uns espartanos 4,3 litros /100 km que, na prática, em andamento vivo, subiram para uns bastante aceitáveis 5,0 litros /100 km, segundo o computador de bordo, o que se pode converter numa autonomia prática a rondar os 200 quilómetros, graças a uma capacidade total de 12 litros do depósito de combustível.


A caixa de velocidades, apesar de ter um accionamento algo rude, é extremamente precisa e está bem escalonada, não revelando qualquer dificuldade em subir de rotação em nenhuma das relações engrenadas.

A embraiagem, deslizante e assistida, torna a manete extremamente leve e proporciona uma maior confiança nas reduções, já que evita o bloqueio da roda traseira sob forte desaceleração.

A travagem é bastante potente e muito doseável, com os dois discos dianteiros de 300 mm a apresentarem uma mordida inicial forte, a cargo de maxilas Nissin de pistão duplo, e o travão traseiro a proporcionar uma vantagem acrescida na inserção nas trajetórias, igualmente bastante doseável e sem nunca mostrar sinais de fadiga, mesmo quando bastante solicitado em andamentos mais rápidos.

Ambos os eixos são monitorizados por uma eficaz unidade ABS Bosch 9.1M.


O peso contido (187 kg em ordem de marcha) com o centro de gravidade bastante baixo, a curta distância entre eixos (1405 mm) e a boa brecagem (raio de viragem 180º em apenas 2,6 metros) tornam a Z650RS extremamente ágil e fácil de manobrar.

Com o motor a servir de elemento estruturante, o quadro, apesar de o seu peso ser de apenas 13,5 kg, revela-se extremamente rígido e, a par com o elegante braço oscilante em alumínio fundido que pesa apenas 4,8 kg, garante um excelente comportamento em curva, com muita estabilidade e precisão na inserção em ângulo.

Mesmo sob forte travagem, a suspensão, que como já referi se apresenta muito confortável, mesmo em pisos mais degradados, não mostra afundamento excessivo graças à forquilha convencional, que apesar de não permitir regulação, tem bainhas de 41 mm de diâmetro que, mesmo sob forte aceleração, consegue manter o conjunto bastante estável.

O amortecedor traseiro, colocado em posição horizontal com um sistema Back-link, revela-se igualmente bastante firme. Apenas peca pelo facto de, apesar de permitir regulação da pré-carga, essa não ser uma operação fácil.

Mas a Z650RS não é uma moto desportiva. É uma moto polivalente, focada em garantir um elevado prazer de condução mesmo a motociclistas menos experientes, pelo que é, sem dúvida, recomendada aos recém-chegados ao mundo das motos ou a motociclistas de baixa estatura.

Ainda assim, consegue ser uma excelente companheira para os motociclistas mais experientes que apenas pretendam uma moto fácil de conduzir e manobrar, seja para uma utilização polivalente intensiva ou apenas para ir espalhar charme ao fim-de-semana.

Foi o que senti, ao longo dos cerca de 150 quilómetros que com ela partilhei algumas belas estradas do distrito de Coimbra, onde recentemente a Multimoto, o importador oficial da Kawasaki para Portugal, promoveu uma apresentação dinâmica da Z650RS aos meios de comunicação nacionais.


De manhã cedo, num dia frio e com o piso ainda encharcado pela humidade nocturna e pelas chuvadas das vésperas, as retorcidas estradas entre Coimbra e a Lousã foram o cenário perfeito para poder averiguar o potencial deste novo modelo.

E nem mesmo a estreita estrada de acesso à bela Aldeia de Xisto do Talasnal, molhada e coberta de folhas outonais, impediu uma condução bastante alegre, sempre com uma grande sensação de controlo e segurança.

Numa moto deste tipo a simplicidade é muito apreciada, pelo que a Kawasaki manteve os comandos convencionais e reduzidos ao mínimo e a electrónica reduzida ao essencial.

O painel de instrumentos incorpora um elegante painel de cristal líquido negativo, de fácil leitura, que fornece informação muito completa, com computador de bordo que calcula os consumos e a autonomia, totalizadores parciais, indicador de mudança engrenada, relógio, temperatura do líquido de refrigeração e ainda um indicador de condução económica que permite reduzir significativamente o consumo de combustível.

A Kawasaki fez um esforço para adaptar a tecnologia ao estilo retro, bem patente no farol oval traseiro, inspirado na gama Z dos anos 70 e que, apesar de ser em LED, tal como toda a iluminação, imita as convencionais lâmpadas incandescentes.

A marca japonesa apostou na qualidade de construção e em acabamentos cuidados, para colocar no mercado uma moto carismática e cheia de estilo, com uma presença bastante forte que não passa despercebida, a um preço muito concorrencial.

Ao final do dia de teste, a ergonomia revelou-se perfeita e nem os pulsos nem as costas ou o respetivo fundo, mostravam sinais de desconforto. Gostei também da boa visibilidade proporcionada pelos espelhos retrovisores, do facto de ambas as manetes serem reguláveis, da facilidade de acesso ao bastante estável descanso lateral e à quase completa ausência de vibrações ou ruídos parasitas.

Também gostei do facto de poder navegar nas informações do painel de instrumentos sem ter que tirar as mãos do guiador, já que a Z650RS tem um botão dedicado na manete esquerda, ao alcance do polegar, que permite “azerar” os totalizadores parciais e alternar entre as diversas informações do computador de bordo.

A Z650RS vai estar brevemente disponível nos concessionários Kawasaki em três esquemas cromáticos diferentes: Verde (que pode ver nas imagens) ou Cinza (ambas por um preço de 8.495 €) e Preto (8,390 €).

Equipamento

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