Contacto Ducati DesertX - Um Desmo de saltos altos

A primeira Ducati da era moderna com jantes de 21” e 18” promete levar a típica treliça e o motor desmodrómico por maus caminhos. E a espalhar charme italiano…

andardemoto.pt @ 10-5-2022 08:27:00 - Pedro Alpiarça

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Ducati DesertX | Moto | DesertX

Foi em 2019, o último ano em que o salão da EICMA se mostrou em toda a sua glória, com a representação de todas as principais marcas que compõem o panorama motociclístico mundial.

No stand da marca de Bolonha, um protótipo chamou a atenção, de seu nome DesertX, e a sua aceitação pelo público foi de tal forma entusiasta que a Ducati deu luz verde à sua produção. 
Temos de confessar-vos que havia uma certa expectativa no primeiro contacto visual com esta moto. Desde a sua revelação que a silhueta evocava algo de especial, um regresso ao passado com um recurso estilístico a evocar as grandes trails de aventura das últimas décadas do século passado. 

Ao vivo, esta nova moto é ainda mais impressionante. O duplo farol dianteiro, o depósito proeminente a abraçar as longas suspensões que seguram a grande roda dianteira, um claro minimalismo que lhe remete o propósito.

A DesertX vem para marcar a sua posição como a primeira Ducati dos tempos modernos inteiramente desenvolvida com o fora de estrada em mente. E a nossa mente, não conseguia parar de imaginar cenários felizes onde o terreno difícil não seria desculpa para deixar de explorar….
O percurso escolhido misturava frequentemente os dois cenários, mimetizando aquele clássico contexto de um passeio de aventura com ligações no asfalto.

A facilidade de interação com os sistemas electrónicos favorecia a mudança de personalidade, (6 mapas de condução, Sport, Touring, Urban, Wet para o asfalto e Enduro e Rally para o fora de estrada) e os quatro modos de condução dedicados ao asfalto intercalavam com os dois especificamente desenvolvidos para o fora de estrada, sendo que, ao estilo da marca de Bolonha, todos eles são parametrizáveis no âmbito das inúmeras ajudas à condução (Controlo de tração, Anti-wheelie, Cornering ABS, Engine Braking, Quick-shift e Cruise Control).
Sem complicar em demasia, e porque os engenheiros dedicam todo o seu esforço a fazer de nós uns preguiçosos, passámos a maior parte do tempo sem fazer alterações nos mesmos, afinal tínhamos muita coisa para absorver… 

Nas estradas retorcidas da Sardenha, o modo Sport fazia o Testastretta (Bicilindrico em L Testastretta 11º Desmodrómico com 937 cc; 110 cv @ 9250 rpm ; 92 Nm @ 6500 rpm) uivar acima das 5k rotações, trazendo ao de cima sensações bem conhecidas noutros modelos da marca.

Embalados pelo entusiasmo, as novas relações de caixa mais curtas obrigavam um trabalho redobrado do quick-shift, e em consonância com o trabalhar do motor desmodrómico, o feeling era mecânico e preciso.

A DesertX faz uso de uma ciclística muito equilibrada para se juntar ao clube das motos trail capazes de fazer uns brilharetes no asfalto.

A jante 21” é solícita nas mudanças de direção e o novo quadro em treliça, o braço oscilante em alumínio e as suspensões Kayaba (forquilha de 46mm de diâmetro e 230mm de curso e mono amortecedor com 220 mm de curso, totalmente ajustáveis em ambos os eixos) oferecem uma estabilidade e confiança ímpar no ataque às curvas, mesmo nas de apoios mais longos. 


A polivalência dos Pirelli Scorpion Rally STR montados de origem (tendo os mais estradistas Pirelli Scorpion Trail II e os mais enduristas Pirelli Scorpion Rally como opcionais), ajudou a enaltecer as capacidades dinâmicas da DesertX, ora gastando as suas laterais no asfalto, ora procurando ganhar tracção fora dele.

Mais uma boa surpresa foi-nos revelada quando percebemos que o carácter menos civilizado a baixas rotações do Testastretta tinha sido reeducado…
Os últimos modelos por nós testados com esta unidade motriz, a Multistrada V2 e a Monster, tinham em comum uma latente displicência em rodar abaixo das 3000 rpm. Imaginem pedir ao Usain Bolt para calçar os ténis de corrida e depois entregam-lhe uma avozinha para ajudar a atravessar a passadeira…O desmodrómico sente o mesmo quando tem de viver nas baixas rotações. 

A Ducati debelou esta característica afinando a injecção electrónica, e a caixa mais curta também tem uma quota parte nesta personalidade mais simpática. Até porque no fora de estrada, não são poucas as vezes que recorremos às primeiras duas velocidades para transpormos obstáculos.

A absoluta noção do efeito do punho direito na linearidade da aceleração faz com que consigamos modular o comportamento da traseira em todas as situações.

A electrónica dedicada ao fora de estrada tem um papel preponderante nesta comunicação, onde o modo Enduro nos acarinha o heroísmo com simpatia, limitando a potência aos 75cv e controlando o travão traseiro (ABS com comutador dedicado no guiador) para permitir uma mordida inicial mais assertiva, fazendo com que a roda de trás inicie o movimento de rotação da moto na entrada em curva. 

Tudo isto sem engasgos ou sobressaltos. Fluidez e tranquilidade, eram as palavras chave, com a segurança de um sistema de travagem de topo patrocinado pelos Brembo M50 e os discos duplos de 320mm.
O modo Rally desliga o ABS traseiro totalmente e aqui aparecem os gloriosos 110cv, permitindo o desmodrómico castigar impunemente os terrenos mais difíceis. A DesertX lida muito bem com a velocidade em condições de baixo atrito, é previsível nas reacções e equilibrada nas transferências de massa mais esforçadas.
A ergonomia foi trabalhada incessantemente para termos um triângulo de condução perfeitamente adaptado a este cenário, e o próprio display (ecrã TFT de 5” a cores com possibilidade de navegação e interação multimédia através da App Ducati Multimedia System) tem informação dedicada, destacando o odómetro parcial numa leitura mais simplificada para os aventureiros.

Mais uma vez destacamos o bom comportamento das suspensões, com uma boa progressividade e capacidade de leitura das irregularidades mais agressivas, e se achamos a sua firmeza ideal na estrada, ficámos com a certeza que bastavam mais uns ajustes para encontrarmos o setting ideal para o nosso peso.

A DesertX não se sente uma moto pesada (223 Kg em ordem de marcha para 875mm de altura do assento e 250mm de altura ao solo), contudo o centro de gravidade sente-se elevado nas manobras a mais baixa velocidade.

Afinal de contas, falamos de uma máquina de tipologia trail, a sua altura e consequente distância ao solo é fundamental para enfrentar os maiores desafios. A suavidade da embraiagem, e o carácter dócil do motor nas mais baixas rotações ajudam muito neste número de trapézio.


Gostaríamos de ter testado uma das valências mais interessantes para transformar esta máquina numa viajante de aventura, o depósito traseiro extra.

Acrescentando 8L aos 21 do tanque principal, e melhorando substancialmente a autonomia, com o cruise control de série (para além da Protecção de carter e de radiador) e as soluções de bagagem opcionais certamente nos veriam a viajar rumo ao horizonte mais longínquo, independentemente do caminho.
A Ducati DesertX (que vai estar disponível a partir de Junho com preços desde 16 145 €) vem mostrar ao mundo que a marca de Bolonha conseguiu ser bem sucedida em transportar o seu ADN para caminhos mais tortuosos.


Eficaz e com um óptimo equilíbrio na sua polivalência, o facto de só a podermos comprar neste branco minimalista faz todo o sentido. É uma questão de personalidade.

A intemporalidade do design, o carácter do motor, a sofisticada electrónica e a competente ciclística, fazem da DesertX uma fantástica adição ao já bem preenchido segmento de mercado das grandes trails enduristas.  E os puristas podem ficar descansados, é uma Ducati, com certeza.

Veja a Ducati DesertX em pormenor:

Equipamento:

Video Teste Ducati DesertX

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