Teste Suzuki GSX-S 1000 GT - Sport Touring Intemporal

A nova Suzuki GSX-S 1000 GT orgulha a sigla Grand Tourer com uma máquina que liga o passado, presente e futuro da marca. Turismo despachado, com conforto e desportividade.

andardemoto.pt @ 17-5-2022 08:43:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

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Suzuki GSX-S1000 GT | Moto | Estrada

As ultimas horas do dia são apelidadas na fotografia de “golden hour”, onde a cor dourada do fim de mais um ciclo solar, inundam as paisagens e o espírito.

A nostalgia fecunda o pensamento nestas alturas, talvez resquícios de um tempo em que o regresso à gruta nos traria segurança… o lusco-fusco permanece uma fértil ocasião para nos entregarmos à nossa condição de pequenez perante os elementos.

Depois de um dia grande aos comandos de uma moto feita para percorrer quilómetros, busco o sítio ideal para ver desaparecer o astro-rei no horizonte, mas de forma tranquila, com a certeza de que chegarei a tempo.


Rápida, estável, previsível na sua atitude e com um compromisso de entrega perfeitamente adequado ao que lhe pedimos, a Suzuki GSX-S 1000 GT era uma moto que há muito queria experimentar.

Calhou o tão esperado evento numa altura em que a triste notícia do abandono da marca de Hamamatsu do grande circo desportivo e pináculo de desenvolvimento tecnológico em duas rodas - o Moto GP. 

A decisão surge na sequência das dificuldades econômicas (de produção e sobretudo logísticas) que um mundo pós-pandemia tem colocado à indústria. Escolhas tiveram de ser feitas. 

Como que em choque, levantam-se mais questões do que se ouvem respostas, e eu, na minha humilde condição de amante destas peças de engenharia, entrego-me na experiência do utilizador, o alvo derradeiro de tanto esforço.

Embalado por mais uma estrada nacional retorcida, a GT começou a parecer-me intemporal…
Servindo-se de um motor com créditos firmados, o quatro cilindros de 999 cc deriva da bem sucedida GSXR 1000 (2005/2008), tendo sido profundamente remodelado: novos corpos de admissão (caixa de ar, árvores de cames, molas das válvulas e tensores), novo sistema de escape e transmissão (embraiagem, veios secundários), num redimensionamento tendo em vista uma maior suavidade de entrega sem perder a pujança nos baixos e médios regimes. 


O objectivo era o de arredondar o ímpeto, potenciando uma utilização mais turística. Porque o respirar do seu pulmão em altas, esse permanece intocado! E aqui tínhamos a sua ligação ao passado. Honrar os anciãos, não alterar muito as fórmulas vencedoras, dar continuidade a uma tecnologia bem nascida. 
Os 152 cv às 11000 rpm e os 106 Nm às 9250 rpm são números de respeito, mas a forma como este quatro cilindros comunica conosco roça o fenómeno holístico. Muito embora seja sempre solicito em qualquer rotação, a sua personalidade muda consoante o regime.

E a Suzuki GSX-S 1000 GT é absolutamente incansável a mostrar-nos as suas diferentes facetas. Civilizado no primeiro terço, doseável e afável, com uma suavidade que convida a longas tiradas sem vibrações ou sobressaltos no acerto do acelerador. 


Os médios regimes surgem cheios, prontos a vencer a linha que separa o espaço do tempo, tipo arma pronta a disparar. Neste registo se resolvem curvas e se despacham ultrapassagens, acompanhados pela voz rouca de um motor à antiga. Por fim, temos o fogo de artifício que surge entre as 8000 e as 12000 rpm, e numa ode aos sentidos, as explosões controladas que acontecem debaixo de nós lançam-nos rumo ao infinito.

É um motor interminável, seja na sua capacidade de nos levar ao colo com falinhas mansas nas longas tiradas de Auto-estrada, seja na maneira como nos põe em sentido quando prolongamos a mudança até chegarmos à curva seguinte…aos gritos!
Aqui entra o presente, o cérebro electrónico da máquina.

A Suzuki GSX-S 1000 GT utiliza o S.I.R.S. (Suzuki Intelligent Ride System) que agrega sistemas como o acelerador electrónico (são 3 os mapas de motor, sendo o A o mais agressivo, o B como standard e o C para ser utilizado em condições de baixo atrito), as ajudas à condução (controlo de tracção com 5 níveis e OFF), quick-shift bidirecional, cruise control, easy-start e low rpm assist (um truque mágico que acelera ligeiramente a moto quando soltamos milimetricamente a manete de embraiagem). 

A interacção com esta panóplia digital de zeros e uns é feita de modo bastante simples. Evitando o enxame de comutadores nos punhos, conseguimos parametrizar a máquina de modo bastante rápido e intuitivo, e onde o novo écran TFT a cores brilha com o seu pragmatismo elegante.

Há a possibilidade de integrar a aplicação My Spin da Suzuki para ter acesso ao smartphone (existe uma ficha USB para carregamento do mesmo), inclusive com sistema de navegação por mapa (em vez das mais comuns indicações passo a passo), mas que para nosso infortúnio não estava disponível na unidade ensaiada.

A efetividade das ajudas electrónicas à condução fez-nos esquecer a ausência de um IMU, fruto do bom feeling mecânico da GT e do ótimo feedback que entrega ao condutor.

O Quick-shift é absolutamente brilhante, infalível em qualquer rotação, sem sobressaltos e bastante preciso. A embraiagem assistida e deslizante também faz parte deste importante binómio de conforto de utilização e eficácia dinâmica.


Os Dunlop Sportmax RoadSport 2 são profícuos na utilização de sílica na sua construção, optimizando a sua performance em baixas temperaturas. Nunca entrando no capítulo do descontrolo, são pneus que tipicamente se tornam um pouco mais moles no Verão.

No asfalto mais quente, sempre que castigava o pneu traseiro, punha o computador a trabalhar horas extra, e uma certa esquizofrenia da luz avisadora no painel era o sinal mais visível da intervenção do controle de tracção.

Percorrendo os diferentes níveis (mais uma vez, num processo altamente intuitivo e rápido) percebe-se perfeitamente a quantidade de binário que está a ser entregue (ou não) à roda traseira. A modularidade do acelerador ajuda neste jogo, assim como a linearidade do bloco motriz. Nas estradas mais polidas algumas marcas de borracha autografaram a nossa passagem…

A ciclística da Suzuki GSX-S 1000 GT é o laço que embrulha o presente ideal. As suspensões Kayaba (forquilha de ⌀43 mm totalmente ajustável, mono amortecedor ajustável em pré-carga e extensão) tem um espectro de funcionamento praticamente perfeito para o propósito do turismo rápido, conseguem ser altamente filtradas nas menores frequências e assertivas nas grandes transferências de massa.

Um compromisso ideal entre desportividade e conforto, o casamento estável para rolarmos confortavelmente em todas as condições.

Navegar pelo empedrado depois de uma sessão de curvas épicas onde trabalharam para o equilíbrio dinâmico da máquina? Sem problema, fácil até. Inspiradoras de confiança, em boa verdade.

O quadro de duplo berço em alumínio ajuda a compreender todas as forças que lhe estamos a provocar e o braço oscilante em alumínio comunica de forma clara esses mesmos intentos.


A Suzuki GSX-S 1000 GT tem alma de desportiva, e isso sente-se quando lhe pedimos créditos. A travagem (Duplo disco dianteiro de ⌀310 mm com sistema Brembo) ajuda a debelar a inércia criada pelos 226 Kg sem dramas de maior, e o bom tacto em ambos os eixos ajuda a controlar a potência que surge com fartura. 

Todos estes ingredientes fazem da GSX-S uma moto que se delicia com os prazeres da velocidade. Estável, confiante e muito sólida sob qualquer abuso, com um ADN desportivo latente que não consegue (nem tenta!) escamotear.

A sua personalidade turística revela-se no conforto do triângulo ergonómico, o guiador largo e próximo do condutor, a baixa altura do confortável assento (810 mm), a ausência de vibrações em todo o regime de funcionamento.

Gostaríamos de ter um defletor frontal ajustável (a Suzuki propõe um opcional 70 mm mais elevado), assim como um ajuste remoto da pré-carga traseira, mas serão estes apenas os calcanhares de Aquiles de uma moto praticamente perfeita para o que se propõe.

O Sol a desaparecer no horizonte, a moto parada, e a sua silhueta continua a provocar-me deambulações filosóficas sobre a sua intemporalidade. O design criado pela Suzuki é arrojado e a sua forma serve o propósito aerodinâmico, assim o ditaram os estudos em túnel de vento. Pessoalmente, gosto do arrojo.

Dos faróis LED escondidos à treliça do sub quadro a assegurar uma robustez a toda a prova, a simplicidade da forma a garantir a função. A Suzuki GSX-S 1000 GT apresenta um conceito de engenharia intemporal, com soluções comprovadas, por um valor justo. Falamos de 15 449 € (mais 1075 € pelo sistema de bagagem da unidade ensaiada).

Este é o futuro da marca? Sinceramente, quero acreditar que sim, que uma entidade icónica no mundo motociclístico deixa a sua personalidade vincada em modelos que não nos enganam no seu propósito, numa espécie de honestidade mecânica que nos surpreende e nos remete ao básico: o prazer de andar de moto.

E neste caso, rapidamente e em conforto. Obrigado Suzuki.

Veja a Suzuki GSX-S 1000 GT em pormenor:

Equipamento:

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andardemoto.pt @ 17-5-2022 08:43:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte


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