Teste Yamaha T-Max Tech Max- A rainha está de volta

Seja no caos citadino, seja numa estrada retorcida, a TMax está em casa. Não perdendo a sua vertente práctica de scooter, esta sua última geração está assumidamente mais desportiva. 

andardemoto.pt @ 5-7-2022 07:32:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

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Yamaha TMAX Tech MAX | Scooter | Sport Scooters

Desde o seu aparecimento, em 2001, cerca de 350 000 unidades da Yamaha T-Max já foram vendidas no mundo inteiro, e países europeus como França, Itália e Espanha acolhem verdadeiras legiões de fãs da maxi-scooter da casa de Iwata. 

A razão do seu sucesso prende-se com o facto de ser a primeira verdadeira scooter com prestações e dinâmica deuma  moto, sem perder a praticabilidade que lhe dá o contexto no segmento.

No nosso país, continuamos a ser algo preconceituosos em relação a uma moto com estas características, e por isso mesmo, dei por mim a rolar com um grupo de empedernidos motards, na esperança de tentar perceber o porquê de tanta desconfiança…

A primeira reacção do eclético grupo foi de surpresa. As bocas iniciais são sempre as mesmas, desde a eterna analogia a um aspirador doméstico, até à suposta incapacidade de os acompanhar nas suas motos com M grande, mas rapidamente começaram a ficar intrigados com as formas imponentes da scooter que tanto queriam gozar. 

A nova T-Max está mais agressiva que nunca, a secção frontal ganhou um perfil mais incisivo (aproximando-a à restante família de scooters da marca), e há uma harmonização na forma do farol traseiro, e de um modo geral mantém a fisionomia musculada ao longo de todo o conjunto.

A qualidade dos acabamentos sente-se, os plásticos têm um toque sólido e a profusão de peças maquinadas dá-lhe um ar premium. 

Nos comutadores temos agora um joystick específico para interagir com todo o sistema, desde a regulação em altura elétrica do ecrã pára-brisas, ao controlo dos punhos e assento aquecido (sendo estas três características da versão ensaiada, a Tech-Max), aos recursos multimédia (possibilidade de ligação ao smartphone e capacete, e também à navegação por mapa, fruto de uma parceria com a Garmin) e terminando na parametrização electrónica da máquina (controlo de tracção comutável e dois mapas de motor).

O novo ecrã TFT de 7” é a próxima razão de exclamações de espanto. Bem desenhado, com 3 grafismos diferentes para o conta-rotações, toda a informação disponível está bem arrumada e o aspecto geral é de extremo bom gosto (para não repetir a tão amada palavra “premium”). 


Por esta altura já se levantavam sobrolhos em relação à qualidade de vida à bordo da T-Max, e as perguntas seguintes viriam certamente engatilhadas para a parte dinâmica da máquina.

Para um peso a cheio de 220 Kg, o bicilíndrico de 562 cc desenvolve 47,5 cv (35 kW, no limite para ser conduzida com carta A2) às 7500 rpm, e um binário de 55,7 Nm às 5250 rpm.

Embora os números não os tenham impressionado, bastou uma saída de semáforo mais despachada para perceberem as maravilhas de uma transmissão contínua CVT. Obliterados, sem apelo nem agravo.

A capacidade de aceleração nos primeiros metros é absolutamente impressionante, neste capítulo nada mudou, e ainda bem!

Chegados à Auto-Estrada, conseguimos velocidades de cruzeiro muito respeitáveis. A nova ergonomia foi trabalhada no sentido de tornar a moto mais espaçosa, o assento (800 mm de altura ao solo) foi redesenhado, assim como a posição do guiador.

Conforto é a palavra de ordem, e nesta equação o desenho melhorado do deflector de vento cumpre a sua função de forma exímia. A T-Max é perfeitamente capaz de percorrer grandes distâncias sem dramas de maior, basta acrescentar soluções de bagagem.

Tem motor de sobra para acompanhar qualquer máquina em ritmo de viagem, e a sua envolvência e qualidade de vida a bordo estão bastante acima da média. Até um muito prático Cruise-Control está presente (de origem nesta versão Tech-Max).

Chegados à zona de curvas, mais uns comentários jocosos. “É melhor deixar a scooter ir à frente para não se perder”… Assim o fiz.

O motor patrocina o ímpeto, o mapa Sport (o Touring é um pouco mais “mole”) torna o acelerador mais responsivo e temos uma linearidade na entrega de potência que nos dá a certeza de termos sempre uma reserva disponível, a T-Max nunca se nega nas ultrapassagens e recuperações.

Longa e baixa, o seu centro de gravidade sente-se muito perto do asfalto, e tal como já o tinha demonstrado nas manobras a baixa velocidade, a capacidade que tem de mudar de direcção é simplesmente demoníaca.

As suspensões (forquilha invertida na dianteira, e monoamortecedor montado na horizontal na secção traseira, com ajuste de pré-carga) foram redimensionadas na sua firmeza, o que significa que a leitura que temos do piso numa condução mais desportiva, é altamente informativa. 

Neste patamar dinâmico de excelência, as novas jantes forjadas por centrifugação (tecnologia patenteada pela Yamaha, usada nos mais recentes modelos da gama Hypernaked), sendo mais leves, também contribuem para uma menor massa suspensa, diminuindo assim a sensação de esforço na quebra do momento angular.

Mesmo nos apoios mais longos ela segue a linha, o quadro em alumínio reage bem às torções e nunca sentimos a máquina a ficar descompensada. A T-Max curva muito. Curva tanto que o descanso central acaba por sofrer abusos constantes, servindo de avisador quando os ângulos se tornam entusiasmantes. 


No capítulo da travagem (Duplo disco dianteiro de ⌀ 267 mm mordido por pinças radiais duplas, Disco traseiro de ⌀ 282 mm) sente-se um ataque inicial algo amorfo, e muito embora a potência esteja presente, a mordacidade fica aquém do desejado para uma moto com estas prestações. 

Chegados finalmente ao restaurante, os alegres convivas teciam elogios à maneira como a T-Max se tinha comportado nas estradas mais retorcidas.

Entre desculpas de pneus gastos, custos da gasolina e outras maleitas mais físicas (aquela eterna dor no ombro que surge nas alturas mais convenientes), a verdade é que não apanharam a scooter.

Aliás, passaram a chamar-lhe maxi-scooter, uma maneira de mostrarem a sua reverência à máquina em questão. Nesta altura, o capacete integral e as luvas ficam no compartimento debaixo do assento, e pouco mais cabe. São as vicissitudes de ter um motor de moto, as suas dimensões não lhe permitem ter o espaço que as irmãs de cilindrada menor exibem.

Do compartimento lateral retiramos o telemóvel, que esteve a carregar durante toda a viagem, e abandonamos a máquina sem retirarmos a chave do bolso (sistema keyless).

A vida prática e simples de uma moto urbana com a capacidade de pôr em sentido as outras que dizem ter um M grande…

De sorriso rasgado, passei o resto do almoço a responder a perguntas sobre a nova Yamaha T-Max. Se bem que o preço (Desde 12 295 €, versão Tech-Max desde 14 395 €) a torna bastante exclusiva, a verdade é que nível de equipamento, qualidade de vida a bordo, prestações e polivalência na utilização, fazem dela uma máquina única.

No fim da conversa, alguns já confessavam a idade avançada e o despropósito de terem motos de aventura para viagens que nunca acontecem. O quotidiano seria bem mais feliz aos comandos de uma máquina desta tipologia. E eu, prometi um comparativo com as rivais mais próximas…

Equipamento

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:


Capacete AGV Tourmodular
Blusão Rev’it! Eclipse

Calças RSW Jeans Peter

Luvas Rev’it! Chevron

Botas TCX RO4D WP

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andardemoto.pt @ 5-7-2022 07:32:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte


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