Comparativo: Aprilia SR GT Sport 125 vs Honda Forza 125 vs Yamaha X-Max 125 Tech-Max - Para todos os gostos

A chegada da mais recente utilitária da casa de Noale vem agitar as águas do segmento das scooter 125cc de qualidade superior. A Aprilia SR GT 125 vem com fortes argumentos a nível motriz e com uma imagem provocadora, pronta para desafiar as referências

andardemoto.pt @ 23-8-2022 07:24:00

Imediatamente após o teste (ler aqui) à nova Aprilia SR GT 125, ficámos com a certeza de que esta scooter não poderia competir com modelos como a Honda PCX ou a Yamaha N-Max.

O seu motor e a qualidade dos acabamentos enquadram-na no topo do segmento, as chamadas premium scooters. Mais executivas, com maior capacidade motriz para enfrentar as vias mais rápidas da cidade, com uma exclusividade justificada no preço.

A Honda Forza 125 e a Yamaha 125 Tech-Max assumem a sua rivalidade, e também partilham o protagonismo na hora de escolher uma moto citadina com capacidade estradista, com a soberba vantagem de não ser necessário carta de moto para as conduzir.

A presença visual de cada uma delas é perfeitamente distinta. As linhas angulosas e o esquema de cores da versão Sport da Aprilia não passam despercebidas e até a familiaridade estética com os restantes modelos desportivos da marca dão uma ar atrevido à pequena scooter.

Para além dos apontamentos a imitar carbono (exclusivos desta versão Sport), também estão presentes as aberturas nas carenagens semelhantes aos defletores aerodinâmicos das suas irmãs. E na verdade, nada disto é forçado, a SR GT tem personalidade própria e marca a sua presença com uma postura descomprometida e agressiva ao mesmo tempo.

Sendo a mais leve do trio (144 Kg em ordem de marcha, para 162 Kg para a Honda e 175 Kg para a Yamaha), parece manifestamente mais pequena ao lado das rivais. A Honda e a Yamaha levam-se mais a sério, são mais adultas na silhueta, e a imagem mais executiva da Forza contrasta com o design desportivo da X-Max.

Ambas têm um look mais robusto e refinado que a Aprilia, sobretudo quando nos deparamos com os pormenores exclusivos da versão Tech-Max da scooter de Iwata (almofadas interiores em pele, pesos de punho maquinados, poisa pés em alumínio, jantes douradas, farol traseiro fumado, etc.).

A iluminação full LED, como não podia deixar de ser nos dias que correm, é comum nos três modelos. A Aprilia é apresentada pela marca como uma scooter cross-over, ou seja, uma máquina urbana capaz de fazer algum fora de estrada.

Como tal, dotaram-na de uma maior altura ao solo, suspensões de longo curso (120 mm de curso na dianteira) e uns semi-aventureiros Michelin Anakee Street. Sem cairmos no exagero de colocarmos o capacete de motocross e partirmos rumo ao infinito com a mochila de água às costas, assim que rolamos os primeiros metros, percebemos a intenção.

A SR GT tem uma ergonomia mais espaçosa do que as suas dimensões fariam antever, o assento é alto mas acessível (em comparação com os 780 mm da Forza) graças à sua zona frontal mais estreita e a curta distância entre eixos rapidamente sugere a sensação de agilidade infinita. Os próprios comutadores e o guiador convencional exposto dão-lhe um certo pragmatismo aventureiro…

Temos uma ignição com chave (ao contrário do sistema keyless das rivais) e os espaços de arrumos resumem-se a um estreito compartimento onde caberá um smartphone com a respectiva tomada USB para carregamento.

Neste capítulo, a Honda e a Yamaha estão claramente em vantagem, com compartimentos bem mais generosos (também com possibilidade de carregamento de periféricos) e um espaço debaixo do assento capaz de arrumar até dois capacetes (e iluminado, no caso da X-Max).

A Forza é a mais compacta das três, nitidamente a que oferece a sensação de centro de gravidade mais baixo, com uma posição de condução mais aconchegada em relação ao condutor, ao passo que a X-Max tem uma pose de moto grande, volumosa, confortável, mais vertical na postura, algo que se revela na condução.


Na protecção aerodinâmica, o truque mágico de podermos regular a altura do pára-brisas electricamente, dá uma polivalência inestimável à Forza. O facto de podermos controlar o fluxo de ar consoante as situações é tão importante como sairmos da autoestrada numa bolha de conforto e chegarmos ao trânsito citadino com vontade de apanhar ar, e podermos ter um botão que resolve esta questão é maravilhoso.

Neste aspecto, as outras motos não desiludem, sendo que o deflector mais pequeno da Aprilia cumpre perfeitamente a sua função, e podemos ajustar o da Yamaha com acesso a ferramentas.

Quando olhamos para os painéis de instrumentos, o único completamente digital é o da Aprilia, sendo que os da Forza e da X-Max são mistos (a gloriosa imagem dos ponteiros a dançar num mostrador redondo prevalece), sendo que a Yamaha é a única a não ter capacidade de poder interagir com o smartphone através de app dedicada. Todos apresentam uma informação clara e de interacção intuitiva, o que se pretende em motos desta tipologia, mas com um toque de classe, obviamente.

Por esta altura, uma certeza começava a desenhar-se: o nível de equipamento e qualidade de vida a bordo na Honda e na Yamaha era claramente superior, mas restava perceber se a ciclística e o motor da atrevida Aprilia iriam colmatar estas diferenças…

Os números revelam sempre uma indicação do que esperar da performance de uma máquina e, talvez por isso, a ótima relação peso/potência da SR GT empurrou-nos para este confronto.

Os seus 15 cv declarados (14,5 cv na Forza e 12 cv na X-Max), aliados à sua leveza, tornam-na imbatível em qualquer semáforo. A resposta do novo motor i-get do grupo Piaggio é imediata e entusiasta, devolve-nos aquela sensação de termos um punho direito sem delays, que consegue manter o fulgor ao longo de toda a faixa de rotação. Sem dúvida a unidade mais entusiasmante das três.

De saída inicial algo amorfa, a Honda consegue acompanhar de perto, com uns bons médios regimes, mas uma ponta final impressionante, chegamos a imaginar uma espécie de overdrive, tal não é a sua teimosia na procura do red-line. A Forza é a que mais facilmente atinge a velocidade de ponta (passando os 120 km/h) e aquela que temos de cortar acelerador para não estarmos constantemente no limitador…

A X-Max serve-se da sua abertura de válvulas variável VVT (de clique audível quando rodamos punho) para ter os melhores médios regimes. É um motor cheio de personalidade, responsivo em qualquer rotação, mas sem o fôlego final da Honda.

Se tivéssemos de criar um monstro perfeito, teria a estocada inicial da Aprilia, os médios regimes da Yamaha e a ponta final da Honda, tudo marginalmente afinado, porque no mundo real, as diferenças não são de todo abissais. 

Em toadas mais calmas, os consumos das três são bastante frugais (com a vantagem de dimensão do depósito de combustível para as japonesas: 10,7 litros na Honda e 13 na Yamaha, contra apenas 9 litros na Aprilia).

O funcionamento do sistema start-stop é imaculado em qualquer uma delas, nada a apontar na forma quase instantânea em como voltam à vida depois dos seus motores se calarem instantes depois de qualquer paragem.

No capítulo da ciclística, a solidez da X-Max faz dela a rainha das estradas mais exigentes. Não só tem a posição de condução mais parecida com a de uma moto, como também a sua suspensão dianteira tem a ligação à coluna de direcção de modo convencional. Isto faz com que consiga ter uma estabilidade superior nas curvas de maior apoio, exalando confiança.

A Honda segue-a de perto, mas sendo mais compacta e tendo o centro de gravidade mais baixo, consegue ser um pouco mais directa e intuitiva nas transferências de massa, sobretudo nas curvas mais apertadas.

E aqui estamos a entrar no reino da pequena Aprilia. A sua agilidade a baixas velocidades é inigualável, é leve e reactiva aos comandos do condutor. Esta postura nervosa associada a um acerto de suspensões mais rijo, faz com que seja ligeiramente mais exigente ao tentar acompanhar as rivais nos ritmos mais vivos. Mas tem a vantagem de poder continuar se o asfalto terminar…


Galeria de fotos Aprilia SR GT Sport 125

Dados técnicos Aprilia SR GT Sport 125 aqui


Percebemos a intenção da marca de Noale de piscar o olho ao tão popular “aventurismo”, chama-se a isto alargar os horizontes, e está mais na moda que nunca. A SR GT não será uma purista do fora de estrada, entenda-se, mas consegue cumprir de forma divertida e eficaz a função de atravessar um percurso com gravilha, um caminho mais rudimentar ou até mesmo uma rua com empedrado desnivelado e gasto pelo passar do tempo.

As suspensões aguentam o stress acrescido e mantêm a compostura. O mesmo não podemos dizer da travagem combinada (substituindo o ABS). Num piso com atrito reduzido, o travão de trás deveria poder bloquear a roda traseira sem repartir a acção no eixo da frente, o que pode dar azo a alguns sustos. Sobretudo se aproveitarmos a ausência de controlo de tracção para “tentarmos” fazer umas atravessadelas…

A Honda e a Yamaha dispõem destes sistemas electrónicos de segurança (ABS e controlo de tracção), e a capacidade de travagem é muito semelhante. Claro que há características familiares que não mudam, e a Yamaha continua a necessitar de um acionamento mais vigoroso nas manetes para a potência se revelar.

Galeria de fotos Honda Forza 125

Dados técnicos Honda Forza 125 aqui


De um modo geral, as diferenças ciclísticas dos modelos dão-lhes uma personalidade mais distinta do que as suas semelhanças na performance motriz. A Aprilia ganha vantagem na sua extrema agilidade e polivalência, a Yamaha na sua estabilidade e compromisso desportivo e a Honda consegue fazer uso da sua acutilância para ser oportunista na maior parte das situações.

Agora é tempo de enfrentarmos o elefante na sala. A Aprilia SR GT é cerca de 1000 € mais barata que as outras duas. A Aprilia SR GT Sport 125 custa 4200 €; a Honda Forza 125 custa 5300 € e a Yamaha X-Max 125 Tech-Max custa 5595 € (todos preços base), mas será que a diferença de preço é proporcional a um défice na qualidade do que oferece? 

Galeria de fotos Yamaha X-Max 125 Tech-Max

Dados técnicos Yamaha X-Max 125 Tech-Max aqui


Nós acreditamos que não. Indiscutivelmente, a Honda e a Yamaha estão mais bem equipadas e agigantam-se num segmento de scooters mais elitista, mas ficou provado que, do ponto de vista dinâmico, a Aprilia não tem de se colocar em pontas dos pés para as acompanhar.

Embrulhada num pacote atrevido e desafiador, o que perde no capítulo da praticabilidade e electrónica, ganha na atitude. A Honda Forza e a Yamaha X-Max continuam na sua épica batalha onde assumem as suas diferenças nas personalidades distintas, muito mais do que nas suas virtudes e defeitos.

Nós tínhamos qualquer das três na garagem, sem problema.

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:

Capacete: Sprint Rocket
Blusão: Sprint Logo
Luvas: Sprint SP08
Calças: RSW Jeans Peter
Botas: TCX RO4D WP

andardemoto.pt @ 23-8-2022 07:24:00


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