Revolução à vista no Mundial Supersport?

A Dorna e a Federação Internacional de Motociclismo querem evitar a “morte anunciada” da categoria Supersport do Mundial Superbike. A ideia passa por apresentar um regulamento técnico revolucionário para permitir a entrada em pista de mais marcas e modelos de motos.

andardemoto.pt @ 7-10-2020 12:56:40

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São uma raça em extinção, mas ainda são motos que mexem com as nossas emoções. As supersport que todos conhecemos há vários anos como o passo intermédio para aqueles motociclistas que pretendem seguir a sua vida em duas rodas nos modelos mais desportivos, têm vindo a cair no esquecimento.

Várias razões levaram os fabricantes a não fazerem uma aposta tão forte nas supersport como fizeram (e fazem) nas superbike. Custos de desenvolvimento demasiado elevados, por exemplo, levaram a um aumento de preços enorme, que colocam uma “seiscentos” a poucos milhares de euros de uma “mil”.

As constantes atualizações relacionadas com regras de homologação são também outra das razões apontadas para o declínio destes modelos.

E no meio disto tudo, quem sofreu, para além dos fabricantes que viram os números de vendas baixarem consideravelmente, foi a categoria Supersport do Mundial Superbike.



Agora, e para evitar uma “morte anunciada” das Supersport, tudo aponta para que a Dorna e a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) estejam a preparar aquilo que será um verdadeira revolução para a categoria. O objetivo será permitir que mais fabricantes possam inscrever os seus modelos supersport neste campeonato mundial, e assim a categoria recupera a glória de outros tempos.

Atualmente o Mundial Supersport é dominado pela Yamaha YZF-R6, moto que nos últimos quatro anos venceu os títulos. A Kawasaki ainda vai tentando dar alguma luta com a sua Ninja ZX-6R, e depois temos algumas MV Agusta F3 675 e um par de Honda CBR600RR, neste caso motos bastante desatualizadas em comparação com as rivais.

Tendo estes dados em conta, a Dorna e a FIM pretendem alterar por completo o cenário do Mundial Supersport, e a ideia passa para novos regulamentos para serem aplicados muito em breve. Talvez ao mesmo tempo que os regulamentos das Superbike passam a permitir a participação de motos com motores tetracilíndricos de 1100 cc.



Scott Smart, diretor técnico do Mundial Superbike, estará a trabalhar no renovado e revolucionário regulamento técnico para o Mundial Supersport. A grande alteração terá impacto no tipo de motores e respetivas cilindradas que poderão ser usadas em competição.

Dois cilindros, três cilindros ou quatro cilindros. Cilindradas de 600 cc até aos 955 cc. Estas serão as principais novidades incluídas nos novos regulamentos das Supersport mundialistas, sendo que o passo seguinte para equilibrar a balança e performance, será aplicar restrições técnicas como controlo das rotações (a nível eletrónico) ou penalização por peso.

Com a abertura de regulamentos para uma maior variedade de cilindrada e configurações de motor, a Dorna e a FIM esperam convencer mais fabricantes a entrarem nesta categoria. E se olharmos para o que existe atualmente no mercado, a realidade é que poderemos vir a ter um campeonato muito interessante e variado!

Por exemplo, a Aprilia RS 660, que sabemos que será utilizada na próxima temporada num troféu monomarca em Itália e que iremos testar em breve para o seu Andar de Moto, seria uma boa adição ao Mundial Supersport. O motor bicilíndrico paralelo desenvolve cerca de 100 cv na sua configuração de série.



Também a Ducati poderia homologar a esbelta e eficaz Panigale V2 – leia aqui o nosso teste à “supermid” de Borgo Panigale –, com o seu bicilíndrico em V e 155 cv. Algumas informações apontam para que até mesmo a Triumph tenha recebido um e-mail para saber se a marca de Hinckley estaria interessada em entrar em pista com uma Street Triple RS modificada com carenagens integrais.

Recordamos que o motor da Street Triple RS, o tricilíndrico de 765 cc, é usado como base para os motores do Mundial Moto2. Clique aqui para ler o nosso teste em pista à Triumph Street Triple 765 RS.

Os fabricantes que atualmente competem no Mundial Supersport também não seriam colocados fora desta equação. Aqueles que usam motores quatro cilindros em linha de 600 cc (Yamaha, Kawasaki e Honda), poderiam continuar a competir sabendo que as prestações de cada moto serão equilibradas pelos organizadores. A MV Agusta poderia também optar por colocar em pista a mais potente F3 800, tendo assim uma base de trabalho mais forte.


andardemoto.pt @ 7-10-2020 12:56:40


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