A Workhorse Speed Shop está de volta com duas preparações da Indian FTR

Depois das duas Appaloosa a Workhorse Speed Shop está de volta com duas preparações da Indian FTR. O projeto está em desenvolvimento, mas Brice Hennebert conta-nos os primeiros detalhes destas duas motos.

andardemoto.pt @ 28-7-2021 15:28:52

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Depois de em 2019 ter conquistado o destaque no mundo das motos customizadas com a sua Indian Scout Bobber, conhecida como Appaloosa, e que foi pilotada por Randy Mamola na Sultans of Sprint, a Workhorse Speed Shop continuou a trabalhar nesse projeto em 2020 e foi mesmo na Baikal Mile que a Appaloosa V2.0 foi apresentada ao mundo com diversas melhorias.

Mas a Workhorse Speed Shop, liderada por Brice Hennebert, não ficou parada a gozar dos louros conquistados com essas duas primeiras preparações que tinham por base a Indian Scout Bobber.

Na verdade, Brice e a sua equipa têm estado bastante ocupados durante o último ano. E novamente a trabalhar num projeto com duas Indian Motorcycle.



Desta feita a Workhorse Speed Shop recebeu duas Indian FTR, as propostas da marca americana que transportam para a estrada todo o hooliganismo e adrenalina que associamos habitualmente às corridas de flat track, competição amplamente dominada pela Indian nos últimos anos.

Apesar de ainda não existir uma data definida para a revelação final, as duas Indian FTR têm sido submetidas a diversas alterações e modificações estruturais que, de acordo com a Workhorse Speed Shop, vão resultar em duas propostas bastante diferentes do habitual e que elevam a FTR para um novo patamar.

As motos vão chamar-se Black Swan e FTR AMA.

Enquanto o projeto vai avançando e a equipa da Workhorse Speed Shop se divide nas duas construções, Brice Hennebert tirou uns minutos para falar sobre o projeto e desvendar alguns dos segredos das novas Workhorse Speed Shop x Indian FTR Black Swan e FTR AMA.

Leia também - Teste Indian FTR R Carbon: Hooligan americana ao estilo europeu



- Já passou muito tempo desde que voltaste à loja depois de levares a Appaloosa V2.0 ao Baikal Mile Festival. As memórias dessa viagem ainda estão fortes?
Brice Hennebert –
Sim, as memórias são muito fortes. Com o confinamento, foi só depois de muito tempo que eu consegui ver alguns dos meus amigos. Cada vez que eu estou com alguém que ainda não estive, perguntam-me sempre pela viagem. Por isso posso estar sempre a reviver a viagem. E depois a Appaloosa finalmente regressou à Bélgica quando as fronteiras da Rússia reabriram. Desempacotar a moto e montar tudo novamente fez-me reviver as memórias.

- Obviamente o confinamento alterou a forma como todos trabalhamos. Mas não tens estado parado e tens em mãos dois novos projetos com as Indian FTR. Quais são os conceitos por detrás de cada projeto?
Brice Hennebert –
O conceito para a primeira construção, a Black Swan, apareceu há alguns anos quando competi no Wheels & Waves contra a Miracle Mike Scout fabricada pelos Young Guns. Durante esse tempo, tive a visão de construir uma moto desportiva para uso em estrada. Mas realmente desportiva, construída como uma moto de GP. É profundamente inspirada nas motos desportivas dos anos 90, totalmente em fibra de carbono. Isto é o que acontece quando os clientes me dão liberdade total no projeto. E estou inclusivamente a pensar fazer uma pequena série destas motos para vender. É realmente única!

O segundo projeto FTR é baseado no AMA SBK e carros de ralis dos anos 80. A Black Swan e a FTR AMA são para dois irmãos. O irmão que me pediu a Black Swan pediu depois que desenhasse uma segunda moto para o outro irmão. Algo colorido, mas agressivo, como um tanque. A única exigência é que tinha de ter a decoração Martini Racing.

Depois de alguma pesquisa acabei por usar o Lancia Delta HF como inspiração. Misturei isso com um pouco das motos usadas inicialmente no Bol d’Or, e juntei-lhe um pouco de “muscle bikes” mantendo uma postura de condução mais vertical, aproximada à posição original da FTR e que funciona tão bem.



- Na Appaloosa V1.0 e V2.0 tiveste grandes parceiros que te ajudaram com conselhos, componentes, fabricação, e também nas técnicas de afinação. Quem é que te ajuda nestes projetos da FTR?
Brice Hennebert –
Todos eles, e ainda mais! Fui à fábrica da Akrapovic alguns dias depois da Baikal Mile para trabalhar no escape da Black Swan. Eles fecharam as fronteiras algumas horas após eu ter atravessado a fronteira para regressar a casa. Foi por pouco. A Öhlins também me enviou um conjunto completo de componentes para a Black Swan, e que são deveras impressionantes. A Beringer forneceu os travões e disponibilizou o seu novo sistema 4+, muito leve e bom. Estou ainda a trabalhar com a Vinco Racing na Holanda, que estão a fabricar todas as peças maquinadas em CNC para as duas motos. São muitas peças! O meu amigo Robert Colyns da 13.8 Composites está a tratar de tudo o que é fibra de carbono.

Na Black Swan vamos usar jantes Rotobox em fibra de carbono, que são verdadeiras obras de arte! A Liteblox Germany fabricou uma bateria em fibra de carbono, a Cerakote NI fez o tratamento cerâmico. Jeroen da Silver Machine tratou do assento. E o Christophe da Forame tratou da modelação em 3D a partir dos moldes em barro.

Na FTR AMA as rodas são verdadeiramente chamativas. Trabalhei com o Fabio da JoNich Wheels em Itália. O design é baseado nas jantes dele, as Rush, mas sem as falanges em fibra de carbono. São maquinadas a partir de um bloco sólido de alumínio. E o aspeto faz-me lembrar das jantes turbo usadas no Lancia de competição, por isso são uma escolha perfeita. Serão cobertas por pneus Dunlop GP Pro com destaque para o pneu traseiro de 200.

Como podes ver, não estou sozinho nestas motos.



- Não é possível revelar muito destas motos, mas das imagens que temos do processo de fabrico, podemos dizer que a fabricação tem sido intensa. Podes dizer-nos como foi passar da visualização e esboços para o corpo das motos trabalhado em metal?
Brice Hennebert –
Sim, é uma viagem bastante longa. Aqui fica o processo, de forma geral, para a Black Swan: Primeiro junto esboços iniciais e imagens que servem de referência para os detalhes. Nesse momento desenhei as linhas gerais da moto, a sua postura. Depois enviei tudo para o Benny na Axesent no Japão, que criou os renders realistas com recurso a iluminação real e algumas propostas de decorações. Quando fiquei satisfeito, iniciei a modelação em 3D. Criei a moto à escala real em barro diretamente na FTR, mas apenas num dos lados da moto. Demorei cerca de seis semanas desde fabricar a estrutura de barro até atingir a forma final.

Depois fizemos um scan em 3D e começámos a trabalhar em CAD. O scan foi necessário para trabalhar a moto e ter uma ideia das proporções, mas mesmo neste momento há sempre espaço para novas ideias. Entretanto, trabalhei na simetria, detalhes, partes articuladas, e nos mecanismos de fixação dos diversos componentes. Tudo somado, mais dois meses de trabalho.

O passo seguinte foi com a 13.8 Composites. Primeiro, eles imprimiram em 3D todos os painéis a partir dos modelos CAD. Estas “impressões” foram usadas para criar os moldes onde foram dispostas as fibras de carbono. Depois de fabricadas, as peças foram afinadas de forma a garantir que tudo encaixava bem e tinha uma aparência perfeita.

Já na FTR AMA, em vez de usar barro e moldar à mão, usei design CAD através de um scan 3D do chassis da FTR. Depois todas as peças foram impressas em 3D e reforçadas com fibra de carbono.


- Este foi um processo que usaste noutros projetos ou é algo novo para ti?
Brice Hennebert –
Foi um processo totalmente novo para mim. Pelo menos nesta escala. Eu fiz moldagem em barro anteriormente, mas nunca algo tão complexo.

- As carenagens serão o ponto fulcral quando as pessoas virem as motos pela primeira vez. O que é que nos podes adiantar em relação a estas motos neste ponto do projeto?
Brice Hennebert –
As carenagens da Black Swan pesam, no total, 1,8 kg. Também decidi adicionar alguns acessórios como um quickshift e um Power Commander. A ideia será testar a moto com performance de série e configuração racing. A potência é mais do que suficiente para usar nas estradas europeias hoje em dia. E se o proprietário da moto necessitar de mais potência, então iremos mexer no motor.

Na FTR AMA existem duas células de combustível em alumínio para chegarmos aos 14 litros, e um dos depósitos fica debaixo do assento. Para além disso, a admissão foi redesenhada e a caixa de ar impressa em 3D com um filtro de ar de alta performance da DNA. O subquadro foi redesenhado para acomodar um sistema de dois amortecedores Öhlins.

- Certamente terás um plano definido para revelar estas duas motos e causar um grande impacto…
Brice Hennebert –
Sim, o calendário de eventos tem sido difícil de prever ao longo dos últimos meses, e temos na realidade vários planos definidos. Estou realmente sem conseguir aguentar para ver a reação a estas duas motos.

Galeria de fotos Workhorse Speed Shop x Indian FTR Black Swan

Galeria de fotos Workhorse Speed Shop x Indian FTR AMA

andardemoto.pt @ 28-7-2021 15:28:52


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