Yamaha MT-09 Tracer - Mestre do Binário

Quem pensar que a racionalidade e a emoção não podem andar juntas, então fique a saber que está completamente enganado.

andardemoto.pt @ 27-5-2015 17:51:54

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Yamaha 2016 MT-09 Tracer | Moto | MT-series

Texto: Rogério Carmo   Foto: ToZé Canaveira


Há quem designe este segmento, onde se insere a Yamaha MT-09 Tracer, por "Sport Adventure" pois estas motos, menos aptas para sair do alcatrão, casam o conforto e a ergonomia com as prestações de motos que há menos de uma década atrás seriam consideradas super desportivas. Só que agora, a tarefa de as conduzir está altamente facilitada pela electrónica, que permite andamentos muito rápidos e muito seguros, a par com consumos de combustível bastante mais regrados que por sua vez proporcionam autonomias elevadas, cenário que convida a fazer grandes tiradas em busca de aventura.


Quando a Yamaha lançou a família "MT" (Master of Torque que é como quem diz, mestre do binário) identificou-a com o slogan: O lado negro do Japão. E na realidade, esta gama de motos racional e acessível é capaz de gerar emoções tão fortes que é capaz de tirar do sério o mais refinado asceta. 

Logo no primeiro contacto, reparamos nas linhas diferentes desta que já foi chamada “road roadster” pois nem se encaixa no segmento "trail", nem é nada que se compare a saudosos modelos da marca como a Fazer, ou a TDM. É uma MT na simplicidade do conceito, mais virada para os espaços abertos do que para a cidade.

O aspecto agressivo condiz com o carácter do motor e com a rijeza do conjunto que, desde o estofo do assento à carga das suspensões, se faz sentir assim que nos sentamos nela.

Arrancamos e a posição de condução coloca-nos alerta e pro-activos, elevados para controlar o trânsito até bem longe. Os comandos assemelham-se a bisturis: a travagem tem uma enorme sensibilidade e uma capacidade de desaceleração brutal, o punho do acelerador reage milimetricamente (até há quem se queixe disso mesmo) transmitindo a nossa intenção como se estivesse directamente ligado ao nosso cérebro, sem folgas nem compassos de espera.

O guiador largo controla a direcção com firmeza, sendo que esta reage instantânea e instintivamente ao nosso comando, apoiada pelo quadro extremamente rígido e pela suspensão de afinação bastante desportiva assinada pela Kayaba e que garante um curso de 130mm em ambos os eixos. 


Em pura aceleração ou em recuperações, o tricilíndrico de cambota "crossplane" põe sempre um sorriso na nossa boca!  Suave, desde o arranque até ao limitador, praticamente não deixa passar vibrações para o quadro. Obedece às nossas instruções imediatamente e sem qualquer hesitação, mesmo na configuração standard do D-Mode, que é aquela que encontramos selecionada, por defeito, sempre que rodamos a chave, e a mais apropriada para uma condução consciente. Mas o gestor de mapas de ignição da Tracer também disponibiliza outros dois modos, o “B” para pisos escorregadios, e o “A”, para quando temos estradas “à maneira”. 


A diferença entre os diversos mapas (excepção feita ao "B") não é facilmente perceptível, mas o efeito está lá, a tomar conta do nosso “cabedal”, regulando a entrega de potência simultâneamente monitorizada pelo controlo de tracção (YCC-T) que actua sob três variáveis: ignição, injecção e comando de abertura de válvulas. Claro que os verdadeiros artistas podem desligar este sistema e desfrutar de toda a brutalidade de que o tricilíndrico é capaz de imprimir. Mas são capazes de apanhar alguns sustos, sobretudo se a escolha dos pneus não for acertada.



A caixa de velocidade está bem escalonada e apesar de a suavidade não ser o seu maior atributo, é compensada pela capacidade do motor em responder desde muito baixa rotação, poupando imenso o pé e a mão esquerdos. Claro que se nos empenharmos à séria, e nos deixarmos enfeitiçar e ir atrás do grito do escape numa estrada de curvas encadeadas, então a caixa de velocidades é a nossa melhor aliada para garantir grandes momentos de condução, acompanhados pelo delicioso ronco que sai pela pequena ponteira colocada ali mesmo debaixo de nós, e que tem potencial suficiente para nos manter os níveis de adrenalina sempre muito elevados.


Até porque, em termos de segurança, e para além da electrónica, o conjunto é muito equilibrado e, mesmo a queimar a travagem na entrada das curvas, a direcção mantém-se firme e a roda traseira nunca descola do piso nem abana, e em aceleração, na saída delas, a compostura nunca se perde, factos que proporcionam uma enorme confiança.


A manobrar, a Tracer é também exemplar. Muito equilibrada, com um boa brecagem e um peso muito contido, a sua linha de cintura muito estreita e o guiador bastante largo, fazem-na parecer maior do que na realidade é, permitindo que as estaturas mais baixas se possam desenvencilhar com relativa facilidade. Até porque está disponível como acessório um assento rebaixado que fica a apenas  815 mm do solo. Não fiquem com inveja os calmeirões, pois também há um assento mais alto que coloca o fundo das costas a 860mm do chão, para que não tenham que andar com as pernas tão flectidas, já que os poisa pés são relativamente altos.


O consumo é relativamente contido, sendo os mais conscientes capazes de facilmente conseguirem médias inferiores a seis litros aos 100, equivalendo a uma autonomia a rondar os 300 quilómetros. Quanto aos outros, e numa perspectiva optimista, contem ir à bomba a cada 200 quilómetros, mas completamente satisfeitos!
O painel de instrumentos oferece uma grande quantidade de informação. Sendo idêntico ao que também é usado na “aventureira” XTZ1200 Super Ténéré, é fácil de consultar e muito legível sob todas as condições de iluminação. Por falar nisso, os faróis emitem um feixe potente e são fácilmente ajustáveis, manualmente, em função da carga.


A protecção aerodinâmica é suficiente para enfrentar pequenas viagens sem ter que parar frequentemente para limpar a viseira, mas com chuva ou frio, é bastante escassa. Apesar disso o ecrã permite regulação.

A qualidade de construção é nitidamente Yamaha, com todos os cabos bem escondidos, ligações bem isoladas, parafusos e abraçadeiras de qualidade, encaixes perfeitos e um razoável sentido estético em todas as soluções. De série também já podemos contar com as bem desenhadas protecções de punho.



Para concluir, podemos dizer que esta é uma moto capaz de enfrentar diversos desafios, desde o dia-a-dia urbano até algumas viagens com passageiro e carga, desde que se tenha em conta que a suspensão é rija, que ainda não está disponível nenhuma “Top Case” e que a Yamaha não recomenda a sua utilização em simultâneo com as malas laterais, factor que diminui substancialmente a capacidade de carga. E ainda vai ser preciso investir em alguns acessórios da vasta gama de opcionais para tornar a aventura mais confortável.

Mas esta Yamaha tem concorrentes de peso:



Este segmento, em elevado ritmo de crescimento, conta com diversas ofertas todas elas com elevado potencial de sedução, no entanto a Tracer, pela sua relação qualidade / prestações dinâmicas / preço, é um caso sério, o que justifica perfeitamente o grande sucesso de vendas que está a ter.

Neste segmento batem-se por conquistar a nossa atenção máquinas italianas, como a voluptuosa Ducati Hyperstrada ou a sensual MV Agusta Stradale que tivémos oportunidade de testar há uns dias atrás, a eficaz inglesa Triumph Tiger 800 XRx, e duas  japonesas: a extremamente confortável Honda VFR800X Crossrunner cujo teste pode ver clicando aqui, e a super suave Kawasaki Versys 1000, que, apesar da maior cilindrada e peso, é uma opção que não deve descartar se está indeciso na escolha, garantimos-lhe nós que também já tivemos oportunidade de a testar.


Para ver mais imagens, saber preços e conhecer todas as características técnicas da Yamaha MT-09 Tracer, clique aqui. Se está tentado a fazer um "Test Ride" então veja aqui qual o concessionário mais perto de si!

Faça uma consulta e veja caracteristicas detalhadas:

Yamaha 2016 MT-09 Tracer | Moto | MT-series

andardemoto.pt @ 27-5-2015 17:51:54


Clique aqui para ver mais sobre: Test drives