Moto Guzzi V7 II Kit Scrambler X Scrambler Ducati Urban Enduro - Uma questão de estilo - 1ª parte

Porque nem só de motos carregadas de cavalos vive um motociclista, existem algumas que impressionam mais pelo seu estilo do que pela ficha técnica. Aqui ficam dois bons exemplos de que para encantar, uma moto só precisa mesmo é de ser divertida e fácil de conduzir.

andardemoto.pt @ 14-7-2015 22:29:23


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Moto Guzzi V7 III Stone ABS Euro4 | Moto | V7

Texto: Rogério Carmo    Foto: ToZé Canaveira


Antes de começarmos a falar sobre estas duas motos, há coisas que convém esclarecer. A primeira é o conceito de Scrambler. Para isso temos de voltar atrás no tempo e recuar até ao início dos anos 50, antes de os fabricantes produzirem motos específicas para o fora de estrada. Apesar de naquele tempo ainda não haver muitas estradas alcatroadas, havia estradas mais ou menos aplanadas e livres de grandes obstáculos. Pelo menos no verão.

Mas o que já havia era a necessidade de diversão, e para quem tinha uma moto, diversão significava normalmente passear pelo campo, fora das estradas, enfrentando todo o tipo de obstáculos, fossem subidas ingremes, fossem riachos, fossem apenas grandes vastidões de pasto. E para isso os motociclistas mais experientes adaptavam as suas motos. O peso contido sempre foi uma das grandes preocupações, pelo que qualquer elemento supérfluo era imediatamente removido.

Depois era preciso conseguir uma boa altura livre ao solo. As suspensões, caso o orçamento e o engenho assim o permitissem, eram aumentadas, em busca também de um maior curso que proporcionasse um maior conforto. Os escapes também eram alterados, e as saídas dos coletores eram normalmente viradas para trás para que os tubos passassem de lado e não por debaixo do motor, garantindo assim uma maior capacidade de transpor obstáculos, como passar por cima de troncos ou enfrentar entradas e saídas de ribeiras. Um guiador largo e elevado que proporcionasse um bom controlo da roda dianteira e uma boa posição de condução em pé era também um elemento fundamental.

E ainda havia a necessidade de garantir uma boa tracção em terrenos menos firmes, daí o recurso a pneus de tacos. As jantes de raios eram um equipamento de série em praticamente todas as motos da época pelo que nem sequer eram uma opção de estilo, sendo que no entanto, em situações muito especiais, garantiam um melhor comportamento do que as mais recentes jantes de fundição.

Em Inglaterra, nos anos 50, havia mesmo as “Scrambles”, corridas de fora de estrada que tinham regras muito simples e que basicamente se resumiam a ir desde a partida até à meta o mais rapidamente que fosse possível, e que estiveram na génese de provas mais específicas que chegaram até aos nossos dias sob a forma de Trail ou Motocross. Nos Estados Unidos, ficaram famosas as “desert scrambles” que eram realizadas na Califórnia.



Ainda antes de começar, temos que explicar que neste comparativo propositadamente não incluímos a mãe de todas as Scramblers. A Triumph já tem na sua gama de clássicas, desde 2006, uma versão Scrambler baseada na mítica Bonneville. Foi uma consequência lógica do simples facto de as "Bonnies" terem sido durante décadas convertidas em scramblers, e protagonistas em filmes, apadrinhadas por grandes nomes da sétima arte como Steve McQueen. O conceito destes modelos que aqui apresentamos é ligeiramente diferente e muito mais aproximado do imaginário do que da realidade.

Pelo lado da Moto Guzzi temos, apesar de tudo, um modelo carregado de história. A V7, na versão Sport, foi a primeira moto de produção em série a oferecer uma velocidade de ponta superior a 200km/h. Em 1972 quando foi lançada, era mais veloz e mais ágil do que a concorrência, nomeadamente mais rápida do que a Honda CB750Four.

Foi concebida propositadamente com esse objectivo, definido por Romolo Stefani o então director da Moto Guzzi: 200km/h de velocidade máxima, 200kg de peso e caixa de cinco velocidades. O responsável pelo projecto foi um dos grandes nomes da engenharia italiana da época: Lino Tonti, que espalhou o seu génio criativo também em outras marcas da época, como Benelli, Mondial, Aermachi e Gilera.

A moto apresentada neste trabalho foi convertida em srambler através da instalação de um kit disponibilizado pela fábrica. Mais à frente existem mais detalhes sobre as diversas opções de costumização da gama V7.

Pelo lado da Ducati temos uma moto concebida de raíz para ser um “brinquedo”. Sem pretensões históricas, a Scrambler é também mais do que um novo modelo. É uma nova marca que pretende significar um novo estilo, uma nova forma de encarar o mundo das motos.

Por isso a Ducati oferece uma extensa gama de personalização, com acessórios e equipamento a condizer. Para além do modelo base, a Icon, disponível em amarelo e em vermelho, existem três outros modelos que partilham a mesma base mecânica, apresentando apenas diferenças em termos de design. Mais à frente também pode encontrar mais informação sobre eles.



Em termos de desempenho, ambas servem perfeitamente uma utilização diária e urbana, e ambas oferecem um estilo muito próprio.

A Moto Guzzi revela-se muito mais calma e descontraída, até pelo facto de estar equipada com controlo de tracção que é uma grande ajuda sobretudo em pisos molhados e difíceis, como os empedrados das nossas cidades.

A Scrambler Ducati revela-se mais nervosa, com um acelerador muito sensível e uma resposta pronta, incitando a fazer descolar a roda dianteira do chão. Também a sua posição de condução é mais ergonómica do que a da Moto Guzzi sobretudo devido ao guiador mais amplo e elevado.

No que diz respeito à utilização fora de estrada, não podemos deixar de referir que a Moto GUzzi não permite que se desligue o ABS, e que por isso não permite utilizar o travão traseiro para bloquear a roda.

Pelo contrário, a Ducati sente-se como peixe na àgua em face de um terreno bravio. Podemos desligar o ABS e como não tem controlo de tracção, a diversão está mais do que garantida.

Em termos de consumos, também a Scrambler Ducati leva vantagem, sendo ligeiramente menos gulosa. Nas páginas seguintes pode ver as impressões que cada uma delas nos deixou, bem como ver a gama de acessórios disponível para cada uma delas.

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