Teste Yamaha XSR900 - Clássica do Futuro

Por vezes aparecem motos que, sem sabermos bem porquê, nos apaixonam! Estabelece-se uma química para a qual não encontramos nenhuma explicação racional, e ficamos “de quatro” e de língua pendurada...

andardemoto.pt @ 29-4-2016 08:45:58

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Yamaha XSR900 | Moto | Sport Heritage

Texto: Rogério Carmo     Foto: ToZé Canaveira

Depois da Yamaha MT-09, e da MT-09 Tracer, já nossas conhecidas, a Yamaha surpreende com uma moto neo clássica que, apesar de ter nascido da mesma base, os pequenos melhoramentos de que foi alvo tornam-na maior que a soma das suas partes. E por isso tenho que admitir que esta XSR900 me marcou. Muito e pela positiva!

O primeiro arrepio aconteceu pelo funcionamento do motor, que apesar de não ser novidade já que não tem qualquer diferença do das MT-09 que já conhecia, e que me encanta pela rapidez da resposta ao punho direito parecendo que está ligado directamente ao cérebro. Mas na XSR900 faz a diferença pela sonoridade do escape e que, apesar de não haver referência a qualquer diferença técnica, consegue ter uma nota mais forte e brilhante do que os das outras versões que partilham o tricilíndrico de cambota “crossplane” com alinhamento a 270º .


O D-Mode, que gere os mapas do motor, mantém as 3 opções para quem as queira usar. Basta premir um botão, mesmo em andamento, desde que o punho do acelerador esteja desenrolado. Mas tenho que confessar que apenas usei o modo “A”, aquele que garante a resposta mais assertiva e a sonoridade mais interessante.

Depois, a posição de condução, que com o assento mais alto e recuado e o guiador mais afastado, deixa mais espaço para mexer o meu ligeiramente obeso metro e oitenta. Claro que a deslocação de massas também tem influência no comportamento dinâmico, e talvez por isso encontrei a XSR bastante mais ao meu jeito de conduzir do que a MT, e mesmo até do que a Tracer. 


A direcção mantém-se leve e ágil, e muito precisa, permitindo trajectórias confiantes mesmo em estradas com mau piso, e para manobrar, a direcção (que apesar de não ter uma brecagem referencial) tampouco é má. 

A suspensão, com uma afinação bastante mais rija do que a das suas “irmãs”, tem um comportamento exemplar, sobretudo a forquilha invertida, que se porta como “gente grande” sobre os pisos miseráveis das nossas estradas nacionais, impressionando também pelo pouco afundamento que sofre sob forte travagem.

O controlo de tracção, que herdou da Tracer, desculpa qualquer excesso de entusiasmo e, para tornar a condução ainda mais interessante, a nova embraiagem deslizante “Assist & Slipper” torna qualquer estrada de curvas num trecho musical, orquestrado pela caixa de velocidades, sem se correr o risco de bloquear a roda traseira, mesmo quando se abusa nas reduções.

A travagem é brutal! Potente e doseável, incansável e com um ABS muito evoluído, de acção muito rápida, e que oferece muita confiança.


Mas tal como já disse, o conjunto é muito mais do que a soma das partes, oferecendo uma condução muito divertida sobre todos os aspectos e permitindo andamentos muito vivos com muita confiança. Em termos de prazer de condução, poucas motos estão ao nível desta “retro classica” hipster e pretensiosa interpretação de uma moto do passado.

Leve, ágil e manobrável, e com um motor que debita tanta potência e com tanta facilidade, a única coisa que lhe falta para nos levar mesmo ao paraíso é um “quick shift” (vá lá Yamaha, por favor!).

De resto, e como não há motos perfeitas, a iluminação apesar de não se poder considerar má poderia ser de LED, o assento, apesar do bom acabamento e da qualidade do material, poderia ter um interior em gel para compensar a dureza da suspensão, o interruptor de máximos e médios podia estar colocado ao alcance do indicador em vez do polegar, e apesar de a protecção aerodinâmica até ser relativamente eficaz, permitindo circular confortavelmente em auto-estrada a velocidades sujeitas a coima ligeira, uma "micazinha" pequenina só para desviar mais um bocadinho os mosquitos do capacete e do casaco, não eram, de todo, má ideia.


Mas a XSR 900 merece ainda uma nota positiva pela boa qualidade de construção e pelo elevado detalhe nos pormenores. E não sendo apreciador de estética de motos, nem saudosista de estilos vintage, as suas linhas até me agradam, sobretudo pela simplicidade. E o painel de instrumentos, esse então, deixou-me rendido!

E também o consumo de combustível merece uma nota. E positiva, pois apesar de toda a excitação e de me ter rendido completamente aos encantos do tricilindrico, este registou uma média ligeiramente superior a 6l/100km, o que não é nada mau!

Esta será a moto perfeita para uma utilização diária, em cidade ou fora dela, e em pequenas viagens em ritmos tranquilos. O passageiro irá sofrer as agruras de um assento bastante firme e diminuto, e da ausência de pegas. Recomendo a utilização a "solo", de preferência por caminhos com muitas curvas.

Equipamento

Neste trabalho continuamos a usar o nosso bem-amado casaco Capetown da Drenaline (pode ver aqui a nossa opinião sobre ele), o capacete Nexx X.G100, da gama Garage, que conseguiu superar com distinção o desafio de enfrentar as prestações dinâmicas da XSR 900, e as Botas TCX X-Ride de que lhe falaremos noutra altura.

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Yamaha XSR900 | Moto | Sport Heritage

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