Teste SWM RS650R - Para toda a Obra

A marca italiana ressurgida das cinzas já dá que falar em Portugal! Seja pelas prestações e pela boa qualidade dos equipamentos, seja pelo preço muito agradável!

andardemoto.pt @ 1-3-2017 00:37:37


Texto: Rogério Carmo         Foto: ToZé Canaveira


Provavelmente nunca ouviu falar da SWM (Speedy Working Motors) uma marca que nos anos 70 do século passado deu que falar nas pistas ao vencer corridas, campeonatos e até mesmo um título mundial de enduro.

Tudo por culpa de dois italianos Piero Sironi e Fausto Vergani, fanáticos das corridas de enduro que começaram em 1971 a construir protótipos de motos de enduro de pequenas cilindradas, dotadas de motores Sachs e Rotax. Infelizmente a marca não sobreviveu aos anos 80, tendo fechado portas em 1983.

A forma como a SWM chega aos nossos dias encerra um encadeado de peripécias e coincidências:

Tudo começou em 1987 quando a Cagiva comprou a divisão de motociclos da Husqvarna, e transferiu a sua produção para Varese. Depois, em 1991, a Cagiva comprou a marca MV Agusta, e mudou o nome da companhia para MV Agusta Motor S.p.A. 

Em 2007, a BMW comprou a Husqvarna à MV Agusta Motor S.p.A, e apesar de ter planos para construir os seus próprios motores, começa a produção das Huskys com os propulsores desenvolvidos pelos italianos. Para manter os custos baixos, a BMW construiu uma fábrica em Biandronno, no Lago Varese, e encomenda peças a fabricantes chineses.

Alguma novas Husqvarnas foram desenvolvidas pelos alemães, até que estes mudaram de ideias e venderam a Husqvarna à Pierer Industrie AG, a casa forte de Stefan Pierer, o CEO da KTM, em Janeiro de 2013. Obviamente que para os austríacos, o que fazia sentido era manter o nome Husqvarna, e não tinham qualquer interesse nem na fábrica de Biandronno nem nos antigos modelos aí fabricados.

Eis então que uma fábrica moderna, bem equipada, cheia de trabalhadores especializados, e chefias competentes, entre eles o conceituado Ampelio Macchi, fica à mercê dos mercados, que é como quem diz, nos dias de hoje, da investida económica chinesa. 

Daxing Gong, o presidente da Shineray, um grande grupo económico chinês com muita simpatia pelas motos de enduro e motocross, viu então a oportunidade de ocidentalizar a sua influência. Dono da marca SWM e com os restos da Huqvarna, Gong espera, juntamente com Macchi, alcançar o sucesso na Europa.

O truque é manter os preços baixos, por isso, apesar de os componentes essenciais serem fabricados em itália, entre 20 e 25% das peças, como os plásticos, as manetes e pedais, assentos e tampas de motor são fabricados na China.

O resto já tínhamos comentado nestas páginas, como pode ver se seguir esta ligação, clique aqui.

Dito isto, a primeira SWM que tive oportunidade de testar veio a revelar-se uma agradável surpresa. 

Ainda com o teste da Husqvarna 701 Enduro bem presente na memória (clique aqui para ver), lá me fiz aos comandos da SWM RS650R. 

A diferença começa logo no motor. O monocilíndrico da SWM, que tem origem na motorização da Husqvarna TE 630, mostra-se potente em toda a faixa de regime, com uma quase alucinante subida de rotação, uma resposta imediata e uma entrega de potência muito linear a par com uma sonoridade muito interessante, sendo mais agradável de levar a baixa rotação que o monocilindrico da concorrência.

Para acabar aqui e já com as comparações, se tivermos em conta que o preço da SR650R é inferior em quase 4.000 euros ao da concorrência directa, pode dizer-se que esta SWM leva à partida uma grande vantagem!.


Mas a qualidade de acabamentos é grande, com soldaduras bem terminadas, o sistema eléctrico bem protegido e acondicionado, e o equipamento de muita qualidade, com destaque para a forquilha invertida Marzocchi de 43mm, o amortecedor Sachs completamente regulável, os travões Brembo, a corrente de transmissão D.I.D., e a injecção com corpos Mikuni de 45mm, que mostram bem o empenho do fabricante em conquistar mercado. 

Claro que há pontos menos positivos, como o arranque a frio, que tem que ser compensado com uma pequena manete que fecha o ar da admissão e que exige algum treino sobretudo nos dias mais frios, mas que funciona bem, ou o descanso lateral demasiado alto e que obriga a algum cuidado nos pisos mais irregulares, mas nenhum deles suficiente para retirar o brilho ao conjunto. 

De origem, a SR650R vem equipada com pneus mistos, mas felizmente tive oportunidade de andar com ela com pneu cardados, o que me permitiu aventurar fora de estrada e poder ter uma noção mais apurada das suas potencialidades.

O quadro mostrou-se firme, e a ondulação causada pelos pneus de tacos mostrou-se bastante aceitável, e mesmo em curva, em asfalto, o comportamento geral surpreendeu-me pela positiva, oferecendo uma grande confiança mesmo debaixo de chuva.

A suspensão, com um curso de 219mm na frente e 270mm na traseira, permite avançar por caminhos inacessíveis à maioria das motos convencionais, e o peso de 144kg torna-a verdadeiramente fácil de levar para onde quisermos.

A grande agilidade permite enfrentar obstáculos com grande tranquilidade, e, apesar de não ser especialista em offroad, esta moto fez vir ao cimo o potencial aventureiro que há em mim.

A travagem mostra-se suave na mordida inicial (de notar que esta versão de 2016 ainda não estava equipada com ABS) sendo muito fácil de dosear nos pisos escorregadios, e simultaneamente potente em ambos os eixos, sendo bastante consistente e não mostrando sinais de fadiga.

O motor tem potência mais do que suficiente para levantar a roda dianteira de 21 polegadas só a custo do acelerador, e a caixa de seis velocidades, apesar de um pouco rústica, está bem escalonada, e não é necessário desligar o controlo de tracção ou alterar os modos de motor porque simplesmente não existem. 

Em estrada aberta o motor monocilíndrico tem um desempenho bastante razoável, capaz de garantir andamentos muito agradáveis e médias horárias bastante interessantes.

A posição de condução é natural para uma utilização dinâmica, com o guiador largo a garantir um grande controlo em todas as situações. Apenas o formato e a dureza do assento podem comprometer viagens de maior duração.

Mas nesse cenário, a falta de protecção aerodinâmica e a pouca autonomia proporcionada pelo depósito de apenas 12 litros, obrigam a uma estratégia de paragens que atenua o desconforto do assento. Em contrapartida, fora de estrada, o assento é mais do que perfeito, sendo bastante estreito, não interferindo com o jogo de pernas.


Avaliação final:

A RS650R é uma moto pura e dura que transmite sensações fortes. Se quer uma moto extremamente performante e polivalente, para uma utilização diária, com ou sem passageiro, urbana ou de estrada, e que ao mesmo tempo permita incursões fora de estrada arrojadas, então esta é uma opção que deve ter em conta.

Pelo preço tão razoável, pode perfeitamente ter um jogo de rodas extra, com pneus cardados, prontos para os fins-de-semana, e usá-la durante a semana com pneus mistos. É por isso “pau para toda a obra”, muito ágil e manobrável e a única condicionante pode vir a ser a altura do assento, que regista uns pouco acessíveis 910mm para quem tiver uma estatura inferior a 1,70m.


andardemoto.pt @ 1-3-2017 00:37:37


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