Teste Benelli 502 C - Cruiser acessível

Um inegável estilo rebelde, num pacote que vai seguramente agradar tanto aos condutores menos experientes como aos mais veteranos, seja pela facilidade seja pelo prazer de condução que proporciona.

andardemoto.pt @ 5-11-2019 07:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Benelli 502 C | Moto | Motos

Esta nova Benelli foi muito badalada logo desde a sua apresentação em Milão, há cerca de um ano, na EICMA 2018, sobretudo devido ao seu aspecto, que facilmente se pode relacionar com o da Ducati Diavel S. Mas a 502 C é tudo menos uma imitação, e pode ser orgulhosamente exibida por qualquer feliz proprietário, sobretudo por mérito próprio, pois é efectivamente uma reinterpretação do estilo cruiser, mas com uma abordagem muito menos despretensiosa e incomparavelmente mais económica.

Volumosa, capaz de suportar com conforto até mesmo os motociclistas de estatura mais avultada, a Benelli 502 C pode igualmente ser facilmente conduzida pelos de estatura mais baixa. Apesar da posição de condução típica do estilo cruiser, com braços abertos, tronco vertical e pernas esticadas para a frente, os comandos não estão demasiadamente avançados, e o assento está colocado bastante em baixo, a apenas 750mm de altura do chão.

Para propulsionar a 502 C, a Benelli, actualmente a jóia da coroa do Grupo Quianjiang que também é proprietário da marca Keeway, e que foi recentemente notícia devido à parceria que efectuou com a Harley-Davidson para a produção de motos da marca americana destinadas ao mercado asiático, escolheu o seu comprovado motor bicilíndrico paralelo de refrigeração por líquido, com 500cc de cilindrada, o mesmo que equipa a bem conhecida TRK 502 e a estilosa Leoncino 500.

No entanto, a nova electrónica da ignição e o duplo corpo de admissão (as versões anteriores apenas tinham um), cada um com 37mm de diâmetro, tornam a resposta ao punho direito muito mais suave e imediata.

Como consequência, um caráter dócil na entrega de potência, um binário muito constante a manter-se disponível ao longo de toda a faixa de utilização, uma rápida subida de rotação e uma regularidade de funcionamento e resposta ao acelerador são impressionantes, fazendo com que o desempenho deste motor de 8 válvulas e dupla árvore de cames à cabeça, capaz de debitar 47cv, seja muito adequado aos condutores menos experientes, não sendo em vão a sua homologação para condução com carta A2.

No entanto, qualquer motociclista que aprecie o estilo “urban cruiser”, não vai ficar desiludido nem com o desempenho geral do conjunto nem com o consumo de combustível que se revela bastante contido, mesmo sem qualquer contenção, a registar valores na ordem dos 4,5 litros aos 100 quilómetros. Outro aspecto que vai seguramente agradar a quem, como eu, detesta ir “ir à bomba”, é a excelente autonomia que, tendo em conta este consumo e os 21 litros de capacidade do depósito de combustível, facilmente se cifra em valores a rondar os 450km.


As suspensões são relativamente firmes, mas confortáveis, com um curso de 125mm na frente e 50mm na traseira, proporcionando uma grande confiança em curva. A forquilha telescópica invertida, com bainhas de 41mm de diâmetro, não possui qualquer regulação, mas o monoamortecedor traseiro, colocado em posição central, permite regulação da pré-carga, e o seu desempenho é bastante bom, mesmo quando o piso se apresenta muito degradado.

Relativamente à travagem tampouco há reparos, já que a roda dianteira apresenta dois generosos discos de travão, mordidos por pinças de aplicação radial com 4 pistões. O ABS vê o seu trabalho facilitado pelo bom desempenho dos pneus Pirelli Angel ST que são equipamento de série. A travagem da roda traseira, a cargo de um disco simples mas também ele recortado, é bastante eficaz tanto em manobra como em curva.

A iluminação é integralmente constituída por LED e seu o desenho foi bem conseguido, com destaque para o farol dianteiro de desenho exclusivo, quase impressionante, que incorpora distintas DRL (Day Running Lights, vulgo luzes de presença) e uma eficácia comprovada à noite, e para o farolim traseiro que consiste num logotipo iluminado embutido na baquet.

O painel de instrumentos minimalista resume-se a um TFT a cores, sensível à iluminação exterior e com contraste automático que garante uma leitura fácil e rápida e incorpora um bom nível de informação, incluindo indicador de mudança engrenada e relógio. Mas apenas desde que o sol não esteja a pino, situação em que fica praticamente ilegível.

Curiosamente o painel tem inscrita a palavra “Comfort” apesar de não existir qualquer outro tipo de modo disponível, nem qualquer funcionalidade ou dispositivo equivalente. Pode, no entanto, este novo painel estar já preparado para futuros modelos que disponibilizem modos de condução, o que deixa aberto o debate sobre até que nível de refinamento as motos da Benelli serão capazes de atingir num futuro próximo.

Aos seus comandos, numa posição bastante ergonómica, a condução resulta sobretudo despreocupada, proporcionando uma grande sensação de confiança, sendo extremamente fácil de manobrar a baixa velocidade e muito estável nas mudanças de direcção e a alta velocidade. O escape emite um som bastante agradável, apesar de muito discreto, os comandos são leves e a caixa de velocidades é muito precisa. Os travões proporcionam potência e dosagem suficiente e a exigirem um esforço mínimo. Apenas as manetes, com uma grande amplitude, podem dificultar um pouco a vida a quem tiver as mãos mais pequenas.

Tal como uma cruiser deve ser, a protecção aerodinâmica não faz parte dos atributos da Benelli 502 C, pelo que a sua especialidade é arranques vigorosos, retomas convictas e velocidades de cruzeiro relativamente baixas, para que se possa desfrutar do vento a bater no peito. Como tal, velocidades acima dos 130km/h são bastante penosas em termos de conforto. Mas são também um bom incentivo para manter os consumos contidos.


O guiador largo é outra assinatura deste género de moto, e apesar de proporcionar uma condução descontraída, e um maior controlo da direcção, revela-se um pouco mais exigente ao circular entre filas de trânsito. Ao contrário das cruisers convencionais, os poisa-pés da 502 C colocados em posição avançada não roubam tanta inclinação lateral, pelo que não resultam num grande empecilho quando se começa a curvar mais depressa. A Benelli ainda equipou a 502 C com protecções laterais (tipo cogumelo), cujo resultado estético é polarizador de opiniões, mas que terá uma eficácia comprovada em caso de queda.

A qualidade de construção é praticamente irrepreensível, facilmente reconhecida pela ausência de ruídos parasitas e pelos acabamentos cuidados, enquanto que as vibrações são mantidas em níveis perfeitamente aceitáveis, o que vem confirmar as expectativas deixadas pelos novos proprietários da marca fundada em 1911, de que, apesar de integralmente fabricados na China, em Wenling, todos os componentes da Benelli são projectados e montados sob rigoroso controlo de qualidade em Pesaro, Itália.
Tendo em conta o seu preço de 6.490,00€ (iva incluído), os intervalos de manutenção de 6.000 quilómetros e os consumos extremamente reduzidos, paralelamente com a facilidade de condução e manobra que demonstra, esta Benelli 502 C é uma excelente opção tanto como primeira moto, como de moto de evolução para aqueles que, viciados em mobilidade pelas 125cc, querem tirar a carta A e evoluir na sua experiência de motociclistas.

E mesmo, muitos daqueles que frequentemente já não têm coragem ou ânimo para tirar o “velho, pesado e grande ferro” da garagem, iam voltar a sentir o prazer de andar de moto se levassem para casa uma destas Benelli 502 C. Se não acredita, faça um Test Ride num concessionário da marca.

Equipamento:

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Benelli 502 C | Moto | Motos

andardemoto.pt @ 5-11-2019 07:00:00 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte


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