Teste Triumph Rocket 3 R - o Poder do Músculo

Não, esta não é apenas mais uma moto de alta cilindrada. É um verdadeiro hino ao prazer de condução, uma ode à estética, um desafio ao convencional.

andardemoto.pt @ 25-2-2020 02:20:44 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Triumph Rocket 3 R | Moto | Rocket

Andar de moto é sempre bom! Mas se debaixo de mim tiver uma moto em que me possa encaixar bem, que me garanta uma posição de condução confortável que me permita controlar bem o trânsito e ter um bom domínio sobre a direcção, então melhor ainda.

E se tiver um motor (muito) potente, com um ronco grave e limpo, a par com um acelerador extremamente responsivo, uma travagem sobre a qual eu possa depositar grandes doses de confiança e ainda uma suspensão inabalável em curva, então tanto melhor.

Mas se para além de tudo isto, se juntar uma excelente qualidade de construção, um elevado nível de acabamentos, um interface de utilizador extremamente simples de usar e linhas de design extremamente bem conseguidas e impactantes, então a experiência de condução passa para níveis verdadeiramente viciantes.

É isso que oferece a mais recente moto da Triumph, a Rocket 3 R, uma “performance cruiser” que quase pertence à liga das “sports naked” e que um colega jornalista inglês definiu como uma Speed Triple que foi submetida a ginásio intensivo e dose extra de esteróides. 

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que me sentei aos comandos de uma Rocket, na primavera de 2005, logo após a chegada da versão original ao nosso mercado. À época, achei a experiência pouco interessante. Não que a Rocket original me tenha desagradado por completo, mas tampouco me deixou extasiado. Alguns pormenores menos conseguidos, como a caixa de velocidades pouco consistente e a ciclística pouco convincente foram, ao que me lembro, as razões principais.

Pelo contrário, a nova Rocket 3 R deixou-me completamente rendido ao seu desempenho dinâmico. Mais leve, 40 quilos, graças ao novo quadro que agora é em alumínio, e ao novo motor que apesar da maior cilindrada e de ser bastante mais potente é também ele mais leve, e sobretudo mais bem equipada, aquela que é a moto de produção em série com maior cilindrada do mundo apresenta um desempenho dinâmico que, em estrada, rivaliza ou nem sequer chega a dar qualquer hipótese a muita moto com pretensões desportivas.

Grande parte do excelente desempenho é providenciado pelo equipamento topo de gama, em cuja lista figuram componentes tão exclusivos como a forquilha Showa de 47mm de diâmetro e o amortecedor traseiro da mesma marca, ambos completamente reguláveis, as pinças de travão da roda dianteira, duas unidades monobloco Brembo M4.30 Stylema, que mordem discos de 320mm de diâmetro e que digerem com extrema facilidade os quase 300 quilos de peso que a Rocket 3 R acusa na balança, e o não menos importante pacote electrónico que faz a impecável gestão da potência do motor. 

Domar um binário que logo às 2.000rpm já regista mais de 200Nm, é tarefa que está a cargo de um avançado sistema electrónico que engloba uma unidade de medição de inércia da Continental, que rege a acção do ABS e do Controlo de Tracção de acordo com a inclinação, e uma gestão electrónica do motor que disponibiliza 3 modos de condução standard (Road, Rain e Sport), que automaticamente configuram a intervenção do controlo de tracção, e um modo completamente personalizável pelo condutor. Todas as alterações são feitas com recurso a um interface de utilizador bastante intuitivo e fácil de operar.

Ainda no que respeita às ajudas electrónicas à condução, a Rocket 3 R conta com Cruise Control, para os monótonos troços de auto-estrada e Hill Hold Assist, funcionalidade que permite estar parado em piso inclinado, com o motor em funcionamento, sem ser necessário estar a pressionar os travões, e que se revela muito conveniente quando se necessita procurar algo nos bolsos ou carregar/descarregar um passageiro.

Perante a enormidade dos números revelados pela ficha técnica, dos quais se destacam a os 2.500cc de cilindrada, a potência de 167cv e o binário máximo de 221Nm, a suavidade de funcionamento do motor e a respectiva entrega de potência são quase paradoxais. Desde o momento em que se clica no botão da ignição do sistema “keyless” (sem chave) e se dá arranque ao tricilíndrico, tudo se desenrola com extrema “souplesse”.


As manetes são de toque leve, a caixa de velocidades engrena com precisão, os travões permitem uma dosagem extraordinária e a resposta ao acelerador, apesar de contundente, não é intimidante. 

No entanto, enrolar o punho, em qualquer relação de caixa e a qualquer regime, tanto no modo Road como no modo Sport, causa uma aceleração tão rápida que chega a ser desconcertante, fazendo lembrar mais uma descolagem do que propriamente um arranque.

O comportamento em curva também surpreende, com a entrada em ângulo a revelar-se precisa e acutilante, a direcção a mostrar-se rápida, a manter-se estável e muito controlada, mesmo depois de se começar a acelerar, e a roda traseira a garantir elevadas doses de tracção na saída das curvas.

Em modo Road o controlo de tracção mitiga de forma quase imperceptível qualquer excesso no acelerador, enquanto que em modo Sport consegue-se fazer a traseira escorregar um pouco e de forma muito controlada, sem sobressaltos.


Pelo dito, esta não é efectivamente uma moto para motociclistas inexperientes. Não porque a sua condução seja difícil, mas antes pela facilidade com que se atingem velocidades muito elevadas em pouco espaço, sendo necessária bastante experiência e muita concentração para determinar as distâncias de travagem. Até porque o conjunto, pelo seu peso, dimensões e suavidade, faz com que pareça que se vai mais devagar do que a realidade.

Já em termos de ergonomia a Rocket 3 R não apresenta muitas limitações, pois a pouca altura do assento permite que mesmo os motociclistas de estatura mais baixa se sintam perfeitamente confortáveis. E realmente conforto não falta. A suspensão apresenta um excelente compromisso de afinação, sendo firme em curva e sob travagem, e bastante condescendente com o fundo das costas. 

Apenas em troços manifestamente degradados, com ondulações ou desníveis acentuados, é que o amortecedor traseiro reclama, mas nem mais nem menos do que qualquer moto desportiva. 

Também em termos de proteção aerodinâmica (pelo menos para o condutor), a Triumph conseguiu, à custa da frente bastante volumosa e do posto de condução bem centrado na moto, que a viagem se mantenha agradável até velocidades a rondar os 160km/h. Daí para cima, é uma questão de forma física que depende do estado e tipo de capacete bem como do restante equipamento.

Não entendo que esta seja uma moto adequada para viagens intercontinentais, mas quem pretender fazer tiradas de 300 ou 400 quilómetros por dia, com condições meteorológicas agradáveis, tem na Rocket 3 R uma companheira muito interessante. 

Apenas a autonomia se pode revelar um problema, já que o depósito de combustível tem capacidade para 18 litros, e considerando que a marca refere consumos na ordem dos 7,25 l/100km (apesar de eu ter acabado os meus cerca de 300km de teste com o computador de bordo a registar 8,4 l/100km), isso significa que vai ser necessário abastecer, na melhor das hipóteses, a cada 200 quilómetros. 


Os aspectos que menos me agradaram na Rocket 3 R foram poucos, nomeadamente o facto de o tampão da gasolina não estar incluído no sistema “keyless” e obrigar a usar a chave para abastecer. Pior só mesmo o facto de este ser do tipo que quando abre nos fica na mão, agarrado à chave...

Também não gostei da colocação dos espelhos. Apesar da boa visibilidade que proporcionam, o guiador já é demasiado largo, e estes aumentam ainda mais a dificuldade de passar entre as filas de trânsito. 

Para acabar o rol de queixas, a tomada de 12V instalada perto do painel de instrumentos deveria ser uma mais prática tomada USB. No entanto, debaixo do assento existe um pequeno compartimento onde se pode colocar o telemóvel a carregar já que aí existe uma tomada USB. 

Ainda em jeito de reclamação, acho que a inexistência de quickshifter de origem neste modelo é uma falha grave, já que este potencia substancialmente o prazer de condução, e o seu custo, numa moto tão exclusiva e deste preço, não pode ser significativo.

Os aspectos que mais me agradaram na Rocket 3 R, para além do comportamento dinâmico, foram muitos e diversos, como a qualidade de construção exemplar, que se reflete numa total ausência de ruídos, folgas e vibrações e intervalos de manutenção de 16.000 quilómetros.

Ou outros pormenores como os poisa-pés do passageiro, escamoteáveis e perfeitamente integrados no design, ou os tampões do depósito de combustível, do radiador ou do depósito de óleo, as imponentes jantes 17X3.5’’ e 16X7.5’’ que calçam pneus 150/80 ZR17 e 240/50 ZR16, o assento extremamente confortável, a excelente iluminação por LED, ou ainda o bem conseguido painel de instrumentos, personalizável, muito completo e legível e que pode receber um módulo de comunicação Bluetooth, para emparelhamento com o smartphone, e que entre outras funcionalidades oferece navegação curva-a-curva, “powered by Google”, através da “My Triumph App”.

Além disso, a Triumph concebeu uma série de acessórios, mais de 50, que permitem aumentar o conforto ou a capacidade de bagagem e melhorar a segurança.

Enfim, se o consegui deixar minimamente curioso sobre as aptidões desta nova Rocket 3 R, então o melhor que tem a fazer é dirigir-se a um concessionário Triumph e marcar um Test-Ride.

A nova Rocket 3 R e a sua “irmã” Rocket 3 GT já tinham sido apresentadas nestas páginas e se pretender ficar a saber mais sobre as diferenças entre elas, clique aqui.

Equipamento:

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