Teste Aprilia RS 125 - Escola de campeões
A pequena desportiva “oitavo de litro” evolui para um patamar de eficácia acima da média. A nova Aprilia RS 125 é uma verdadeira escola de campeões!
andardemoto.pt @ 12-10-2021 08:00:00 - Texto: Bruno Gomes | Fotos: Luis Duarte
Quando falamos com alguém sobre uma Aprilia RS 125,
essa pessoa rapidamente relaciona a nossa conversa com as icónicas desportivas
“oitavo de litro” que a casa de Noale fabricou em formato 2 Tempos. Motos que
deixaram (e continuam a deixar!) os motociclistas a sonhar com as suas
prestações, sendo os resultados nos mais variados campeonatos, mas
principalmente no Mundial de Velocidade, o expoente máximo do excelente
trabalho realizado pela Aprilia com as suas RS 125.
Mas o
mundo evoluiu, os motores a 2 Tempos são, hoje em dia, uma raridade, e a RS 125
adotou há alguns anos uma motorização mais moderna e de ciclo a 4 Tempos. Esta
pequena e aerodinâmica desportiva tem sido uma verdadeira escola de campeões, e
a Aprilia, com a renovação que realizou para este ano de 2021, pretende que a
mais recente geração da RS 125 se mantenha no topo do segmento.
Para
conseguir garantir esse objetivo, a Aprilia e a sua equipa de desenvolvimento
mantiveram a aposta em elementos de eficácia comprovada noutros anos, e
redesenharam outros componentes de forma a apurar ainda mais os genes
desportivos da RS 125.
Estando
limitada pelo teto máximo de 11 kW de potência (ou 15 cv) das 125 cc, a Aprilia
não redesenhou por completo o seu motor, optando por refinar algumas coisas e
adaptar às normas Euro5. O monocilíndrico conta com uma cabeça nova e o perfil
das árvores de cames foi também ele redefinido. Graças à utilização da mais
evoluída centralina Magneti Marelli MIUG4, a parametrização da injeção eletrónica
foi trabalhada de forma a garantir uma maior potência e binário a baixos
regimes. Para isso também convém referir que a RS 125 conta com um sistema de
escape muito curto, também ele desenhado para ajudar na entrega de potência
mais linear.
Num
motor de curso muito curto – apenas 47 mm – o teto máximo de rotações, como
seria de esperar, é bastante elevado, e o monocilíndrico atinge facilmente
rotações superiores às 10.000 rpm. Nesse momento estará a disponibilizar uma
potência máxima de 14,75 cv precisamente às 10.000 rpm, enquanto os 11 Nm de
binário chegam um pouco antes às 8.000 rpm.
A
suportar todo o esforço dinâmico da Aprilia RS 125 encontramos um quadro dupla
trave, fabricado em alumínio, que é acompanhado no eixo traseiro pelo braço
oscilante, também em alumínio, de desenho assimétrico. Esta “estrutura”
italiana é já uma das principais características dos modelos da casa de Noale,
assemelhando-se muito ao que encontramos em modelos de maior cilindrada como a
RSV4 ou a Tuono.
Os
restantes elementos da ciclística pautam-se pela simplicidade. Forquilha
invertida composta por bainhas de 40 mm de diâmetro, que permite que a jante
dianteira de 17 polegadas percorra um curso de 110 mm, sem afinação, enquanto
na traseira, fixo diretamente ao braço oscilante, encontramos um
monoamortecedor com 120 mm de curso, e também sem afinação possível de qualquer
um dos seus parâmetros.
Se ao
nível das suspensões não encontramos nada que surpreenda nesta nova RS 125, o
mesmo não se pode dizer da travagem.
Neste particular, a Aprilia não deixou
nada ao acaso e melhorou a travagem com a adoção de sistema J.Juan, com
destaque para o disco dianteiro de 300 mm mordido por pinça de quatro pistões,
sendo que todo o sistema é “alimentado” por tubos em malha d’aço, o que garante
uma travagem mais constante, mesmo quando exploramos a RS 125 ao seu limite,
pois estes tubos não sofrem dilatação como acontece nos tubos de borracha. Sem
esquecer que a travagem ganha ainda maior eficácia graças à utilização de um
sistema ABS da Bosch.
Na
presença desta Aprilia RS 125 torna-se impossível resistir, pelo menos aqueles
que gostam deste tipo de motos, às linhas agressivas, aerodinâmicas e, na minha
opinião, bem conseguidas, que fazem desta 125 cc uma das mais bonitas do
mercado. A imagem da RS 125 mantém uma clara ligação às outras desportivas da
marca como a RSV4 ou a RS 660, e as pequenas asas e reentrâncias aerodinâmicas
são a demonstração de como a Aprilia levou a sério o desenvolvimento desta
moto.
Mas
nem mesmo as dimensões compactas e desportivas impediram a Aprilia de
proporcionar elementos que tornam a utilização da RS 125 mais agradável. Por
exemplo, debaixo do assento esguio, mas com boa dose de espuma para maior
conforto, posicionado a 820 mm do solo, encontramos um precioso espaço para
transporte de pequenos objetos. É mesmo possível guardar e transportar nesse
espaço um tablet de até 6 polegadas, o que tendo em conta que estamos a falar
de uma desportiva, torna-se numa mais-valia.
Em
andamento notamos rapidamente o excelente trabalho realizado pela Aprilia ao
nível do equilíbrio do chassis. Mantendo uma solidez a toda a prova, sem, no
entanto, se tornar demasiado agressiva nas reações, a RS 125 gosta de ser
conduzida com “finesse”, definindo trajetórias mais largas à procura de máxima
velocidade em curva. Pesa apenas 144 kg a cheio! Um valor assinalável e que
quando se alia a uma distância entre eixos de apenas 1350 mm, resulta num
conjunto de agilidade imbatível numa estrada de curvas encadeadas, o que para
condutores mais experientes é garantia de diversão.
Esta é
uma moto pequena e compacta. É uma moto feita a pensar nos mais jovens e
pilotos de menor estatura. Mas com 1,84m de altura nunca me senti
desconfortável ou “apertado” aos comandos da RS 125, pois a posição de condução
está bem conseguida, em particular a colocação dos avanços ligeiramente mais
acima do que na geração anterior, o que permitiu retirar algum peso dos pulsos.
Ainda assim, os avanços são baixos.
Com
uma ciclística tão apurada, a entrada em curva acontece de forma instantânea. A
forma como a roda dianteira “pisa” o asfalto é excelente para uma moto desta
cilindrada.
O condutor sente perfeitamente através dos avanços qual o momento
em que a direção começa a chegar ao seu limite, enquanto o pneu Michelin Pilot
Street agarra o asfalto e definimos trajetórias praticamente só com o olhar. Na
traseira, o pneu de secção 140, maior do que até agora, garante maior aderência
em inclinação. Tudo isto resulta numa moto que transmite confiança e sensações
de moto de corrida, e que garante uma velocidade de passagem em curva superior
ao esperado.
E
ainda bem que assim é. Digo isto pois o motor, apesar de me ter agradado de uma
forma geral, apresenta um pequeno “poço” entre as 7.000 e as 9.000 rpm. Isso
significa que temos de manter as rotações ou acima ou abaixo destes valores,
evitando que o monocilíndrico perca a força necessária para nos empurrar para a
saída da curva. O condutor da Aprilia RS 125 tem por isso de ter em atenção a
relação de caixa que está a usar e garantir que entra em curva com a relação
mais acertada.
Felizmente,
trabalhar com esta caixa de seis velocidades é uma delícia, pois as relações
entram todas de forma precisa, com a embraiagem leve de acionar a facilitar a
vida em momentos de condução urbana. Em relação ao seu tato e precisão, a
Aprilia RS 125 merece nota máxima neste particular.
A
alteração nas relações de transmissão feita para 2021 resultou em pleno. Nos
arranques a RS 125 revela uma capacidade de aceleração invejável, e a médios
regimes mantém sempre uma enorme linearidade na forma como disponibiliza o
binário. Aqui entram em funcionamento os novos parâmetros da injeção Magneti
Marelli, e através do acelerador, com um “feeling” perfeito, o condutor desta
desportiva italiana obtém precisamente aquilo que deseja.
Numa
estrada mais aberta em que podemos explorar mais à vontade os quase 15 cv
anunciados, o motor, passado aquele ponto que já referi, revela um fôlego
enorme nos regimes mais elevados. É verdade que para se aceder a esta performance
necessitamos de um pouco mais de espaço para subir as rotações e ganhar
velocidade.
Porém,
se o fizermos, seremos rapidamente recompensados, usufruindo de um motor que
nesta zona de rotações será dos mais fortes do segmento, revelando uma
desenvoltura surpreendente e que se traduz numa velocidade máxima visualizada
no painel de instrumentos digital que facilmente passa os 130 km/h.
A essa
velocidade a proteção aerodinâmica mostra-se eficiente, principalmente devido
ao generoso vidro dianteiro, enquanto as novas carenagens com pequenas
reentrâncias e asas aerodinâmicas asseguram a necessária estabilidade em linha
reta.
A
grande velocidade atingida não significa que o consumo médio aumente
consideravelmente! Neste teste o depósito de combustível de 14,5 litros de
capacidade permitiu percorrer facilmente mais de 400 km sem a luz de reserva
acender no painel de instrumentos. De facto, a matemática não mente, e feitas
as contas a RS 125 obteve neste teste um consumo médio de apenas 2,85 litros.
Nada mau para uma desportiva.
Com a
estabilidade conferida pelo quadro dupla trave a ser o que mais se nota em
condução nesta nova RS 125, torna-se impossível não falar no excelente sistema
de travagem. A Aprilia e a espanhola J.Juan, com a ajuda da Bosch ao nível do ABS,
encontraram aqui um “pack” de travagem que nos permite explorar a desportiva
italiana sabendo perfeitamente que, caso necessário, temos travões para parar
em segurança.
O tato
na manete é perfeito, e a maior parte das vezes sente-se que temos à disposição
mais potência de travagem do que aquilo que alguma vez vamos necessitar. Mas
numa estrada de curvas encadeadas, em que recorremos mais vezes aos travões
para ajustar a nossa velocidade, a capacidade de abrandar destes travões
torna-se num fator que maximiza a confiança e permite ir mais além daquilo que
pensamos ser o nosso limite. E a outra boa notícia é que o ABS mal se nota.
Veredicto Aprilia RS 125
Pequena
de dimensões, mas grande de ambições. A nova geração da Aprilia RS 125 está de
boa saúde e recomenda-se! Embora lhe falte a emotividade das icónicas 2T que
nos fizeram sonhar há uns anos, esta quatro tempos tem os argumentos que
precisa para se posicionar como uma das desportivas 125 cc mais eficazes do
mercado.
O
motor revela todo o seu potencial quando o levamos para rotações mais elevadas.
Mas nos baixos regimes não se porta mal e dificilmente ficamos mal vistos num
arranque de semáforo em semáforo. Poupado no consumo de combustível, este
monocilíndrico de Noale, com funcionamento refinado, merece nota muito
positiva, até porque está acoplado a uma caixa de velocidades que é
simplesmente uma delícia e a fazer inveja a motos de segmentos superiores.
Com
uma ciclística que acompanha as aspirações de moto desportiva, a nova Aprilia
RS 125 conta com muitos e bons argumentos na batalha pelo título de melhor
desportiva “oitavo de litro”.
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Shark Race-R Pro
Blusão
– Furygan Digital
Calças
– REV’IT! Orlando H2O
Luvas
– REV’IT! Chevron 3
Botas
– REV’IT! Mission
Galeria de fotos Aprilia RS 125
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