Teste Ducati Streetfighter V2 - A verdadeira Streetfighter

Não tem mais de 200 cv nem um V4. Mas tal como a sua irmã, promete elevadas doses de adrenalina, ou não fossem a sua alma e coração derivados da desportiva Panigale V2… Será esta a verdadeira Streetfighter?

andardemoto.pt @ 6-9-2022 06:47:00 - Texto: Pedro Alpiarça | Fotos: Luis Duarte

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Ducati Streetfighter V2 | Moto | Streetfighter

Quando saí de casa para a ir buscar, estava na dúvida quanto ao equipamento que devia vestir. Blusão desportivo e calças de ganga, ou fato de pista com deslizadores?

Imediatamente comecei uma deriva mental sobre qual seria o mínimo de cavalos a dominar para que o fato de pista não se veja ridículo. Nas horas seguintes, percebi que tinha feito a escolha correcta…

A Ducati Streetfighter V2 tem uma presença impactante, a assinatura dos LEDs evocam uma máquina zangada, focada na sua busca pelos limites, e toda a silhueta respira agressividade e propósito. Rapidamente dei pela falta dos apêndices aerodinâmicos, um extra (mais de mil euros de asas, para obtermos uma frente plantada a velocidades absurdas), disseram-me, e eu que até vim de fato, respondi!

A qualidade de todos os acabamentos justifica a exclusividade da máquina, estamos perante uma super naked que deriva de uma desportiva, e esse purismo é palpável.

A Panigale V2 empresta o seu bicilíndrico desmodrómico a 90º, o Superquadro ( 955 cc refrigerado a líquido, debitando 153 cv @ 10.750 rpm e 101,4 Nm @ 9000 rpm), abraçado por uma estrutura monocoque em alumínio e umas suspensões totalmente ajustáveis em ambos os eixos (forquilha Showa BPF com 43 mm de diâmetro na dianteira e um monoamortecedor Sachs montado sobre um monobraço em alumínio).

A travagem fica a cargo de um sistema Brembo (Pinças M4.32 de 4 pistões e fixação radial a morderem dois discos de 320 mm na dianteira, e pinça de 2 pistões a morder um disco de 240 mm na roda traseira) que tem como cérebro uma unidade de medição de inércia BOSCH Cornering ABS EVO.

Como podem calcular, todo o pacote electrónico desta Streetfighter V2 é de excelência (integra um IMU de 6 eixos), com controlo de tracção também sensível à inclinação (DTC EVO 2), anti-wheelie (DWC EVO), regulação do travão motor (EBC) e quick-shifter (DQS EVO 2). 

Os mapas de condução são 3, WET, ROAD e SPORT, e a qualquer momento podemos redefinir as suas parametrizações em cada modo. Em boa verdade esta moto só precisa de dois… mas já lá vamos.

Se já alguma vez se depararam com um motociclista de fato de pista vestido, parado num qualquer semáforo de uma cidade apinhada de trânsito, perceberão que a imagem é um tanto ou quanto estranha.

Possivelmente a sequência seria um motor a gritar, primeira engrenada com os olhos em alvo à espera do verde, e uma saída gloriosa em direcção ao infinito!

Nada poderia estar mais longe da verdade. A Streetfighter V2 é bastante civilizada, acessível e até mesmo confortável a velocidades moderadas.

O trabalho feito na ergonomia (depósito ligeiramente mais estreito, assento redimensionado no que toca à altura da espuma e formato) e no seu triângulo de condução faz com seja daquelas máquinas em que percebemos o seu intuito (nota-se a assertividade corporal assumida na roda da frente para 845 mm de altura do assento), mas sem dar heróicas concessões ao esforço físico.

O bicilíndrico Superquadro e a sua personalidade em V conseguem rolar abaixo das 3 mil rotações sem grande esforço, e até o quick-shifter colabora sem sobressaltos de maior. 

O acerto desportivo das suspensões é evidente, mas a sua afinação é um processo relativamente fácil (não digo intuitivo porque a sua ciência vai para lá do rodar freneticamente os parafusos para o “soft” ou para o “hard”), sobretudo porque a minha compacta estatura assim o exige.

A Streetfighter ficou bastante mais tolerante no comportamento em mau piso com apenas alguns ajustes. 


O modo Road enaltece o carácter simpático deste desmodrómico, os médios regimes não têm aquela urgente e criminosa vontade de nos arrancar os braços. Há até uma certa linearidade antes de atingirmos as 7000 rpm, porque a partir daí, surge todo um fogo de artifício, muito embora se note alguma hesitação no acelerador nas primeiras três mudanças.

É perfeitamente possível fazer uma condução fluida e descontraída, e não fosse a ausência de um indicador de nível de combustível no pequeno ecrã (um TFT a cores de 4,3”, semelhante ao que encontramos na Supersport, altamente intuitivo na sua interacção) e a estrada aberta poderia prolongar-nos os sorrisos com mais confiança.

Potência gera calor e, neste caso específico, temos uma linha de escape que desenha um pequeno “circuito” mesmo debaixo do banco do condutor, precisando de uma deslocação de ar decente para os dissipadores se mostrarem eficazes. 

Aproveitando o aumento de temperatura, transfigurei a personalidade da máquina quando o asfalto se tornou entusiasmante. O modo Sport é efectivamente aquele onde a Streetfighter V2 devia estar bloqueada.

Fosse eu um director de desenvolvimento técnico a viver ali para os lados de Borgo Panigale, e esta máquina viria com dois mapas, o “Olha aí que está a chover” e o “Agora é que é”. 

A maneira como este motor nos acorda no último terço de rotação, é de uma honestidade bestial. Não só gosta de viver nos regimes mais altos, como continua doseável e directo, um óptimo exemplo de como a desportividade não tem de ser agressiva nem assustadora.

Se a resposta ao longo de todo o espectro de utilização se torna mais cristalina e previsível, é a prova que a envolvência do mapa mais directo faz todo o sentido. Vibrante, com uma sonoridade rouca e gutural, o movimento do punho direito completamente aberto, torna-se um gesto repetido sem dramas de maior. 

A ciclística patrocina a experiência com doses exemplares de precisão. A frente altamente informativa casa na perfeição com uma travagem à altura da ocasião.

Há aqui algum espírito supermotard nas inserções em curva, porque não foram poucas as vezes que senti a roda traseira a levantar. A agilidade do conjunto (200 kg em ordem de marcha) e a nobreza do quadro em alumínio a absorver as torções, ajudam a delinear as trajectórias sem medo de castigar os Pirelli Diablo Rosso IV.

A ajuda preciosa do amortecedor de direcção Sachs torna-se fundamental nas mudanças de direcção mais forçadas, afinal de contas temos debaixo de nós um motor nervoso que não hesita em fazer levitar a roda da frente. 

Foi um bom dia para o cromo-do-fato-nos-semáforos. A Ducati Streetfighter V2 provava toda a sua elegante forma de estar castigando deslizadores sem dó nem piedade. 

Por mais de 17 mil Euros (17 745 €, para ser exacto), as suas rivais diretas serão a Yamaha MT-10 SP e a BMW S1000R, ambas com motores tetracilíndricos em linha.

Ambas estão longe do arrojo estético da Streetfighter, sobretudo na nova cor Storm Green, um verdadeiro assalto aos sentidos. 

Existem motos que nos põem em sentido, que nos colocam demasiadas questões.Depois existem outras que nos acolhem, pagam-nos um copo e nos fazem rir como se as conhecêssemos há muito.
 


Esta é uma dessas motos. Os seus mais de 150 cv não intimidam aqueles que querem ter uma máquina utilizável num quotidiano apimentado e a sua personalidade é mais afável que arrogante.

Gosto disso. E sobretudo porque, quando é altura de se levar a sério, corresponde com um discurso entusiasmante e bem estruturado… com uns palavrões pelo meio!

Se o nome Streetfighter sugere uma naked desportiva pronta a lutar no mundo real, a Ducati acertou em cheio com a sua V2.

Equipamento:

Neste teste usámos o seguinte equipamento de proteção e segurança:

Capacete: Nolan N80-8 50th Anniversary

Fato: Macna Tronniq

Luvas: REV’IT! Chevron 3

Botas: Dainese Nexus

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