Dakar 2017 - Resumo final

Como a KTM leva para casa a sua 16º vitória consecutiva e como 3 portugueses assaltaram o "Top 10" da classificação geral

andardemoto.pt @ 15-1-2017 19:39:37

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Sam Sutherland

Sam Sutherland

Mesmo contra todas as probabilidades, a armada KTM volta a conquistar uma vitória no Dakar. A 16ª consecutiva.
A KTM 450 Rally mostra-se uma digna sucessora das outras motos que protagonizaram a feliz história da marca austríaca que, este ano, consegue um pleno com três motos a preencherem o pódio final.

Sam Sutherland, o inglês que por duas vezes já tinha tentado a sua sorte na mais dura prova do mundo, tendo abandonado tanto em 2014 como em 2012, subiu ao mais alto lugar do pódio, depois de se manter na liderança da tabela desde a 5ª etapa.

Ao cabo de 32h06m22s de especiais, Sutherland granjeou uma vantagem de 32m00s sobre o seu mais directo rival e colega de equipa, o austríaco Mathias Walkner, que também termina a prova pela primeira vez depois de ter abandonado nas duas edições anteriores. 

A fechar o pódio, com uma escassa diferença para o segundo lugar, ficou o veteraníssimo espanhol Gerard Farres Guell, inscrito pela equipa Himoinsa, e que, à décima participação na prova, consegue a grande recompensa.

Hélder Rodrigues

Hélder Rodrigues

A Yamaha sai fracamente recompensada com o primeiro lugar fora do pódio, e deve-o à excelente prestação do francês Adrien Van Beveren, que se soube defender das investidas dos pilotos Honda para segurar este meritório resultado.

Para a Honda é que definitivamente as coisas não correram nada bem. A penalização de 1 hora sofrida na 4ª etapa, devido a um erro da direcção da equipa, relegou todos os pilotos da equipa oficial para lugares bem fundos da tabela. O espanhol Joan Barreda Bort era um dos sérios candidatos à vitória, tendo vencido a terceira etapa e posicionado-se na liderança da tabela geral, mas foi relegado para o 8º lugar à conta da dita penalização. O 5º lugar da geral no final da prova deve seguramente ter um gosto muito amargo.



Paulo Gonçalves

Paulo Gonçalves

O mesmo aconteceu ao melhor português em prova. Paulo Gonçalves teve um excelente desempenho ao longo de todas as etapas, com grande regularidade e sem cometer grandes erros de navegação, mantendo-se sempre colado aos homens da frente. Poderia também ele ter um lugar no pódio não tivesse havido aquele dramático incidente.

O sexto lugar conquistado há-de, por isso, também saber a muito pouco.

A Honda acaba de anunciar que vai recorrer da decisão e contestar os resultados finais perante a federação francesa, mas o mal está feito!


Pierre Alexandre Renet

Pierre Alexandre Renet

A Husqvarna perdeu o seu piloto de referência. O chileno Pablo Quintanilla, que desde a 5ª etapa estava solidamente instalado no 2º lugar da geral, sofreu um acidente na 10º etapa que o colocou fora de prova.

O 7º lugar conquistado pelo francês Pierre Alexandre Renet irá seguramente saber a pouco para os homens da marca Sueca, e também para o português Ruben Faria, sobre quem recaia a responsabilidade de apoiar os pilotos até ao fim da dura prova.

Joaquim Rodrigues e Filipe Barbosa

Joaquim Rodrigues e Filipe Barbosa


A Hero foi a revelação desta edição do Dakar, onde foi estreante. Pela mão do também estreante português, Joaquim Rodrigues, a marca indiana consegue o 10º lugar da tabela classificativa geral, o 3º lugar da classe Super Produção, e o 2º lugar entre os estreantes. Claro que a ajuda do português Filipe Barbosa, director técnico da Speedbrain, também terá sido fundamental para todo este sucesso.

Mais portugueses

Hélder Rodrigues foi, talvez, o mais falado piloto português do Dakar. O nono lugar da tabela classificativa não terá sido seguramente a classificação que o “Estrelinha” esperava, mas serviu para, pelo menos, calar a horda de “hatters” que, nas redes sociais, e sobretudo durante a primeira semana, o crucificaram (alguns insultaram mesmo e foi muito feio) em face dos resultados menos brilhantes. Um décimo “Top 10” numa prova com este nível de dificuldade não é para todos. 

No final da prova o piloto declarou:

"Foi um Dakar difícil e estou feliz por ter conseguido terminar e dentro do top 10. Tive dificuldades em imprimir um bom ritmo. Lutei ao longo da prova para recuperar o tempo perdido na fase inicial da corrida, mas quando se parte de trás é necessário correr ainda mais riscos, em particular por causa do pó. Por outro lado, estou contente por não ter cometido erros de navegação. Não era este o resultado que ambicionávamos, mas estou muito satisfeito pela forma como as nossas motos se portaram duram todo o rali. Faço parte deste projecto desde o seu início e foi óptimo ver as WR450F Rally ganhar etapas e lutar pelas primeiras posições. O Adrian está de parabéns pela excelente corrida que realizou. Quero agradecer a toda a minha equipa pelo trabalho duro que tive durante estas duas últimas semanas. Sem ela, não teria conseguido chegar aqui”.


Mário Patrão

Mário Patrão

Mário Patrão conseguiu colocar a sua KTM no 17º lugar da geral, e foi 10º na classe Super Produção. Ser mochileiro não é fácil, já que estes pilotos têm por missão sacrificar o seu resultado em prol da equipa. Sobretudo uma equipa como a da KTM.  Ainda assim, este é um bom resultado para o piloto de Seia!

Gonçalo Reis

Gonçalo Reis

Gonçalo Reis, também em KTM, terminou a prova em 27º lugar da geral, tendo sido o 2º melhor da classe maratona e o 4º melhor rookie.

Fernando Sousa Jr. igualmente aos comandos de uma KTM terminou em 42º da geral.


Fausto Mota colocou a Yamaha da CRM Competition em 49º lugar e o seu colega de equipa, Rui Oliveira terminou em 53º da geral.

Pedro Bianchi Prata terminou em 56º, 11h42m40s depois do vencedor. Ser mochileiro de pilotos como Joan Barreda e Paulo Gonçalves não é mesmo fácil!

No final, 95 motards terminaram a prova que suscitou toda a espécie de críticas à organização. Umas mais justificadas, sobretudo pelos atrasos de comunicação, com destaque para a justificação das penalizações, outras manifestamente injustas como foi o caso do cancelamento ou encurtamento de etapas, causados sobretudo pelo agravamento das condições meteorológicas.

A polémica da penalização sobre o abastecimento da Honda na quarta etapa, atribuída a todos os pilotos da equipa oficial, que incluia os “nossos” Paulo Gonçalves e Pedro Bianchi Prata, foi a novela do ano.

A Honda terá apresentado uma reclamação, mas terá ultrapassado o prazo permitido pelo regulamento.

Entretanto segundo fontes bem informadas, a organização parece ter admitido que a dita penalização terá sido injusta, e que afinal o dito posto de abastecimento onde as Hondas abasteceram até era legal, mas como a reclamação da Honda não é válida, não há nada a fazer.

Se a Honda podia ter ganho a prova? Possivelmente sim! 

No Dakar tudo é possível, mas o facto de os pilotos Honda terem descido substancialmente na classificação, também proporcionou aos pilotos KTM gerirem a prova com outra intensidade, que provavelmente não teriam se andassem “picados” com Joan Barreda e Paulo Gonçalves.

Mas esta não foi a única novela!

No final da 11ª etapa, Paulo Gonçalves foi o primeiro a chegar ao final, com uma vantagem de 1 minuto e meio sobre o seu colega de equipa Barreda. No entanto o espanhol terá alegado que foi atrasado pelo público e por uma fita de delimitação.

Os contornos da história não são explícitos, mas o que é certo é que a direcção da prova compensou-o com 3 minutos, o que o fez ganhar a etapa por escassos 90 segundos, atribuindo-lhe a vitória, que seria mais do que merecida para Paulo Gonçalves.

Na chegada a Buenos Aires, a diferença de tempos entre os dois pilotos é de cerca de 10 minutos, pelo que não seria por aí que o desfecho final da prova iria ser alterado, mas foi pena! Afinal 3 portugueses no “top 10” e nenhum venceu sequer uma etapa! Tinha sido bonito! Ficará para o ano!


E ainda falta destacar

Na categoria Quad a vitória pertenceu a Sergey Karyakin (Yamaha). O piloto russo conseguiu levar o seu Raptor 700 até ao final, com uma exibição notável, tendo liderado a classificação desde a 7ª etapa. No ano passado já tinha terminado em 4º.

Na classe UTV, foi Leandro Torres e o seu co-piloto Lourival Roldan, que venceram a prova aos comandos de um Polaris RZR 1000 XP. Os brasileiros dominaram praticamente a prova, sendo líderes da classificação desde a 5ª etapa.

andardemoto.pt @ 15-1-2017 19:39:37


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