Adiamento das normas Euro 5 está em discussão para salvar a indústria das duas rodas

Os grandes fabricantes estão com dificuldades para vender o stock de motos Euro 4 e pedem o adiamento das normas Euro 5 para 2022. Existe o risco de diversos modelos serem descontinuados caso a União Europeia não aceite mudar a data limite das normas Euro 5. Uma situação de emergência que coloca em causa 300.000 empregos.

andardemoto.pt @ 7-4-2020 13:23:43


Enquanto motociclistas europeus, e tal como em diversas situações nas nossas vidas, temos de nos submeter e cumprir com diferentes regras desenhadas e ditadas pela União Europeia e que têm impacto relavante nas nossas vidas. É o caso das normas anti-poluição Euro 5.

Esta norma que entrou em vigor a 1 de janeiro de 2020 para todos os veículos novos da categorias L - ciclomotores, motociclos, triciclos e quadriciclos –, pretende tornar este tipo de veículos ainda mais amigos do ambiente, obrigando assim os fabricantes a encontrar formas de os atualizar para cumprir com as restritivas normas anti-poluição.

Mas se é verdade que todas as motos novas e com homologação europeia de 2020 têm, obrigatoriamente, de cumprir com a Euro 5, a União Europeia deixou em aberto a possibilidade de durante o ano de 2020 os fabricantes poderem continuar a comercializar motos novas com homologação Euro 4.

Isto permitiria aos fabricantes e respetivos concessionários vender as últimas unidades Euro 4 durante os 12 meses de 2020, antes da obrigatoriedade de todas as motos serem Euro 5 para poder ser comercializadas. O chamado período de transição.

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Apesar das atuais normas Euro 5 estarem definidas e anunciadas desde 2013 pela Comissão Europeia, os fabricantes optaram, em muitos casos, por manter os seus modelos dentro das normas Euro 4 e só em 2021 passar para Euro 5.

Quase como se estivessem a deixar tudo para o último momento.

No entanto a pandemia Covid-19 veio complicar as contas dos fabricantes, e assim colocar em risco a existência de diversos modelos que ainda não cumprem com as mais recentes normas europeias.

Paolo Magri, presidente da Brembo e da ANCMA – Associação Nacional de Ciclo e Motociclismo e Acessórios (de Itália), mostra-se preocupado com a situação que está a ser vivida pelas marcas italianas: “O fecho das lojas vai impedir a venda dos modelos com homologação Euro 4, com o consequente aumento de stock em armazém. O risco é real, de que no final do ano os fabricantes e concessionários fiquem com stock que, por lei, não poderão vender a partir de 2021”.

Esta é uma possibilidade que colocará inúmeros problemas às diferentes marcas, sejam elas italianas ou de outra nacionalidade.

No caso dos modelos mais recentes e que estão homologados com Euro 4, a situação não será tão problemática.

Nestes casos os fabricantes já anunciam estes modelos como estando “preparados” para ser Euro 5. O caso mais recente que conhecemos é a nova KTM 1290 Super Duke R, que sendo ainda Euro 4, a KTM efetivamente garantiu durante a apresentação em que estivemos presentes que a powernaked austríaca apenas necessita de uma atualização eletrónica para passar a ser Euro 5, podendo então continuar a ser comercializada a partir de 1 de janeiro de 2021.

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Mas nem todas as motos estão preparadas para ser Euro 5. Algumas necessitam de modificações mais extensas para cumprir com as novas normas mais restritivas.

Nesses casos, e tendo em conta que os fabricantes estão a ter dificuldades no seu funcionamento, e consequentemente no desenvolvimento dos modelos Euro 5, e também devido às falhas na cadeia de fornecimento de componentes, podemos vir a assistir ao fim de comercialização de diversos modelos importantes para os fabricantes pois efetivamente não vão conseguir homologar os modelos Euro 5 antes do final deste ano.

Não haverá outra solução que não seja a de parar a comercialização desses modelos.

A ACEM, Associação Europeia da Indústria do Motociclismo, reagiu, e em comunicado revela que a solução poderá passar pelo adiamento da obrigatoriadade de todos as motos novas vendidas a partir de 2021 terem de ser compatíveis com as normas Euro 5:

“Neste cenário, a indústria do motociclismo pede, de forma urgente, que a Comissão Europeia e as administrações nacionais adoptem de forma rápida medidas necessárias para ajudar o setor a ultrapassar esta crise sem precedentes. O setor das duas rodas está preparado para trabalhar com os legisladores para alcançar este objetivo, protegendo os 300.000 postos de trabalho ligados a esta indústria”.

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E o que está a ACEM a fazer para ajudar a ultrapassar esta situação?

De acordo com as informações mais recentes, a associação que representa o setor das duas rodas na Europa está a pressionar a Comissão Europeia para aceitar adiar a entrada em vigor, de forma obrigatória para todos os veículos da categoria L, das normas Euro 5 a partir de início de 2021.

A intenção da ACEM é que seja concedido um prazo extra de 12 meses, ou seja até final do próximo ano, para que os fabricantes e concessionários consigam escoar o stock de modelos com homologação Euro 4. Depois, a 1 de janeiro de 2022, entrariam em vigor de forma obrigatória as normas Euro 5 conforme está previsto acontecer no início de 2021.

Será que a Comissão Europeia vai aceitar a desculpa do Covid-19 para permitir o prolongar da vida das motos ainda com homologação Euro 4 até final de 2021?



Num momento tão problemático e dinâmico, em que ninguém sabe ao certo quando a situação do comércio de motos e a indústria vai voltar a funcionar normalmente – sendo que o “normal” poderá não ser aquilo a que estamos habituados –, não é fácil perceber qual será a resposta da Comissão Europeia ao pedido da ACEM e dos fabricantes.

Por um lado a Comissão Europeia pode apontar o dedo aos fabricantes.

Desde 2013 tiveram bastante tempo para atualizar as respetivas gamas para cumprir com as normas Euro 5, podendo agora a Comissão Europeia colocar as culpas desta situação nos fabricantes que deixaram tudo para a última, e assim mantendo a data de 1 de janeiro de 2021.

Por outro lado a Comissão Europeia poderá mostrar-se sensível aos argumentos apresentados pela ACEM, e assim adiar por um ano a entrada obrigatória em vigor das normas Euro 5, facilitando a vida aos fabricantes e potencialmente salvando o setor de uma crise ainda mais grave.

andardemoto.pt @ 7-4-2020 13:23:43


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