Pedro Pereira

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Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

Rescaldo da 16ª edição do Red Bull Romaniacs

Neste início de milénio as provas de enduro extreme ganharam uma projeção nunca antes vista! Quase tão grande como o seu crescente grau de dificuldade e exigência para pilotos e motos! Têm até direito a um campeonato só seu: o World Enduro Super Series!

andardemoto.pt @ 3-9-2019 20:50:23 - Pedro Pereira

Uma das mais conhecidas e de uma dureza extrema é a do Red Bull Romaniacs que, como o nome indica, se realiza na Roménia, mais concretamente no Sul do país, na região de Sibiu. Para alguns mais distraídos, é mesmo para as bandas do Conde Drácula (Transilvânia) e a sua exigência é verdadeiramente vampiresca, sobretudo para quem tiver aspirações de chegar ao fim, que é bem diferente de ambicionar chegar ao pódio!

A primeira edição teve lugar em 2004 e surgiu, essencialmente, do génio criativo de um austríaco de nome Martin Freinademetz que ali imaginou as condições perfeitas para uma prova de puro enduro em modo extreme… e estava certo!

São 5 dias de dificuldades que começam logo no primeiro dia com o prólogo em plena cidade de Sibiu em que muitos dos concorrentes ficam logo por aí, tal o número de obstáculos e complicações, verdadeiro aperitivo para o que vem a seguir!

Os restantes dias são passados, como é óbvio, a andar de moto, sobretudo em regiões muito montanhosas (ou não estivessem nos Cárpatos) e chegar ao fim em cada dia já é uma vitória, até porque as mecânicas sofrem imenso, não são apenas os pilotos!

É o verdadeiro paraíso para as motas de 2 tempos de cilindrada mais elevada, ou seja, as conhecidas 300 cc, verdadeiras rainhas neste tipo de provas, graças ao baixo peso, muita maneabilidade e elevado binário a baixa rotação. A última vez que o vencedor ganhou com uma mota a 4 tempos foi em 2009, com uma BMW 450X e pelas mãos de um “tal” Andreas Lettenbichler.

A cada ano que passa a organização “desdobra-se” para fazer uma prova com trajetos sempre diferentes dos anos anteriores e exigências de um nível alucinante. A verdade é que tem conseguido e a prova tem uma projeção cada vez maior, de tal modo que toda a região se tornou numa espécie de “Capital do Enduro” da Roménia, existindo várias empresas que organizam tours de enduro pela região.

Este vosso Escriba já esteve várias vezes para ir a um, mas por várias razões (em especial o duo tempo e dinheiro) tem vindo sempre a ser adiado o sonho! Um verdadeiro exemplo de procrastinação… e os anos a passarem-se! Uma pessoa bem se lembra do adágio popular “não guardes para o ano que vem… o que podes fazer neste”!


Quando se fala dos Romaniacs há um nome que vem logo à cabeça: o Inglês Graham Jarvis, também conhecido como “Rei dos Cárpatos”! O homem é uma verdadeira lenda viva na modalidade e conhece bem Portugal, tendo também ganho o Extreme XL Lagares. Além disso, é de uma simpatia e boa disposição contagiante, a que acresce uma humildade inesperada…


Este ano não foi o vencedor (mas continua a ser o recordista, com um total de 6 vitórias). A prova foi ganha pelo alemão Manuel Lettenbichler, com a particularidade de ter vencido a prova depois de há 10 anos o seu pai Andreas ter feito o mesmo! O segundo lugar foi para o Espanhol Alfredo Gomez e Graham Jarvis ficou em terceiro lugar.

Merece ainda mais destaque por ter “apenas” 44 anos! É um jovem, no meio de pilotos como o seu “conterrâneo” Jonny Walker (não confundir com a bebida), que tem menos 16 anos ou o vencedor deste ano que, pasme-se, tem apenas 21 anos e foi terceiro na edição do Extreme XL Lagares de maio passado!

Ainda voltando à prova, aparte os cerca de 450 pilotos, traz até belíssima região as equipas de topo de marcas como a KTM, a Husqvarna ou a Sherco, muitos jornalistas, aficionados e público em geral que vibra com uma prova que tem um ambiente mágico que talvez mais nenhuma consiga ter. Basta ver um dos muitos vídeos disponíveis para perceber isso!

Atrevo-me a escrever que pode ser um bom pretexto para umas miniférias em 2020, até porque a Roménia é lindíssima, não é muito longe, pertence à União Europeia desde 2013 (mesmo tendo moeda própria), o custo de vida não é elevado, a comida é ótima e, segundo consta, as mulheres são bonitas (e certamente os homens também)!

Da minha parte voluntario-me para ir fazer a cobertura da prova, mas para fazer um trabalho digno dos nossos Leitores terei que ter também uma moto para o evento. Basta uma 250 ou 300 cc a 2 tempos, mas obrigatoriamente com motor de arranque que faz uma falta tremenda em trilhos mais complicados, até para quem não pretende competir!

Já lancei publicamente a escada… fica a faltar o resto!


Veja o resumo, em video:

andardemoto.pt @ 3-9-2019 20:50:23 - Pedro Pereira


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