Pedro Pereira

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Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

É desta que os Peões vão à IPO? Parte II

Há cerca de um mês publicámos a parte I deste artigo. Com mais dados actualizados, fazemos uma análise mais profunda.

andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:36:30 - Pedro Pereira

 A segunda parte deste artigo só é disponibilizada agora porque demorou mais algum tempo até termos os dados relativos às vítimas mortais de acidentes, não considerando apenas aqueles que falecem no local ou no trajeto das unidades de saúde, mas também os que perecem posteriormente, vítimas desses mesmos acidentes, tendo em conta um período de até 30 dias após o acidente.

Na prática, isto significa que o número de óbitos é (bastante) maior e que apesar de todos os meios humanos e técnicos morre ainda mais gente em acidentes de viação do que os cerca de 500 por ano mencionados no artigo inicial.

Tendo presente os dados da ANSR (Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária) agora divulgados, respeitantes ao ano de 2018, relativamente à sinistralidade rodoviária no local, no percurso até à unidade de saúde e 30 dias posteriores, temos resultados nada encorajadores e as motos são sempre uma “vítima fácil”! Aliás, é um facto indesmentível que se acabassem com as motos… a sinistralidade rodoviária nos motociclos caía para zero! E o mesmo vale se acabassem com os ciclistas ou os peões!!!

O valor apurado, visto de forma global, assusta e de que maneira, sendo que deve ser alvo de reflexão de todos nós, peões, motociclistas, ciclistas, automobilistas…

Em 2018 registaram-se 34.235 acidentes  com vítimas, de que resultaram 675 vítimas mortais, registadas nos 30 dias subsequentes ao acidente, 1.995 feridos graves e 41.335 feridos leves. Acresce que há certamente mais alguns que não chegam a fazer parte das estatísticas, por não terem sido alvo de registo pelas autoridades, mas sobre esses nada podemos dizer por falta de informação. Também seria interessante saber o papel do álcool e das drogas nos condutores/as e nos peões acidentados…



Para quem gosta de números…


Muitos de nós, desde tenra idade, fugíamos da matemática como o demo da cruz, mas a frieza dos números, ainda que perturbadora, é a melhor forma de se encarar a realidade e perceber a real dimensão da tragédia dos acidentes de viação, embora os números não contem a história toda. Há as questões das incapacidades temporárias ou definitivas, os longos períodos de recuperação, as perdas laborais e de produtividade, as indemnizações, os traumas, as crises familiares… e sobre isso os números pouco conseguem dizer.
Partilho algumas das conclusões da ANSR relativamente a 2018 e face ao período homólogo e peço que cada leitor/a faça a sua própria interpretação e veja o que pode melhorar. Tomei a liberdade de destacar alguns números a negrito:
Comparativamente com o ano de 2017, observou-se um aumento de 73 vítimas mortais (+ 12,1%), mas uma melhoria nos restantes indicadores de sinistralidade: menos 181 acidentes com vítimas (-0,5%), menos 122 feridos graves (-5,8%) e menos 441 feridos ligeiros (-1,1%).


No que respeita à categoria de utentes, em 2018 registaram-se 294 (43,6%) vítimas mortais entre os ocupantes (condutores e passageiros) de veículos ligeiros, 11 (1,6%) vítimas mortais nos automóveis pesados, 145 (21,4%) vítimas mortais nos veículos de duas rodas a motor, 24 (3,6%) vítimas mortais relativamente aos velocipedes e 156 (23,1%) vítimas mortais no caso dos peões. O grupo etário mais representativo em termos de vítimas mortais, foi o dos utentes com idade igual ou superior a 65 anos (33,4%).

A colisão foi o tipo de acidente mais frequente, representando mais de metade dos acidentes com vítimas ocorridos em 2018 (51,8%), 40,6% do total de vítimas mortais e 43% dos feridos graves. Os despistes constituíram 32,7% dos acidentes, 37% das vítimas mortais e 37,4% dos feridos graves. Já os atropelamentos representaram 15,4% dos acidentes ocorridos, 22,3% das vítimas mortais e 19,4% dos feridos graves.

Quanto ao tipo de via, o maior número de acidentes ocorreu em arruamentos (61,9% dos acidentes, 36,9% das vítimas mortais e 47,1% dos feridos graves) e estradas nacionais (19,1% dos acidentes, 33% das vítimas mortais e 29,5% dos feridos graves.

Ainda mais uns números interessantes, tendo presente os dados mais recentes da sinistralidade registada, reportados ao período compreendido entre 01 de janeiro e 21 de agosto de 2019 (na metodologia de vítima no local do acidente ou a caminho da unidade hospitalar), que reforçam a diminuição de alguns dos principais indicadores, nomeadamente.
Menos 17 vítimas mortais face a 2018 e menos 23 vítimas mortais face a 2017 (296 em 2019, 313 em 2018 e 319 em 2017). Menos 53 acidentes (82.905 em 2019 vs 82.958 em igual período de 2018).
Dados mais recentes informam sobre mais acidentes mortais com motociclistas, pelo que falta saber se vamos ou não “borrar a pintura" até ao final do ano!

andardemoto.pt @ 7-10-2019 17:36:30 - Pedro Pereira