Henrique Saraiva
Gosto de voltas e passeios de moto aqui ao pé… e mais além!
OPINIÃO - Viagens ao Virar da Esquina
100 Números. Sem Espinhas!
O Suplemento mensal do Andar de Moto acaba de editar a sua 100ª edição, 8 anos passados
andardemoto.pt @ 2-10-2026 17:46:17 - Henrique Saraiva
Quando os navegadores portugueses do Séc. XV chegavam a terras desconhecidas, colocavam uns padrões em pedra com a coroa e as armas de Portugal. Não só assinalavam a sua presença naquelas terras, como sobretudo celebravam a conquista da distância percorrida “por mares nunca dantes navegados”.
E à medida que iam avançando, mais se destacava o crescimento da epopeia. E mais longe eram colocados esses padrões… muitos deles ainda hoje existentes.
Eram pioneiros. Inovadores. Ambiciosos. Corajosos.
Salvaguardadas as distâncias, no tempo, na distância, na empreitada, creio que aqueles atributos fazem sentido quando a Andar de Moto chega a este marco: 100 números publicados.
Quando chegou ao mercado optou por um caminho à época diferente: o meio digital que já aí estava, mas ainda não tinha sido enfrentado. Alguém tinha que ser primeiro. A Andar de Moto assumiu esse papel. E bem o fez porque se no início era líder por inerência, conseguir manter essa posição 8 anos passados, é obra. Que deve continuar, colocando os “padrões” cada vez mais longe.
Não me ficaria bem fazer o elogio dos atributos da Andar de Moto. O público ao qual se dirige, que se mantém fiel e cresce, garantia daquela posição, é o melhor testemunho.
Os 100 já estão! Pela frente estão novos desafios. Novos “mares nunca antes navegados”.
O mundo está em mudança acelerada. E não necessariamente para melhor.
As tropelias provocadas ao ambiente, as lideranças que parece não conhecerem limites à incompetência (nem ao desvario…), a falta de bom senso coletivo subjugado ao individualismo do “eu é que sei!” e a perceção cada vez mais acentuada que a autoridade (democrática, obviamente) peca por falta de comparência, fazem com que sejamos incapazes de antecipar tempos melhores.
Essa falta de presença das autoridades e de bom senso de quem conduz, dá-nos números de sinistralidade rodoviária em Portugal desanimadores (para não lhes chamar trágicos) em particular, no mundo das motos.
A incompetência governamental neste domínio, sente-se quando se anunciam os radares como panaceia (esquecendo que as largas dezenas de aparelhómetros instalados na última meia-dúzia de anos não se traduziram na redução do número de vítimas).
Porque não olhar lá para fora? Espanha, por exemplo, que neste momento introduz regras tendentes a melhorar os níveis de segurança dos motociclistas. Ou que medidas tomaram a Polónia, a Lituânia ou a Letónia, para alcançarem reduções de mortalidade na estrada na ordem dos 40 e 50% em 10 anos (Portugal apenas 5%)? Talvez valesse a pena copiar… ninguém levaria a mal, digo eu.
Ao mesmo tempo, por dinâmica própria e por erros estratégicos alheios, o domínio chinês do mercado não é uma miragem. Está aí. E traz consequências que, muitas delas, talvez as mais importantes, ainda não conseguimos vislumbrar.
São estes e muitos outros os desafios que a Andar de Moto tem pela frente.
Sem esquecer que a concorrência está atenta e competitiva. Que o mercado sofre da falta de escala da economia portuguesa. Que a tecnologia e a forma de comunicar está em evolução acelerada, mudando comportamentos, gerando novos caminhos, obrigando a inovação e adaptação constantes.
Mantendo os atributos que enunciei no início, o desafio será por certo superado e, daqui a mais 8 anos e alguns meses, cá estaremos a celebrar o marco da “dupla centena” de Andar de Moto publicadas. Pessoalmente, tenho orgulho por ter colaborado em cerca de 40% dos números publicados. É uma honra e um privilégio.
Até porque se a Andar de Moto nasceu em junho de 2018, Viagens ao Virar da Esquina chegou 3 meses depois. E encontrámo-nos em fevereiro de 2019, na edição #9 da revista.
Para terminar, uma mensagem para nós, os leitores fiéis que todos os meses aguardamos aquele e-mail que anuncia a publicação de cada novo número. A idade e a experiência permitem-me hoje perceber melhor o que os meus pais me diziam quando, depois de os visitar, nos despedíamos:
- recomendava-me a minha mãe: “vai devagar para chegares depressa”. Ou seja, suficientemente devagar para chegar (sem percalços) e suficientemente depressa para o fazer “a tempo e horas” (sem a urgência de pressas ou atrasos);
- o meu pai complementava: “até à próxima, se não puder ser antes”. Porque ficava a promessa de logo, logo nos revermos.
É essa a mensagem que vos deixo: Vão devagar para chegar depressa e… até à próxima se não for antes!
PARABÉNS ANDAR DE MOTO! VENHAM MAIS 100.
andardemoto.pt @ 2-10-2026 17:46:17 - Henrique Saraiva
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