Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

O encanto dos Passeios de Chapa Amarelo

O caso de Chão de Codes, no passado dia 4 de outubro

Estamos em pleno outono, apesar das temperaturas amenas, e os Passeios de Motos, incluindo na versão conhecida como “Chapa Amarela” continuam a ser um sucesso, como este em que participei, em Chão de Codes.

andardemoto.pt @ 11-10-2026 11:00:00 - Pedro Pereira

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A designação chapa amarela remete para as chapas de matrícula dos ciclomotores, sendo que maioria dos veículos que participam eram, na sua génese, detentores de matrículas camarárias que foram depois “convertidos” para matrículas do tipo chapa amarela. Escrito de outra forma, a maioria dos participantes são veículos com cilindrada até 50 cc (pelo menos teóricos), mas o passeio está aberto a todas as cilindradas… ou não fosse um passeio inclusivo!

Onde fica Chão de Codes?

Claro que se forem perguntar ao Google ou à Inteligência Artificial obtêm logo a resposta, mas é perfeitamente normal que a maioria vós simplesmente desconheça onde fica esta simpática localidade. Tentando ajudar, localiza-se na União das Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, no Distrito de Santarém, mas já com nítidas influências beirãs, de tal modo que o concelho de Vila Rei começa logo ali ao lado.


O associativismo local está em alta e estes passeios são um bom exemplo disso, como outras iniciativas, tipo as festas de verão ou as caminhadas e em Chão de Codes esta já foi a décima segunda edição. Sendo ou não vítimas do próprio sucesso, o facto é que compareceram à chamada mais de 150 participantes, com uma simpática componente do sexo feminino e uma diversidade de idades muito maior do que seria de prever, com uma forte presença de jovens, o que é sempre de saudar e mostra que estes veículos têm futuro, depois de muitos anos de abandono…

O ponto de encontro é no Largo da Festa e é para aqui que todos convergem, sendo que pontualidade não é das maiores virtudes lusas e esse facto aqui ficou bem provado. Feitas as inscrições há logo um lauto pequeno almoço, incluindo várias iguarias da região, caso do presunto ou do pão caseiro, e após um breve briefing com explicações sobre o trajeto, a importância do cumprir o Código da Estrada e o respeito por quem faz a abertura e o “Vassouras”, fazemo-nos à estrada.


Como é esta região para quem gosta de andar de moto?

Respondendo de forma simples, é uma espécie de paraíso! Não há outra forma de o descrever. As paisagens são de cortar a respiração, há imensa natureza em estado quase puro e, na maioria dos casos, a qualidade do piso é boa, sendo que o facto de haver pouco tráfego ajuda a uma maior confiança diurna. Já durante a noite e períodos crepusculares tudo muda e o perigo está sempre à espreita por causa dos temíveis javalis que, além dos prejuízos na agricultura, causam inúmeros acidentes rodoviárias.

Considerando que a orografia do terreno é muito acidentada, os pequenos motores a 2 tempos sofrem bastante e libertam ainda mais fumo azulado, mas faz parte da festa. Então se a motorizada (há quem lhe chame martirizada, mas também cansada ou bonita) sofre ainda mais e pode, em alguns casos, ser mesmo necessário reduzir até à primeira velocidade!

Entre pinheiros, eucaliptos, pequenas aldeias…a primeira paragem do grupo é na Vila de Mação para reabastecimento… dos veículos! Nem toda a gente sai do ponto de partida com o depósito de gasolina atestado e estes veículos não são propriamente do mais económico que existe, sobretudo numa condução mais animada ou sem estarem nas melhores condições mecânicas.


Depois nova paragem, para reagrupamento, junto de um magnífico espelho de água e a verdadeira paragem dá-se um pouco mais à frente num dos ex-libris da região: a Praia Fluvial do Carvoeiro! Aqui há tempo para descontrair, beber uma bebida fresca, comer alguma coisa e até fazer algumas reparações mecânicas à beira do caminho, tipo trocar a vela que isola ou desmontar o carburador que está a perder gasolina…

O resto do trajeto é todo ele mais ou menos do mesmo teor e cada uma é livre de escolher o ritmo de velocidade que deseja. Para os mais apressados, por incrível que pareça, a melhor solução é ficar para trás e fazer o trajeto “de trás para a frente”, talvez até saindo depois do grosso do grupo!

Regressados Chão de Codes, com uma ou outra eventual avaria pelo caminho e até talvez uma pequena queda com direito a uma esfoladela, é chegada a hora do almoço. Há que saciar a fome! A volta foi longa quanto baste e agora há que repor as calorias perdidas até porque, para quem o desejar, a festa ainda não acabou!


A vertente mais ou menos religiosa e não só

Independentemente das convicções religiosas de cada um, da sua fé ou da ausência dela, o evento termina com uma missa solene e a bênção dos capacetes.

Não tem propriamente a dimensão do que acontece em Fátima (mais nenhuma tem, pois aquela é verdadeiramente única), mas o simbolismo está lá e depois, diga-se em abono da verdade, toda a ajuda é bem-vinda, seja ela divina ou terrena!

Participar nesta parte do evento fica à decisão de cada um, como é lógico, mas quem for tem pelo menos a consciência que é frágil e numa moto ainda mais e há aqui uma pontinha de irresponsabilidade e eu já nem sei quantas vezes escrevi sobre isso!

Segundo o conhecido “Sermão de Santo António aos Peixes”, pregado pelo Padre António Vieira, em 1654, no Brasil, o popular santo lisboeta (o tal das noivas e dos objetos perdidos) viu-se na contingência de pregar aos peixes… porque as pessoas não o queriam ouvir!

Isto vem ao facto de muitos dos participantes facilitarem. Não me refiro à sua forma de conduzir ou ao estado do veículo. É mesmo à falta de equipamento de proteção na condução. O dia estava agradável, apesar das ameaças de chuva, mas isso não pode ser desculpa para facilitar! Vi demasiados participantes em calções e t-shirt, sem luvas ou com calçado aberto!

Continuamos a simplificar em demasia! A acreditar que só vai acontecer aos outros até que um dia pode bem chegar a nossa vez, por muita experiência que tenhamos ou um conhecimento rigoroso das nossas estradas e veículos! Pele e alcatrão não combinam nada bem e uma queimadura solar pode deixar sequelas para o resto da vida!

Notas finais

Foi um dia particularmente bem passado. Entre motos, amigos, natureza e uma gastronomia de comer e chorar por mais!

Elementos desta natureza fazem parte da essência do motociclismo e, se quiserem ir um pouco mais longe, fazem parte da nossa vida!

Quanto à minha singela companheira de passeio foi uma magnífica e poderosa Famel XF-17! Com alguns “pozinhos” no motor e trouxe-me recordações muito boas das produções nacionais, caso da Sachs V5 ou da Casal Boss que ainda há pouco apresentámos nas Crónicas Nostalgia, já para não mencionar a sempre desejada, a japonesa Yamaha DT 50 que também estava bem representada no passeio, seja em estado original ou bastante alterada.

Fica a promessa que, para o mês de novembro, na crónica Nostalgia nos vamos debruçar sobre a eterna e inigualável XF-17 e Fogo A Moto É Linda!

Texto e fotos: Pedro Pereira

andardemoto.pt @ 11-10-2026 11:00:00 - Pedro Pereira

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