Teste Honda CB1000R Black Edition - Charme agressivo

Uma naked cheia de estilo que se destaca por um elevado prazer de condução

andardemoto.pt @ 13-7-2021 02:56:35 - Texto: Rogério Carmo | Fotos: Luis Duarte

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Honda CB1000R Black Edition 2021 | Moto | Naked

Num mundo em que as motos assumem cavalagens cada vez mais escandalosas, e cuja condução é cada vez mais exigente e tentadora face aos limites de velocidade legais, e muitas vezes também aos limites do bom-senso e civilidade rodoviária, algumas destacam-se por, além de serem capazes de imprimir andamentos rápidos bastante interessantes, permitirem também comportamentos descontraídos e confortáveis que deixem um motociclista disfrutar da paisagem ou partilhar a experiência, tranquilamente, com ou sem passageiro.

É o caso da nova Honda Honda CB1000R que recentemente tive oportunidade de testar, na distinta versão Black Edition. Bastante intervencionada relativamente à sua antecessora, lançada em 2018, a nova CB1000R ostenta alguns pormenores refinados que elevam o seu estilo para um nível de requinte muito superior, sobretudo nesta versão especial, completamente escurecida, com pormenores de acabamento bastante bem conseguidos à custa de elementos personalizados e outros maquinados que a tornam num produto inequivocamente “premium”, cheio de estilo.

Relativamente à versão base, esta Black Edition conta com pormenores exclusivos, em alumínio maquinado, nos braços das jantes, no monobraço oscilante, nas tampas do motor e nos suportes do guiador, sendo que também lhe são exclusivas a pintura negra da caixa do farol e o respectivo defletor, das bainhas da forquilha, assim como os resguardos do radiador, das tampas da caixa do filtro do ar (com acabamento anodizado), do escape e da ponteira.

A capa rígida do assento do passageiro e o sistema quickshifter (de mudanças rápidas) são igualmente exclusivas desta versão. O logótipo CB maquinado confere-lhe um toque extra de exclusividade.

Aos seus comandos tudo parece bater certo. A posição de condução bastante ergonómica e desafogada, as manetes com regulação, o guiador suficientemente largo e elevado, o assento confortável e com bastante apoio e os poisa-pés colocados em posição bastante desportiva, mas sem obrigar a uma excessiva flexão dos joelhos, são notáveis desde o primeiro momento.

O painel de instrumentos digital com 5 polegadas, em TFT a cores, é de alta visibilidade e oferece quatro ambientes diferentes à escolha, onde é exibida a muita informação disponível. O interface é composto por dois botões e um joypad instalados no punho esquerdo, que permitem navegar entre os diversos menus e selecionar as diversas configurações, de forma simples e bastante intuitiva.

Também incorporado no pacote electrónico da CB1000R está o sistema HSVC (Honda Smartphone Voice Control) que permite, via Bluetooth, ligar um smartphone e um sistema de intercomunicação do capacete e, por comandos de voz, gerir chamadas telefónicas, emails, músicas e ainda mais importante, ao sistema de navegação. E por isso desculpa-se a única ficha USB localizada debaixo do assento.

Para facilitar ainda mais a vida do seu condutor, os piscas da CB1000R também têm uma função de cancelamento automático, sendo que os traseiros incluem uma função de sinal de Alerta de Paragem de Emergência para que se acendam em caso de forte travagem, para avisar os outros utilizadores de uma eventual travagem de emergência.


A qualidade de construção e a atenção ao detalhe, sobretudo ao nível dos acabamentos, é mais um fator que chama a atenção e que torna esta naked extremamente interessante. 

O conforto proporcionado pelas suspensões e a relativamente boa proteção aerodinâmica (considerando que a Black Edition vem equipada com um pequeno defletor que cobre o painel de instrumentos), tornam a CB1000R num bom lugar para se estar, seja qual for a disposição ou o destino.

O motor, derivado do da CBR1000RR, está equipado com acelerador electrónico e um pacote electrónico que conta com modos de motor, selecionáveis em andamento e personalizáveis pelo condutor, que a ajudam a adaptar-se ainda melhor a cada tipo de utilização.

Com a regularidade e suavidade típicas dos tetracilíndricos da marca japonesa, a unidade motriz que propulsiona esta inconfundível Neo Sports Café funciona, na prática, como uma “dois em um”que permite andamentos a ritmos de passeio, mas que também, ao subir o regime de rotação, se transforma numa verdadeira máquina de tragar quilómetros, que encanta pelo seu desempenho dinâmico e por uma nota de escape muito interessante.

As retomas são vigorosas a qualquer regime, e nada menos seria de esperar de um débito de binário máximo de 104Nm que foi optimizado para uma faixa de utilização entre as 6.000 e as 8.000rpm, e de uma potência máxima de 143cv registada às 10.500rpm, que se mantém quase até ao limitador que corta perto das 12.000rpm.

Na prática a elasticidade é grande e quase que se pode ir em sexta velocidade até ao fim do mundo. Abaixo das 6.000 rpm a resposta é extremamente suave, mas a resposta é isenta de qualquer falha ou vibração e acima desse regime a resposta é vigorosa, não deixando qualquer dúvida da existência de tão grande cavalagem.

Felizmente a Honda conseguiu, finalmente, desenvolver um controlo de tracção eficaz que se revela muito pouco intrusivo, apesar de o elevado binário solicitar frequentemente a sua discreta e rápida intervenção, que se coaduna automaticamente ao modo de condução selecionado e que inclusivamente, apesar de pouco recomendado, poder ser desligado.

A caixa de velocidades, com relações curtas, permite explorar facilmente a faixa ideal de rotação, sendo de acionamento leve, com um quickshifter que se revelou um dos mais interessantes, entre os muitos que tenho tinho oportunidade de testar, mostrando-se extremamente preciso e capaz de passagens de caixa muito suaves, tanto em aceleração como em redução, mesmo na entrada da primeira relação a baixa velocidade, relegando o uso da embraiagem apenas para o arranque e a paragem.

Muito ágil, com a direção muito precisa e estável e uma brecagem bastante aceitável, a condução torna-se bastante intuitiva, sobretudo graças a um centro de gravidade muito baixo que facilita a inserção em curva e as manobra a baixa velocidade. O grande equilíbrio, com uma distribuição de massas de 48,5 e 51,5 por cento, faz esquecer o peso em ordem de marcha anunciado de 212kg. 


A suspensão é de uma eficácia extrema, absorvendo de forma notável as irregularidades do piso e conseguindo igualmente manter um bom desempenho quando enfrentam estradas de curvas em andamentos rápidos.

A forquilha Showa SFF-BP, de funções separadas e pistões de grande diâmetro, faz o amortecimento separado, com a hidráulica no lado esquerdo e a mola no lado direito, o que permite reduzir o peso e ainda assim ser adaptável às preferências de cada condutor, já que é totalmente regulável.

O amortecedor traseiro Showa possui igualmente afinação da pré-carga da mola e da velocidade de extensão.

Se a Honda pretendeu com isso cortar nos custos de produção, em boa hora o fez já que o seu desempenho se revelou excelente, não ficando em nada atrás de sistemas de marcas mais cotadas, sendo até eventualmente melhor!

Ainda para mais a travagem conta com o excelente desempenho dos pneus Michelin Power 5 que, também eles, se revelaram um boa surpresa.

Sem grandes exageros tecnológicos, nem gadgets exuberantes ou de utilidade duvidosa, a Honda CB1000R revelou-se uma moto bastante interessante para ser desfrutada e não menos admirada pelo seu charme agressivo. 

No entanto, em termos estéticos, há coisas que não me deixaram completamente convencido, e em termos de equipamento também poderia dizer que lhe falta a assistência de uma unidade de medição de inércia, que efectivamente promove uma maior confiança tanto no ABS como no controlo de tração, ou de uma suspensão com regulação electrónica que também potencia um melhor desempenho.

No entanto a Honda conseguiu assim manter o preço relativamente contido, posicionando a CB1000R, relativamente à sua concorrência mais directa, como uma das mais acessíveis opções do mercado.

Equipamento:

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Honda CB1000R Black Edition 2021 | Moto | Naked

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