A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC181

Passamos em revista a história da Honda na categoria rainha do Mundial de Velocidade. Fique a conhecer todas as Honda que competiram nos Grandes Prémios. Nesta primeira parte falamos da Honda RC181.

andardemoto.pt @ 28-5-2020 16:59:00


Ao longo da história da Honda no Mundial de Velocidade, as suas motos da categoria rainha, 500 / MotoGP, foram as que garantiram mais títulos e vitórias para o fabricante nipónico. Cada modelo enquadrou-se num período de tempo específico e com características concretas. Mas mantiveram sempre um denominador comum: tecnologia inovadora e vanguardista.

Desde o primeiro ano em que decidiram enfrentar os rivais nos maiores palcos mundiais de motociclismo de velocidade, até aos mais recentes triunfos de Marc Márquez em MotoGP, a Honda e o seu departamento de competição tem saboreado muitas vitórias com as suas diferentes motos de competição do Mundial de Velocidade.

No total a marca japonesa da “asa dourada” soma 21 títulos de pilotos, 25 títulos de construtores, e ainda detém um impressionante registo de 309 vitórias em corridas da categoria rainha.

Fique a conhecer, uma a uma, as motos de competição da Honda no Mundial de Velocidade. Uma história que começou em 1966 e que dividimos em seis partes. Nesta primeira parte falamos da Honda RC181.

Leia também – Parte 2 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NR500

Leia também – Parte 3 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NS500

Leia também – Parte 4 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500

Leia também – Parte 5 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500 “Big Bang”

Leia também – Parte 6 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC211V, RC212V e RC213V


Honda RC181 – 1966 e 1967


Título de pilotos - 0
Título de construtores – 1
Número de vitórias – 10

A RC181 foi a primeira moto da Honda para competir na categoria de 500 cc. Depois de uma trajetória recheada de êxitos nas restantes classes do Mundial de Velocidade, acumulando títulos e vitórias em 50, 125, 250, e 350, a Honda enfrentou em 1966 o desafio do Mundial de 500.

A entrada neste cenário coincidiu com a apresentação da CB450, a primeira Honda de estrada de grande cilindrada. Bons resultados no Mundial de 500 iriam dar um bom apoio publicitário para este modelo.

A RC181 foi a Honda mais potente criada até então. O seu motor de quatro cilindros em linha com distribuição DOHC e cabeças de quatro válvulas, tinha uma cilindrada de 489 cc. Oferecia uma potência de 85 cv às 12.500 rpm, e era capaz de alcançar os 275 km/h de velocidade máxima.

A Honda dominou as duas primeiras corridas do Mundial de 1966 pelas mãos de Jim Redman, que já tinha alcançado títulos (6) nas categorias 250 e 350, para além de 43 vitórias em 125, 250 e 350. Como forma de agradecimento, a Honda entregou-lhe uma RC181 para tentar culminar a sua carreira desportiva com um título na categoria rainha, pois Redman, com 34 anos, pensava em retirar-se.

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Os triunfos de Redman em Hockenheim e Assen não deixaram dúvidas. Na terceira corrida, em Spa, e no meio de uma enorme tempestade com chuva, trovões e relâmpagos, sem conseguir ver nada à sua frente por causa da água levantada pelos pneus de Agostini e Hailwood, Redman saiu da trajetória e passou por um enorme charco de água a 250 km/h. Sofreu uma queda terrível, e o braço sofreu uma fratura complicada. Seis semanas depois voltou a pilotar, mas o seu braço não estava curado, e optou por retirar-se.

A ausência de Redman deixou Hailwood como o único piloto Honda nas 500. Hailwood também corria nas 250 e 350 com motores seis cilindros. Conseguiu diversas vitórias nas corridas seguintes, mas a ausência de bons resultados no início da temporada fez com que não tivesse hipóteses de lutar pelo título, que foi parar às mãos de Giacomo Agostini.

O bom desempenho da Honda RC181 garantiu cinco vitórias em nove corridas. Permitiu à Honda conquistar o título de fabricantes numa temporada excecional, pois obteve esse mesmo prémio em todas as categorias do mundial.

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Em 1967, a Honda concentrou-se exclusivamente nas 250, 350 e 500. A RC181 manteve a mesma configuração, mas sofreu uma série de melhorias. A cilindrada subiu até aos 499 cc. Durante a temporada recebeu uma série de modificações como um novo quadro, para maior rigidez, que era basicamente a única melhoria pedida por Hailwood, para além de um cárter mais leve em magnésio.

Problemas de caixa nas corridas de Sachsenring e Monza roubaram a Hailwood duas vitórias que pareciam garantidas, e terminou o ano igualado em pontos e vitórias com Agostini. O título decidiu-se a favor do italiano por causa dos segundos lugares conquistados. O mesmo sucedeu na classificação de fabricantes entre a Honda e MV Agusta.

Depois de concluída a temporada de 1967, foram anunciados novos regulamentos, que limitavam o número de cilindros e velocidades em cada categoria. Apenas a RC181 se iria manter dentro destes regulamentos. Em fevereiro de 1968, a Honda anunciou a retirada do Mundial de Velocidade, e a RC181 nunca mais competiu.

andardemoto.pt @ 28-5-2020 16:59:00


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