A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NS500

Passamos em revista a história da Honda na categoria rainha do Mundial de Velocidade. Fique a conhecer todas as Honda que competiram nos Grandes Prémios. Nesta terceira parte falamos da Honda NS500.

andardemoto.pt @ 31-5-2020 10:00:00


Ao longo da história da Honda no Mundial de Velocidade, as suas motos da categoria rainha, 500 / MotoGP, foram as que garantiram mais títulos e vitórias para o fabricante nipónico. Cada modelo enquadrou-se num período de tempo específico e com características concretas. Mas mantiveram sempre um denominador comum: tecnologia inovadora e vanguardista.

Desde o primeiro ano em que decidiram enfrentar os rivais nos maiores palcos mundiais de motociclismo de velocidade, até aos mais recentes triunfos de Marc Márquez em MotoGP, a Honda e o seu departamento de competição tem saboreado muitas vitórias com as suas diferentes motos de competição do Mundial de Velocidade.

No total a marca japonesa da “asa dourada” soma 21 títulos de pilotos, 25 títulos de construtores, e ainda detém um impressionante registo de 309 vitórias em corridas da categoria rainha.

Fique a conhecer, uma a uma, as motos de competição da Honda no Mundial de Velocidade. Uma história que começou em 1966 e que dividimos em seis partes. Nesta terceira parte falamos da Honda NS500.

Leia também – Parte 1 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC181

Leia também – Parte 2 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NR500

Leia também – Parte 4 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500

Leia também – Parte 5 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500 “Big Bang”

Leia também – Parte 6 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC211V, RC212V e RC213V


Honda NS500 – 1982 a 1985


Título de pilotos – 1 (Freddie Spencer em 1983)
Título de construtores – 1 (1983)
Vitórias - 13

Paralelamente à evolução da NR500, a Honda colocou em marcha um projeto para entrar no Mundial de 500 com uma moto e um conceito de motor totalmente novo para a marca: um motor de dois tempos. A Honda já tinha experiência com este tipo de motores no “off road”, mas nunca os tinha usado numa moto de Grande Prémio.

Uma análise detalhada realizada por Youichi Oguma, vice-presidente da Honda Racing Corporation (HRC) em 1981, concluiu que das várias hipótese que poderiam usar na nova moto de competição, a melhor seria a V3. Nesse momento os motores quatro cilindros da Suzuki e Yamaha ofereciam mais potência, mas o V3 tinha um peso menor e outras vantagens como uma melhor aceleração.

Desde o momento em que optaram pelo V3, os engenheiros da Honda trabalharam sem descanso para ter o protótipo pronto antes do fim de 1981. Era uma moto muito ligeira, pesava apenas 128 kg, e a sua potência original estava nos 112 cv, inferior à potência das suas rivais, mas as vantagens na agilidade e aceleração compensavam a diferença.

A NS500 também se diferenciava das suas rivais pela admissão por lamelas e pela cambota que reduzia a fricção e o peso. O quadro, um multitubular em aço, foi substituído a meio da temporada por um tubo de alumínio de secção quadrada.

Leia também - Honda: Uma história de evolução e liderança (1ª parte)



Nas mãos do talentoso Freddie Spencer, a NS500 foi competitiva desde a sua estreia no Grande Prémio da Argentina, onde terminou em terceiro atrás das Yamaha de Kenny Roberts e Barry Sheene. A primeira vitória não demorou muito a aparecer, foi na Bélgica, a sétima corrida do ano, e em São Marino conseguia um segundo triunfo e Spencer conseguiu terminar o campeonato em terceiro. Um excelente resultado para ele e para a moto, ambos estreantes.

Em 1983 a Honda manteve o conceito NS500, enquanto a Yamaha, a sua principal rival, antecipava o motor V4 para criar a moto mais potente do campeonato. Mas a evolução da NS500 não parou: o conjunto ficou mais ligeiro e alteraram a distribuição de pesos, incorporou-se o sistema de escape ATAC que garantia mais potência a baixos regimes, melhorando a aceleração à saída das curvas, o que permitia à Honda não perder tanto para as mais potentes quatro cilindros, pois apesar de tudo, e com 130 cv, a NS500 estava dez cavalos abaixo das rivais.

Em muitos aspetos, a temporada de 1983 e o despique entre Spencer e Kenny Roberts recordava em muitos aspetos o duelo Hailwood e Agostini em 1967, pelo equilíbrio, e porque a diferença de pontos entre os dois foi mínima. Spencer e a Honda conseguiram sagrar-se campeões na classificação de pilotos e fabricante. O segundo para a Honda nas 500 cc, e o primeiro de um piloto da marca na categoria máxima.

Leia também - Honda: Uma história de evolução e liderança (2ª parte)


Para a temporada 1984, a Honda apresentou uma nova moto, a NSR500, a primeira V4 de dois tempos. Mas mesmo assim a NS500 manteve a sua presença no mundial, chegando a vencer mais uma corrida, na Alemanha, por Spencer, e outras duas por Randy Mamola, que somaria mais uma vitória em 1985.

Em simultâneo, a Honda começou a produzir em 1984 as primeiras motos “competição cliente”, denominadas de RS500, fabricadas à imagem e semelhança da NS500 campeã. A grelha das 500 encheu-se com estas motos eficientes, que permitiram a uma grande quantidade de pilotos privados obter material de qualidade para chegar a competir, em determinados momentos, com as motos e pilotos de fábrica.

andardemoto.pt @ 31-5-2020 10:00:00


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