A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC211V, RC212V e RC213V

Passamos em revista a história da Honda na categoria rainha do Mundial de Velocidade. Fique a conhecer todas as Honda que competiram nos Grandes Prémios. Nesta sexta parte falamos das Honda de MotoGP: RC211V, RC212V e da RC213V.

andardemoto.pt @ 6-6-2020 10:00:00


Ao longo da história da Honda no Mundial de Velocidade, as suas motos da categoria rainha, 500 / MotoGP, foram as que garantiram mais títulos e vitórias para o fabricante nipónico. Cada modelo enquadrou-se num período de tempo específico e com características concretas. Mas mantiveram sempre um denominador comum: tecnologia inovadora e vanguardista.

Desde o primeiro ano em que decidiram enfrentar os rivais nos maiores palcos mundiais de motociclismo de velocidade, até aos mais recentes triunfos de Marc Márquez em MotoGP, a Honda e o seu departamento de competição tem saboreado muitas vitórias com as suas diferentes motos de competição do Mundial de Velocidade.

No total a marca japonesa da “asa dourada” soma 21 títulos de pilotos, 25 títulos de construtores, e ainda detém um impressionante registo de 309 vitórias em corridas da categoria rainha.

Fique a conhecer, uma a uma, as motos de competição da Honda no Mundial de Velocidade. Uma história que começou em 1966 e que dividimos em seis partes. Nesta sexta parte falamos das Honda de MotoGP: RC211V, RC212V e RC213V.

Leia também – Parte 1 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: RC181

Leia também – Parte 2 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NR500

Leia também – Parte 3 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NS500

Leia também – Parte 4 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500

Leia também – Parte 5 – A história das Honda da categoria rainha do Mundial de Velocidade: NSR500 “Big Bang”

A saga do MotoGP


Honda RC211V – 2002 a 2006
Título de pilotos: 3 (Valentino Rossi 2001 e 2002/ Nicky Hayden 2006)
Título de construtores: 4 (2002-2003-2004-2006)
Vitórias: 48

Honda RC212V – 2007 a 2011
Título de pilotos: 1 (Casey Stoner 2011)
Título de construtores: 1 (2011)
Vitórias: 24

Honda RC213V – 2012 a 2019
Título de pilotos: 6 (Marc Márquez 2013-2014-2016-2017-2018-2019)
Título de construtores: 7 (2011-2013-2014-2016-2017-2018-2019)
Vitórias: 81

A chegada da categoria MotoGP ao Mundial de Velocidade alterou por completo o desenho técnico das motos. A reintrodução do motor quatro tempos propiciou a chegada de uma nova tecnologia em que a eletrónica passava a ter uma grande importância como um elemento de controlo sobre a enorme potência dos motores.

Desde que começou o MotoGP, a Honda conta com três gerações de motores: 990 cc de 2002 a 200, 800 cc de 2007 a 2011, e 1000 cc de 2012 até ao momento.

A primeira Honda de MotoGP foi a RC211V, que contava com um motor de cinco cilindros em V a 75,5º, com uma potência de 220 cv às 15.500 rpm, mas que em determinadas configurações podia atingir os 235 cv. A velocidade máxima era superior a 330 km/h. A injeção eletrónica veio para ficar, embora alguns fabricantes se tivessem iniciado em MotoGP ainda com motores com carburador.

O rendimento da RC211V nas duas primeiras temporadas foi inquestionável: das 32 corridas realizadas, a Honda venceu 29. Nesses dois anos Rossi foi campeão, enquanto a Honda somou mais dois titulos de construtores.

Leia também - Honda: Uma história de evolução e liderança (1ª parte)



A evolução da Honda RC211V foi continuando, e a versão de 2003 tinha uma potência de 230 cv às 15.800 rpm, recebendo pequenas melhorias na suspensão traseira (bielas por cima do braço oscilante), mas é em 2005 que acontece uma grande transformação, com o quadro a ser trabalhado para conferir estabilidade em travagem e mais tração à saída das curvas.

Sempre com bastante potência, o motor da RC211V continuou a melhorar até atingir perto dos 250 cv a mais de 16.000 rpm.

O aumento da aderência lateral dos novos pneus provocou o aparecimento de “chattering” que os engenheiros combateram com medidas pontuais.

Em 2006, o motor já atingia as 16.500 rpm e alcançava os 250 cv. A Honda desenvolveu dois tipos de motos: a utilizada até então, denominada de original, e uma mais compacta, conhecida como “nova geração”, com um motor de cárter mais pequeno e um quadro mais comprido e que se revelou extremamente eficiente. Em 2006 Nicky Hayden foi campeão e a Honda recuperou o título de construtores.

Leia também - Honda: Uma história de evolução e liderança (2ª parte)


Em 2007 teve início a segunda geração das MotoGP, com motores de 800 cc. A Honda desenvolveu a RC212V com motor V4 a 75º, e apesar da enorme redução de cilindrada, este motor era capaz de gerar uma potência de 220 cv à custa de regimes de rotação mais elevados e que levaram ao limite os sistemas de distribuição convencionais, com molas de titânio. Os registos das poderosas 990 cc não tardaram em ser superados.

A RC212V de 2008 incorporou um sistema de distribuição pneumática, que permitia alcançar regimes de rotação de 18.000 rpm. O motor era ainda mais compacto do que o anterior, modificaram a admissão, tinha um novo quadro, com um braço oscilante reforçado por baixo. O regulamento de MotoGP iniciou então um aumento progressivo do peso mínimo das motos, que era de 148 kg em 2008 e que chegou aos 157 kg depois de diversas modificações, o que apresentou diversos desafios aos engenheiros.

O período de 2009 e 2010 é o mais complicado para a RC212V, com algumas vitórias mas um rendimento abaixo do esperado. Em 2011 a Honda introduz outra tecnologia que se tornará referência na categoria: as caixas “seamless”, que permitia a engrenagem de duas relações de caixa, o que tornava a transmissão mais eficiente e trocas de caixa mais rápidas.

O bom rendimento da RC212V culmina na última temporada da geração 800 cc com Casey Stoner a conseguir o título, e a RC212V alcança 13 vitórias em 17 corridas realizadas.



A partir de 2012 entra em vigor uma nova regulamentação, que se mantém atualmente, e que elevou os motores até aos 1000 cc. A Honda coloca em pista uma nova moto, a RC213V, que mantém a mesma configuração de motor da antecessora, um V4, mas com o ângulo de abertura do V a atingir os 90º. A potência era de 250 cv a mais de 17.000 rpm.

A RC213V mostrou um excelente rendimento desde o primeiro momento, e alcançou o título de construtores em todas as temporadas à exceção de 2015. Ao mesmo tempo acumulou nada menos do que seis títulos de pilotos, pelas mãos de Marc Marquez, que chegou ao MotoGP em 2013.

Em 2014 a presença da Honda aumentou em MotoGP com a chegada da RCV1000R, uma moto “competição cliente”, desenhada e criada à imagem da moto de fábrica mas para competir na categoria Open, que utilizava uma centralina única, e que seria depois usada em todas as motos a partir de 2016.

A RCV1000R tinha uma potência de 235 cv às 16.000 rpm, mas não tinha válvulas pneumáticas nem caixa “seamless” para reduzir os custos de manutenção.

A chegada da centralina única em 2016 não alterou a eficiência da RC213V. Desde então a moto garantiu os títulos de pilotos e construtores, convertendo-se na moto mais eficiente da história de MotoGP, já que soma 81 das 153 vitórias conseguidas pela Honda nesta categoria.

andardemoto.pt @ 6-6-2020 10:00:00


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