Motos elétricas e o papel na mobilidade sustentável

Associação Europeia de Fabricantes de Motos divulgou um trabalho em que revela a importância das motos elétricas ao nível da mobilidade sustentável, e deixa recomendações sobre as medidas que devem ser adotadas pelos países membros da União Europeia.

andardemoto.pt @ 4-6-2020 12:01:59

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Partindo de estudos que apontam que 60% da população mundial irá viver nas cidades em 2030, e com alguns especialistas da indústria automóvel a prever que nessa altura o número atual de 1,2 mil milhões de automóveis terá duplicado, fica claro que as atuais infraestruturas rodoviárias serão insuficientes para responder às necessidades de mobilidade.

É por isso necessário repensar a forma como nos movimentamos. Diversos governos têm tomado algumas medidas para seguir um caminho de mobilidade sustentável. E a União Europeia tem também tomado decisões nesse sentido.

Neste caminho para uma mobilidade sustentável, as motos têm um papel extremamente relevante para encontrarmos uma solução, particularmente nos meios urbanos.

Poluem menos, ocupam menos espaço físico, quer na estrada, o que evita engarrafamentos, quer nos locais onde ficam estacionadas, o que permite desenvolver as cidades de uma forma mais amigável para os cidadãos e meio ambiente. As motos, e em particular as motos elétricas, têm por isso um papel extremamente relevante no contexto da mobilidade sustentável.

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Num trabalho divulgado pela Associação Europeia de Fabricantes de Motos – ACEM, este papel das motos elétricas no futuro da mobilidade fica bem explícito.

Embora as previsões para vendas de veículos elétricos continuem a apresentar números bastante inferiores em comparação com veículos a combustão, mais acessíveis, esta tendência deverá mudar em breve. Especialmente no contexto urbano.

Numa utilização urbana, as distâncias a percorrer são mais curtas, e as pessoas não têm tanta preocupação com a autonomia das baterias. A ACEM aponta para a crescente oferta de motos elétricas por parte dos diversos fabricantes. Mas os legisladores deverão ter em conta que as motos a combustão, que já têm um impacto bastante reduzido, ainda têm um papel importante no nosso futuro.

A nível europeu, as vendas de motos elétricas em 2019 representaram apenas 4,93% do total do mercado de duas rodas. Foi um crescimento de 71% relativamente ao ano anterior. Mas ainda assim, são números bastante baixos, e por isso a ACEM apresenta algumas medidas.

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Infraestrutura de carregamentos adequada
Uma estrutura de carregamento harmonizada nos Estados Membros é um pre-requisito para aumentar as vendas de motos elétricas na União Europeia.

De acordo com o Observatório Europeu de Combustíveis Alternativos, dos cerca de 160.000 postos de carregamento existentes na Europa, 75% estão concentrados em apenas cinco países: Holanda, França, Noruega, Alemanha e Reino Unido.

A perceção negativa do público em relativamente à autonomia das baterias e performance, faz com que as motos elétricas sejam menos atraentes do que motos com motor de combustão interna. Apenas com a criação de uma infraestrutura de carregamento harmonizada poderemos assistir a uma mudança da perceção do público, pois só assim os consumidores terão resposta adequada para as suas necessidades.

Nesse sentido, a ACEM pede à União Europeia que promova o investimento que leve ao desenvolvimento, em grande escala, de infraestruturas de carregamento nos diversos Estados Membro. O objetivo é estimular os consumidores a aceitarem as motos elétricas.

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Incentivos para aquisição de motos elétricas
Mobilidade acessível continua a ser um problema para muitos cidadãos europeus. A Agência Europeia do Ambiente aponta para que a implementação de incentivos e impostos adequados pode melhorar as vendas de motos elétricas.

Uma moto elétrica pode ser a forma de uma família começar a usar veículos elétricos. São menos dispendiosos do que um automóvel elétrico, e podem perfeitamente percorrer distâncias urbanas sem qualquer problema.

As motos elétricas poderão ser algo que faça os cidadãos confiarem na tecnologia dos veículos elétricos, para além de serem um primeiro passo na criação e instalação de infraestruturas caseiras para carregamento de veículos elétricos.

A ACEM recomenda aos Estados Membros que sejam criados esquemas de incentivos fiscais positivos. Isso levará os consumidores a mudar a sua visão e opinião em relação às motos elétricas.

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Restrições à circulação
Se olharmos para a implementação de restrições à circulação nos meios urbanos, muitos governos estão a adotar medidas iguais para todos os veículos. Isso poderá, em alguns casos, impedir a circulação de motos elétricas.

A própria União Europeia reconhece no seu Pacote de Mobilidade Urbana que, embora as decisões relativas às restrições de circulação sejam tomadas a nível local, existe o potencial de se obter melhores resultados se existirem decisões concertadas a nível europeu.

Neste particular, a ACEM não exclui as motos com motores a combustão interna.

As motos, elétricas ou não, são muito mais pequenas do que os automóveis e isso permitirá reduzir os congestionamentos de trânsito, e permitir às cidades encontrar soluções diferentes ao nível do estacionamento. As medidas de restrição à circulação deverão ter em conta as dimensões e peso das motos.

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Mitigar os problemas no carregamento
O impacto da utilização de motos elétricas não se verificará apenas ao nível do setor dos transportes. Também o setor energético terá de se adaptar à nova realidade.

A rede elétrica já se encontra atualmente em carga excessiva. Por isso, e sem negligenciar a implementação de medidas que visem atualizar a rede elétrica europeia para aguentar com a maior necessidade energética, a ACEM destaca a rapidez nos tempos de carga das motos elétricas. Para além disso, as motos elétricas necessitam de menos eletricidade do que outros veículos elétricos, e isso significa menos carga na rede elétrica.

Vários fabricantes de motos elétricas têm já algumas soluções interessantes para responder a este problema. Por exemplo, através do uso de baterias removíveis.

Motos elétricas que permitem remover a bateria descarregada e trocar por uma bateria carregada, ajudam a evitar picos de sobrecarga na rede elétrica. É assim possível harmonizar a necessidade energética ao longo do dia em vez de a concentrar num determinado período de tempo.

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Economia Circular
As motos elétricas, tal como os restantes tipos de veículos elétricos, necessitam de baterias para funcionar. O fabrico, vida útil e a eliminação das baterias são alguns dos problemas que muitas vezes são apontados aos veículos elétricos.

De acordo com a ACEM, o impacto das baterias poderá ser significativamente reduzido se a União Europeia adotar uma Economia Circular.

Em relação a isto, a própria Agência Europeia do Ambiente confirma a importância de se criar um programa a nível europeu para a reciclagem, reutilização e também a produção das baterias.

Nos próximos anos deverão ser implementadas regulamentações (inclusivamente a nível financeiro) que permitam encontrar e disponibilizar materiais provenientes de países europeus, necessários à produção de baterias. Em paralelo, a União Europeia deverá também adotar políticas mais intensas de reutilização e controlo mais apertado sobre o ciclo de vida de uma bateria.

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