Pedro Pereira

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Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

Opinião - Lições da Pandemia

A pandemia mais ou menos generalizada e à escala global tem vindo a dar sinais de abrandamento, nomeadamente graças às vacinas, mas a situação ainda está longe de estar controlada.

andardemoto.pt @ 26-8-2021 11:03:39 - Pedro Pereira

Ano da Graça de 2021. Sétimo mês do calendário Gregoriano ou quinto do calendário Juliano. A pandemia mais ou menos generalizada e à escala global tem vindo a dar sinais de abrandamento, nomeadamente graças às vacinas, mas a situação ainda está longe de estar controlada.

Esta introdução, mais ou menos fantasiosa e a apontar para épocas passadas, pode ser vista como uma forma divertida para nos fazer pensar, positivamente, que a pandemia causada pela Covid 19 pode estar a tornar-se algo similar a uma gripe mais ou menos sazonal. Contudo, ainda está distante do epílogo e ninguém sabe quando tal vai ocorrer.

Por outro lado, os seus efeitos, incluindo os colaterais, acabam por atingir tudo e todos, mesmo que de formas diferentes, e o mundo das motos não é exceção.

O que mudou…

É do senso comum que a Covid 19 mudou muito as nossas vidas e vai continuar a mudar, goste-se ou não! 2020 foi um ano completamente atípico e a avaliar por 2021, que já vai a mais de meio, também será um ano estranho, para ser simpático.

À parte toda a mudança de hábitos e comportamentos, como o distanciamento social, o uso de máscara, o regresso da “telescola” ou a necessidade de lavar frequentemente as mãos, acabámos por nos isolar como nunca e por restringir os nossos contatos físicos, apostando no virtual a uma escala que até aqui era perfeitamente desconhecida! 

Só não me peçam para andar de moto virtualmente! Certamente tem os seus encantos, mas não para mim! Conheço casos de quem passava horas na garagem de volta da moto  a olhar para ela ou agarrado a uma consola a jogar Moto GP ou MXGP 3!

Quem anda de moto, por exemplo, uma média de 15.000 ou 20.000 km/ano descobriu que nos últimos 12 meses, se calhar, existe ali um zero a mais! Quantos de nós verificámos que as distâncias percorridas caíram a pique, talvez até para menos de metade? Eu sou uma dessas pessoas e não me orgulho disso!

Com o confinamento quase não realizámos viagens, muitos estiveram e ainda estão em teletrabalho e, desgraçadamente, há quem tenha ficado sem trabalho ou se tenha visto forçado a mudar rotinas e hábitos, incluindo definir prioridades que podem ter passado até pela venda da moto ou deixar que fique encostada a um canto!

Claro que pode ter havido alguma redução de custos em gasolina (que está a um preço absurdo, diga-se de passagem), portagens ou pneus, mas é fraco consolo! Até porque muitas baterias “morreram” ou tivemos de adquirir um carregador/otimizador e podem até ter surgido pequenas situações indesejáveis de fuga de fluidos ou ferrugem, por exemplo nos discos de travão ou na corrente de transmissão por falta de uso.

Para piorar, o valor que nos cobram de IUC continua o mesmo e no seguro é provável que também, tal como nas prestações do crédito. Mesmo as moratórias são uma espécie de cuidados paliativos que não vão durar para sempre! 



Até em termos de manutenção temos decisões complicadas: se a revisão é a cada 12 meses ou x km’s e nem fizemos metade dessa quilometragem… será que podemos adiar a revisão? Em caso afirmativo, como será se for necessário acionar a eventual garantia? Estender por 3 ou 4 meses a revisão pode ser danoso para a mecânica? E mudar fluídos com apenas 3 ou 4.000 km não é um atentado ao ambiente? Que lhe parece, Caro/a Leitor/a?

O próprio medo de um eventual acidente tem feito que andemos menos de moto. Correr o risco de ter de ser hospitalizado num período em que os recursos têm estado, e bem, mais direcionados para a pandemia e poder sair de lá com um presente indesejado certamente que não está nos planos de ninguém!

E, já agora, foi vacinar-se, partindo do pressuposto que está na faixa etária visada? Ou, pelo contrário, é um negacionista que vê conspirações em todo o lado e teme que estejam a fazer de si uma cobaia ou a injetar-lhe um qualquer microchip?

Mesmo em termos desportivos, de concentrações e mototurismo, tem sido uma lástima, passe o exagero! Muitas competições simplesmente não se realizaram, outras foram sendo adiadas, já para não mencionar nas que se vão concretizando sem público, com grande pena nossa!

Um dos poucos grandes eventos que se “safou” foi mesmo a 23.ª edição do Portugal Lés a Lés, para mim de tão boa memória, mais ainda por ter sido a primeira participação, mas mesmo essa foi um risco e, do que presenciei, nem sempre as regras foram cumpridas. Veremos se a versão off-road, prevista para outubro, se vai mesmo concretizar.

A própria apresentação de novos modelos, de equipamentos, de acessórios… tem penado bastante e todos os operadores sabem disso, apesar de as vendas não terem sofrido assim tanto, mas esta incerteza é má para todas as partes envolvidas.

Mesmo os salões e exposições têm sido afetados pela situação pandémica. Se o maior de todos (EICMA, em Milão) se vier a realizar de 25 a 28 de novembro, como previsto, já sabemos que há marcas que não vão estar oficialmente presentes e vão apostar exclusivamente no virtual.

Pode ser um caminho sem retorno, infelizmente! Para muitos de nós nada substitui o toque, o poder sentar-se, o ver com detalhe, ou seja, o uso dos diferentes sentidos, algo que é radicalmente diferente no mundo digital!


Aproveitar enquanto podemos!

António Mourão cantava como ninguém o célebre tema “Ó tempo volta para trás”, mas ele sabia, tal como todos nós, que não volta, ao contrário do sol que “volta todas as manhãs”!Eu próprio digo muitas vezes que, não me arrependo do que fiz, mas daquilo que não fiz e creio não ser caso isolado! 

Não interessa se foi não ter ido fazer aquela viagem de moto aos EUA, não ter tirado aquele curso de mecânica “para totós””, assistido ao concerto do Ennio Morricone em Portugal, comprado aquela moto que tanto queria e foi vendida num ápice ou não ter dito aquela pessoa o quanto a amava e agora ser tarde demais porque ela já encontrou alguém…

Não precisamos de viver numa lógica hedonista de carpe diem, de aproveitar cada dia como se fosse o último (alguma vez acabaremos por acertar), mas também não temos que andar sempre a privarmo-nos de pequenos prazeres e alegrias que a vida nos vai dando e aqui as motos merecem um lugar de destaque, felizmente!

As escolas de condução estão, finalmente, a recuperar a atividade de forma quase normal. Se ainda não tem… pense em ir tirar a carta! 



Se o dinheiro anda mesmo curtinho… mesmo uma moto de baixa cilindrada ou velhinha dá para ter boas sensações e vibrações e pode ser apenas uma voltinha pequena em vez de uma ida ao Cabo Norte, mas não se prive desse prazer, pelo menos enquanto um hipotético confinamento mais severo não nos voltar a atingir!

Estão a chegar as férias, se puder, aproveite nem que seja apenas 2 ou 3 dias para fugir de moto! Faça uma pequena escapadinha, só ou acompanhado, mas faça-o! Vai ser bom para Si e para os que o rodeiam! A N2 pode ser uma excelente opção e agora sem “aglomerados” de gente!

Não faço ideia se está a caminho uma nova estirpe eventualmente mais contagiosa ou mortal e “imune” às vacinas existentes. Se continuarem a surgir a este ritmo, esgotam as letras do alfabeto grego (são pelo menos 10 as estirpes já identificadas). Nem sequer sei se o facto de já ter tomado a segunda dose me oferece mais alguma confiança, mas continuo a ter todos os cuidados que, como os caldos de galinha (sobretudo se for caseira), nunca fizeram mal a ninguém!

Da minha parte vou continuar a andar de moto sempre que me for possível! Fica o convite para ir fazer o mesmo!

andardemoto.pt @ 26-8-2021 11:03:39 - Pedro Pereira


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