Teste Aprilia SRV 850 - até se passam!
Uma maxi-scooter com prestações superiores a muitas, mas mesmo muitas, motos? É difícil de acreditar. Mas existe!
andardemoto.pt @ 27-11-2016 15:21:54
As scooters são, sem sombra de dúvida, o género de duas rodas mais conveniente para uma utilização urbana.
Fáceis de conduzir, económicas e confortáveis, disponibilizam normalmente espaço para arrumação e boas condições para um passageiro. No entanto, estão normalmente limitadas no seu raio de acção devido ao geralmente fraco desempenho do motor e ciclística. Mas há excepções.
Diversas marcas produzem verdadeiras maxi-scooters de alta cilindrada que já permitem fazer umas boas viagens. É o caso, por exemplo, da Kymco Downtown 300 ou da Kymco Xciting 400 (pode clicar nas ligações para ver os testes que lhes efectuámos) ou de outras como a Suzuki Burgman 650.
E depois ainda há um nível acima, a que se deveria chamar super scooters, que nada ficam as dever à maioria das motos nem em termos de potência nem em termos de comportamento da ciclística, como é o caso da Honda Integra 750, das BMW C650 Sport ou GT, ou da Yamaha T-Max 530, todas elas já testadas pelo andardemoto.pt (clique nas ligações para ver os testes).
Neste último grupo, faltava-nos precisamente testar aquela que reclama para si o título de mais rápida e potente scooter do mercado: a Aprilia SRV850.
Efectivamente é a única scooter a oferecer um motor V2, com uma mecânica mais do que comprovada ao longo dos 4 anos que tem no activo (inclusivamente antes até, já que o seu motor, devidamente actualizado, é o mesmo que equipava a Gilera GP800 até 2011).
Basta olhar para ela para se perceber que fala em termos desportivos. A óptica frontal replica a frente das motos mais rápidas da casa de Noale: a Aprilia Tuono e a Aprilia RSV4, e as linhas esguias, a terminarem no farol traseiro herdado da Aprilia Dorsoduro 1200 emprestam-lhe o gene rebelde, pouco preocupado com confortos, mas extremamente empenhado em andar rápido. Muito rápido.
Mal se liga o motor, o som do escape fala-nos às entranhas. Mal se roda o punho, a aceleração proporcionada pelos 76cv de potência é contundente seja a que rotação fôr, e num semáforo, é giro imaginar a cara dos outros motociclistas ao verem a SRV a arrancar sem dar a mínima hipótese. Se desligarmos o controlo de tracção podemos até dar-nos ao luxo de fazer uns “burnouts”, só mesma naquela…
Mas não é só o motor que encanta... O variador contínuo (CVT) da transmissão automática apresenta um funcionamento irrepreensível, de resposta muito rápida, ao nível da resposta do bicilíndrico.
A travagem dotada de sistema ABS é potente, muito doseável e incansável, a cargo de discos de 300mm e de maxilas Brembo série “Oro”, com tubagens revestidas a malha de aço, e as manetes são ambas reguláveis.
A estabilidade em recta, a alta velocidade, é irrepreensível e em curva, graças ao quadro em treliça de tubos de aço com o motor a servir de elemento estruturante, e à forquilha de 41mm de diâmetro, o seu comportamento é bastante bom, sem apresentar ondulações, e com a frente bastante incisiva a proporcionar muita confiança. A suspensão é firme, mas muito confortável. Reage bem aos pisos mais irregulares, e o amortecedor traseiro permite regulação em pré-carga.
A posição de condução é muito ergonómica, com bastante espaço para as pernas e a permitir diversas posições para os pés, e o espaço é mais do que suficiente para qualquer condutor de grande porte, e o mesmo é válido para o passageiro.
O painel de instrumentos é muito agradável, completo e de fácil leitura. Os espelhos retrovisores oferecem uma grande visibilidade, e a iluminação é potente.
A boa e irresistível resposta do motor de 839,3cc, dotado de quatro válvulas e duas velas por cilindro, e o facto de facilmente atingir velocidades muito perto dos 55 metros por segundo, faz com que o consumo possa subir substancialmente, numa proporção direta ao tamanho do sorriso, e a autonomia prática proporcionada pela capacidade de 18,5 litros do depósito pode ficar reduzida a pouco mais de 200km.
Mas com uma condução regrada, podem facilmente conseguir-se valores bastante mais interessantes, já que o fabricante reclama consumos a rondar os 6 litros aos 100km.
Também o motor em “V” a 90º rouba precioso espaço de carga, havendo debaixo do assento arrumação para apenas um capacete integral. Facto agravado pela inexistência de porta-luvas ou de qualquer outro compartimento de arrumação que permita “despejar” os bolsos. No entanto, tem uma tomada de 12V e o porta-bagagens é iluminado.
As linhas esguias não prejudicam a protecção aerodinâmica mas o ecrã desportivo, extremamente baixo, deixa os ombros e a cabeça mais expostos aos insectos e à chuva.
O facto de a transmissão final ser por corrente obriga a uma manutenção regular e, em último caso, a lavagens mais frequentes.
Numa apreciação geral, a qualidade de construção é muito boa, com pormenores cuidados, comprovados pela ausência de ruídos parasitas e de vibrações. Os comandos têm um aspecto robusto e um accionamento sólido e agradável.
Para estacionar, a RSV 850 conta com um descanso central, também útil na altura de lubrificar a corrente. Mas também está dotada de um travão de estacionamento que permite usar o descanso lateral mesmo em planos inclinados.
Conclusão:
Do lote de scooters topo de gama, ou Super Scooters, a Aprilia SRV850 é efectivamente a mais rápida e uma das que melhor travagem oferece.
Apenas fica ligeiramente abaixo em termos de agilidade, sobretudo devido ao maior peso, e num comportamento em curva ligeiramente limitado por um ângulo de inclinação mais reduzido.
Mas contas feitas, o saldo é sobejamente positivo.
A SRV é a scooter ideal para quem, habituado a boas e potentes motos, precise de um meio de transporte divertido e eficaz para o dia-a-dia, mas que satisfaça igualmente numa boa estrada de curvas.
E os outros… os dos semáforos… que ignoram ou olham de lado para as scooters… bem, até se passam!
Galeria de imagens da Aprilia SRV 850
Neste trabalho usámos o casaco Capetown da Drenaline (pode ver aqui a nossa opinião sobre ele), o capacete Schubert M1 e as Botas TCX X-Ride.
andardemoto.pt @ 27-11-2016 15:21:54
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