Contacto QJ MOTOR SRT 700 X - Tiro ao Alvo
Com a apresentação deste novo modelo, a QJ MOTOR pretende acertar em cheio nas preferências daqueles que procuram uma trail de aventura de média cilindrada. Será que a nova SRT 700 X conseguirá distinguir-se das restantes com as ofertas da gama?Fomos à sua apresentação procurar respostas.
andardemoto.pt @ 17-7-2023 16:06:22 - Texto: Pedro Alpiarça
A QJ MOTOR não tem medo de arriscar. Depois de uma entrada fulgurante no nosso mercado, com uma ambição medida em 7 modelos e uma assumida vontade de ter em 2025 um modelo que consiga competir em cada segmento, foi com alguma surpresa que assistimos ao lançamento de mais uma proposta da marca chinesa no último salão da EICMA.
Depois de nos brindar com uma 550 e com uma 800, ambas com versões vocacionadas para estrada e fora de estrada, surge uma nova arma no seu arsenal. A SRT 700 X vem colmatar a gama com a justificação de entregar mais uma opção naquela que é a categoria de motos com mais vendas no nosso país, a seguir às 125. Temos então uma trail de aventura, com jante raiada de 19”, suspensões Marzocchi totalmente ajustáveis e travões Brembo.
O desafio de criar mais um produto marginalmente semelhante a um best seller de outra marca pertencente ao grupo Geely, estava aprimorado com pormenores de qualidade. Recordemos que as novas Benelli TRK 702 estão também a chegar ao nosso mercado por estes dias. O argumento está montado…
Acompanhados pelo importador nacional, o que se desenhava na nossa expectativa como apenas "mais uma apresentação em Barcelona", rapidamente assumiu outros contornos quando percebemos que a Motos Bordoy (os responsáveis pela organização) nos encaminhava para a região de Castell-Lebre, a cerca de 2h de caminho do aeroporto. Como sabem, no Andar de Moto somos uns acérrimos fãs da arte de descobrir novas estradas para deleite motociclístico, e aquilo que iamos experienciar no dia seguinte, ficou-nos no goto de tão memorável.
Esta zona da Catalunha bordeja a região mediterrânica dos Pirenéus, e as suas paisagens revestem-se de formações rochosas únicas, entrecortadas por vales verdejantes com barragens embutidas. A proximidade de Andorra justificava a passagem por algumas estâncias de ski, onde o verde substitui o sazonal branco.
O dia que se esperava quente, começou cedo, pois tínhamos planeados cerca de 250 km de curvas, com alguns percursos fora de estrada à mistura. O “X” na sua nomenclatura não engana, e a SRT 700 exibia com orgulho as suas jantes raiadas como promessa de robustez e atitude aventureira. Mas assim que a tiramos do descanso, os 240 Kg (20 Kg a menos que a SRT 800) revelam-nos um centro de gravidade elevado, sendo que a posição de condução “encaixada” na estrutura da moto, ajuda a amenizar potenciais situações de pânico aos mais desafortunados verticalmente (o assento encontra-se a 825 mm de altura ao solo).
O guiador é largo o suficiente para garantir a típica estabilidade que encontramos numa moto trail, e os poisa-pés (com revestimento de borracha, amovível) encontram-se ligeiramente avançados. Observando a volumetria do depósito, ficamos com a sensação de que existe bastante massa debaixo de nós, mas esta SRT não tem a imagem de uma moto grande. A curta distância entre eixos ajuda a diminuir a silhueta, equilibrando o conjunto. Um olhar mais atento faz-nos descobrir que a boa qualidade de vida a bordo foi uma clara aposta da QJ Motor. Os comutadores retro iluminados têm um toque agradável, as proteções de punho nascem de uma estrutura de alumínio, e encontramos dois botões na base dos espelhos dedicados ao aquecimento de punhos e do assento do condutor. E como é que descobrimos que estão ligados? Pois que…temos de o sentir. No ecrã TFT de 5” com ligação Bluetooth (de design algo simples e demasiado poupado no tamanho da informação para quem já passou dos 40) nada nos é indicado sobre o accionamento dos mesmos. Pormenores.
Gostámos das proporções do pára-brisas frontal (não ajustável), e em conjunto com os pequenos defletores laterais fornecem um óptimo escudo aerodinâmico. A sua estrutura de fixação permitirá a montagem de acessórios de navegação (smartphone ou GPS). Outro detalhe que salta à vista, são as protuberantes crash-bars, que à semelhança das primas TRK 502, nos fazem pensar numa determinada alegoria aos motores Boxer. Como não podia deixar de ser nos dias que correm, toda a iluminação é full LED.
Os primeiros momentos de condução são passados a ajustar as manetes ao nosso gosto, um detalhe precioso que prezamos bastante. A embraiagem suave ajudava a perceber o tacto da caixa de velocidades e a divertida banda sonora que emanava do escape enquadrava as sensações de uma paisagem avassaladora. O dia começava da melhor maneira, e obviamente que na primeira paragem estávamos a ligar os assentos aquecidos ao colega mais próximo, para regozijo infantil na espera da reacção.
O bicilíndrico paralelo (com 698 cc, debita 73 cv às 8500 rpm e 67 Nm às 6500 rpm) roubado à irmã naked SRK, casa bem com esta arquitectura, e muito embora não ganhe prémios pela explosividade, tem boa conversa para os assuntos em questão. Numa estrada de curvas encadeadas nunca sentimos falta de argumentos para participarmos na festa. Nos percursos mais longos as vibrações sentidas (sobretudo a nível dos poisa-pés) nunca se tornaram incomodativas, contextualizando o carácter típico desta tipologia motriz.
O investimento ciclístico em equipamento de renome, sobressai com nota alta, as suspensões Marzocchi têm um espectro de funcionamento muito saudável, e a sua possibilidade de total ajuste revelou-se uma mais valia para as adaptarmos às diferentes estaturas dos intervenientes. A travagem (Duplo disco frontal recortado com ⌀320 mm, mordida por pinça radial de quatro pistons; disco de ⌀260 mm na unidade traseira) patrocinada pela Brembo também se afigura uma óptima surpresa, com um perfil mais vocacionado para a progressividade, mas de potência sobejamente evidente.
Um detalhe menos conseguido tem a ver com o posicionamento do descanso central, que ao servir de avisador quando a inclinação se torna pronunciada, acaba por levantar o eixo traseiro, visto que não cede como os tradicionais poisa-pés.
Nada que os bem conhecidos Metzeler Tourance (110/80 R19 no eixo dianteiro e 150/70 R17 no eixo posterior, Tubeless) não aguentem, a sua boa comunicação e entrega aos abusos é facilmente reconhecida. A SRT 700 X não dispõe de controlo de tracção nem de mapas de motor, e serve-se do seu bom acerto mecânico para não perder a compostura. É uma moto fácil de percebermos os seus limites e sobretudo muito comunicativa nos cenários mais complicados. Nem a propósito…
Era chegada a altura de fazermos uns trilhos fora de estrada, e o percurso escolhido envolvia umas subidas e descidas com alguma inclinação e bastante pedra solta. Fez-se, claro, mas acreditamos não ser esta a realidade em que esta trail se sinta mais à vontade. Até porque, sejamos concretos. A QJ Motor SRT 700 X não é uma moto leve. O seu centro de gravidade tem um posicionamento elevado e esse factor é exponenciado nos trilhos em que as irregularidades nos obrigam a constantes transferências de massa. Nem existe a possibilidade de desconectar o ABS traseiro, um detalhe revelador do seu habitat natural.
Mais tarde, um pequeno percurso com alguns “sobe e desce” de piso mais compacto, permitiu-nos um grau de diversão muito maior, e demonstrou que este será o patamar de utilização onde se sente confortável.
Mas a aventura vende muito, e aqueles que conseguirem fazer o maior número de quilómetros em asfalto com a moto mais suja (entenda-se, de pó e lama), ganharão os respeito dos congéneres. O depósito de volume generoso (19,5 L) e os consumos comedidos (na casa dos 5L/100km) irão certamente agradar. Inclusive existe a pré-instalação de um sistema de medição de pressão dos pneus. Um simpático extra.
Há uma clara intenção de diferenciar a 700 da 800. E na subida de qualidade quem ganha é o consumidor, com mais escolha para os seus intentos.
Neste primeiro contacto com a nova trail de aventura da QJ MOTOR, duas certezas emergem de modo bastante claro. A primeira, é a de que nem todas as motos desta tipologia têm de estar aptas a cumprir o Paris Dakar, e esta SRT 700 X conhece bem as suas limitações, assumindo-as e catalisando o seu compromisso com o condutor de forma bastante racional. Afinal de contas, nem todos ambicionam alcançar o Lago Rosa, basta chegarem ao marco geodésico de Vila de Rei depois de um grande dia aos seus comandos. A segunda certeza é que a SRT 700 X se apresenta muito bem equipada. Por menos de 8k euros (7.990 €) temos 6 anos de garantia, e levamos malas laterais e top-case em alumínio de oferta, graças a uma promoção associada ao seu lançamento. A QJ Motor continua a surpreender. E nós agradecemos a sua audácia.
Equipamento:
Capacete NEXX X.WED 2 CARBON Zero Pro
Fato REV’IT! Sand 4 H20
Luvas REV’IT! Sand 4
Botas REV’IT! Discovery GTX
andardemoto.pt @ 17-7-2023 16:06:22 - Texto: Pedro Alpiarça
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