Fábio Figueiredo

Fábio Figueiredo

À procura de um caminho alternativo

OPINIÃO

Objectivo alcançado

Canhão de Bozzhira. A minha mota. Eu. Tinha alcançado o objectivo desta viagem, apesar dos desvios do plano inicial que aconteceram pelo caminho. Nem o vento que só cessou a meio da madrugada me impediu de desfrutar desta noite na paisagem mais extraordinária que alguma vez experienciei. O céu estrelado foi o mais perfeito que alguma vez testemunhei. Tudo. O silêncio. O nada. Foi perfeito.

andardemoto.pt @ 28-10-2019 16:42:29 - Fábio Figueiredo

De manhã, o café foi mais demorado, para aproveitar este esplendoroso marco do poder da natureza intocada. Tinha de sorver ao máximo os últimos momentos de intimidade com este lugar. Hoje era o último dia desta expedição. Em breve seguiria para Aktau.

Desfiz o acampamento. Com cada acção, a memória de um momento especial ao longo destes doze dias de viagem. Os vários dias seguidos de chuva na Rússia, as pessoas que encontrei, as estradas por onde passei… Esta iria ser uma viagem que ficaria para contar aos netos.

No regresso, nem os cerca de quarenta quilómetros pela estrada acidentada custaram. Almoçaria, desta vez de maneira mais descontraída, no restaurante onde o tinha feito no dia anterior em Zhanaozen, onde me perguntariam pela viagem. Apontei para Aktau a uma mera centena e meia de quilómetros de onde estava. Viagem curta, que serviu de lugar para recapitular estas últimas quase duas semanas.

Segui a um ritmo lento na estrada que uma semana antes pensava estar em mau estado. Com a excepção do último trecho até Beket Ata, todas as estradas variaram entre o soberbo e o aceitável. Receava uma paisagem monótona, mas isso foi rápida e eficazmente apagado pelos deslumbrantes vales esculpidos em Mangystau.


Almejava visitar este estranho país há mais de dez anos. Agora recebia-me de braços abertos, com a hospitalidade pela qual nós somos percebidos por esse mundo fora. Um misto de culturas e religiões com variados graus de devoção, em que o “assalamu alaikum” é partilhado por crentes e não crentes e cujas semelhanças com a nossa própria cultura ignoramos.


Cheguei a Aktau, modesta cidade onde domina o cheiro a petróleo em bruto com o sol a pôr-se ao meu lado esquerdo. Tinha terminado. Quatro mil e setecentos quilómetros, numa mota conta agora com setenta e cinco mil e que foi, na altura, a mais barata que encontrei e que não era de todo das mais indicadas para alguns destes percursos e tirando algumas peças montadas por mim, não me deu problemas difíceis de resolver. Do ponto mais ocidental da Europa, ao extremo mais a Norte, chegou, quase intacta, a outro continente. Ao mais extenso e menos populado, onde as caras e culturas são diferentes e que quero continuar a descobrir.

Este “adeus” é só um “até já”.

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andardemoto.pt @ 28-10-2019 16:42:29 - Fábio Figueiredo


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