Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Quem corre por gosto…

O que é que as motos, os fatos, os saltos altos, os vestidos de noite, os penteados arrojados, os congressos e os jantares de gala têm em comum? Nada! Absolutamente nada! Por isso é que se calhar é uma boa ideia deixar a moto em casa e optar pelo velho (e sempre mais espaçoso) carro quando existe um evento destes, ou semelhante a este, na agenda. É claro que o bom senso nem sempre domina e há pessoas “iluminadas” que acham mesmo que conseguem ir a um congresso ou a uma festa de gala montadas numa mota, sem top case.

andardemoto.pt @ 15-12-2019 16:27:48 - Susana Esteves

Apesar deste cenário desafiar diretamente a sorte, a verdade é que é mesmo possível. Só precisamos de abdicar de algumas coisas e fazer “as pazes” com outras.

Primeira coisa: precisamos de uma mochila muuuuito grande. Tem que lá caber um casaco mais sofisticado, os sapatos de salto alto, o computador, o carregador, o gravador ou microfone e mais alguns extras femininos que são totalmente incompatíveis com o capacete.  

Segunda coisa: temos que nos mentalizar que metade da maquilhagem vai ficar no forro do capacete, que gastar dinheiro no cabeleireiro é totalmente escusado, e que a mochila de campismo que vamos levar às costas vai ser incomodativa e vai estragar a dinâmica toda à mota.

Terceira coisa: não nos podemos atrasar muito porque quando lá chegarmos temos que despir casaco, vestir casaco, tirar sapatos, calçar sapatos, certificar-nos que temos um ar (mais ou menos) arranjado e voltar a arrumar tudo na mochila. Isto tudo enquanto na rua os aprumadinhos vão olhando de lado.


Quarta coisa: ir com espírito para aguentar as piadas dos amigos. “Não tens dinheiro para um Uber?”, “Tens um problema sério, tu!”, “Vais mudar de casa? Trouxeste a casa atrás?”, “E uma top case, não?”. (Eu venho como quero. Não mandam em mim. Larguem-me!). Há coisas que podem ser difíceis de compreender, mas também são difíceis de explicar.

É claro que tudo isto seria bastante mais simples se eu fosse um homem, ou se simplesmente não gostasse de saltos, maquilhagens e afins. Mas, mesmo à margem dos congressos e jantares de gala, quem anda diariamente de fato ou tem que transportar computadores e outros equipamentos está habituado a esta logística, e até pode sofrer com ela, mas não abdica das duas rodas. Porque, no final da noite, não há sensação que pague aquele regresso já mais despreocupado, feito nas calmas, por vezes até pelo caminho mais longo para aproveitar a paisagem ou aquela estrada já sem trânsito.

Era mais simples ir de carro? Talvez. Eu trocava? Nunca!

Como dizia a minha avó: “Quem corre por gosto…”

Boas curvas!


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