Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Podia ter sido o dia perfeito… não fosse o raio da porca

Acho que a partir de hoje já é oficial! O universo está a conspirar contra a relação a três perfeita que mantenho há alguns anos com as minhas miúdas. E eu bem que luto para que nada estrague a “vibe” que temos, mas os astros não se alinham.

andardemoto.pt @ 22-6-2020 20:00:00 - Susana Esteves

Depois de ter tido um acidente de mota muito pouco agradável o ano passado (Carro 11- 0 Susana), que me afastou obrigatoriamente das duas rodas durante muitos meses, eis que aparece o bicho covid, o confinamento e o raio que o parta. Feitas as contas, foram SÓ seis meses de ressaca desesperantes, com muitas horas a planear o regresso perfeito.

Mas com calma tudo se ultrapassa. Tirei as baterias, controlei os níveis de ansiedade, certifiquei-me que as miúdas ficavam confortáveis, e esperei.


No primeiro dia que saí de casa para pegar na mota agarrei na roupa perfeita, tracei a rota que mais gosto e tentei controlar a excitação e a as “borboletas na barriga” – tipo encontro amoroso. Rodei a chave e… nada. Não pega, não tem bateria. Porquê? Não sei, não percebo nada disto, a bateria estava ótima, ninguém encontrou explicação.

À segunda tentativa o universo deu mais uma dica. O meu espírito estava lá, mas lá fora o mundo parecia que ia acabar: chuva, vento, trovoada, inundações… Ainda pensei em arriscar, mas a TV só mostrava um rio de água em Lisboa.

Na terceira tentativa quis garantir que o tempo não me ia $%%&$ a vida. Não estragou o tempo, estragou a porca. Não o animal que tanto aprecio dentro da bela da bifana nos encontros motards e nos jogos de futebol, mas a porca da porca da bateria.


Qual é a probabilidade de alguém perder as porcas da bateria a caminho da garagem? Aparentemente é muita, no meu caso. E até que podia ser uma daquelas porcas que guardamos às centenas dentro das caixinhas das ferramentas, “para o caso de ser preciso…” Mas nããão, têm de ser porcas especiais que essas caixinhas não têm, que os amigos não têm, que ninguém tem.

E até tenho vizinhos prestáveis: “Quer ajuda, o que procura?” Mas existem limites quando explico que procuro duas porcas pequenas e cinzentas, num mar de alcatrão cinzento, cheio de coisas igualmente cinzentas, nenhuma delas as minhas porcas.

Encontrei dois bonecos, um brinco, 10 cêntimos e outras coisas duvidosas. Mas encontrei as porcas das porcas? Não! Fui andar de mota neste dia maravilhoso de sol? Não!

Mas não há 3 sem 4 (lá diz o meu ditado). Amanhã vou às porcas e trago logo meia dúzia para meter na tal caixinha, só para o caso de…

Ninguém se mete entre mim e as minhas miúdas, nem o universo.

Boas curvas

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