Henrique Saraiva

Henrique Saraiva

Gosto de voltas e passeios de moto aqui ao pé… e mais além!

OPINIÃO - Viagens ao Virar da Esquina

Uma viagem de 2 anos a Andar de Moto - Parte 1

Ainda o ano de 2019 tinha a placa “Pintado de Fresco” e já o telefone tocava.

andardemoto.pt @ 23-12-2021 21:01:41 - Henrique Saraiva

Juromenha - Fortaleza (panorâmica)

Juromenha - Fortaleza (panorâmica)

Do outro lado do fio (era um telemóvel, mas adoro a expressão!), às 15h previamente combinadas, estava o editor da Andar de Moto. Não nos conhecíamos, mas na sequência da conversa surgiu a pergunta: “será que eu gostaria de partilhar nas páginas da revista algumas das histórias das minhas viagens ao virar da esquina?”. A resposta só podia ser afirmativa.

Gosto de desafios. E no caso era um grande. A minha experiência de contador de histórias de viagens era curta (ainda é). O ano anterior tinha sido “o primeiro do resto da minha vida” e só então tinha aparecido a disponibilidade para dar umas voltas de moto com maior frequência. Partilhá-las tinha surgido naturalmente, primeiro no círculo de amigos e depois, por alturas de Setembro, com o blogue, cujo nome - Viagens ao Virar da Esquina - traduzia o objectivo: dar a conhecer os recantos desta realidade próxima que é Portugal e assim inspirar quem me lesse a ir por aí fora, nos breves momentos que a vida de cada um permite para lá das normais férias.

Apenas 3 meses decorridos, mas o suficiente para alguém ter reparado. Vencida a primeira barreira, o vir a público com escritos próprios, surgia novo desafio. Mal sabia eu, então, que a viagem já leva 2 anos e a contar...

Até agora, Fevereiro de 2021, são estas as 21 etapas de uma viagem por Portugal, que agora vos conto!

1ª Etapa - Olivença é nossa, dizem...

Fui com um grupo de amigos até Olivença, animados da intenção quixotesca de reconquistar aquela que os espanhóis dizem sua. Pelo caminho, visitámos o interessante e muito original Castelo de Evoramonte, onde foi assinado, em Maio de 1834, o tratado que pôs fim à guerra civil entre miguelistas e liberais. Fratricida como qualquer uma, opôs dois irmãos com visões diferentes do mundo: D. Pedro e D. Miguel. Ganhou o primeiro e a História de Portugal conheceu novo rumo.

A caminho de Elvas - Ponte da Ajuda

A caminho de Elvas - Ponte da Ajuda

O poiso seguinte foi em Juromenha e aqui tivemos a primeira grande surpresa: a majestosa fortaleza, a Sentinela do Guadiana, lamentavelmente deixada ao desleixo e incúria de quem dela deveria cuidar. Paisagem lindíssima e uma fortificação que nos seus tempos áureos impunha respeito, certamente. Do outro lado, na outra margem do Guadiana, é Espanha. Ou não...

Olivença - Praça central com calçada portuguesa

Olivença - Praça central com calçada portuguesa

Olivença, que Portugal reivindica por direito desde o Congresso de Viena de 1815, não foi reconquistada. Mas conquistou-me: desde as ruas, com toponímia nas duas línguas, tipicamente estremenhas, mas com calçada portuguesa, ao carinho e orgulho que os seus habitantes têm, sendo espanhóis, pela herança lusa. E muitos têm dupla nacionalidade.

Olivença - Toponímia

Olivença - Toponímia

2ª Etapa - Estrada Nacional 2 - Um guia prático

Depois de percorrida a EN2 e antes que chegasse a Primavera, altura ideal para a percorrer, achei que valia passar alguma informação resultante da experiência e do estudo feito na sua preparação.

EN2

EN2

Havia (e ainda há) muito a fazer nesta estrada que percorre Portugal de norte a sul e une as suas duas metades: o litoral e o interior. Uma espécie de “manual do utilizador” destinado a facilitar a vida aqueles que se propõem fazê-la.

3ª etapa - Um dia na Serra dos Candeeiros

Situada a cerca de 100km a norte de Lisboa, esta serra tem como principais ex-líbris as grutas. Umas bem conhecidas e visitáveis - S. António, Alvados, Mira d’Aire - e muitas outras que o não são, resultantes da formação geológica predominantemente calcária e na qual a água das chuvas encontrou os mais diversos caminhos, transformando-a num verdadeiro “queijo suíço”.

Polje de Minde

Polje de Minde

Daí também resultaram outros fenómenos com designações um pouco mais estranhas como a Fórnea e o Polje de Minde, que visitámos, num percurso iniciado nas salinas de Rio Maior, passando por Porto de Mós e findo na nascente do Alviela, nos Olhos d’Água.

Desfrutámos também de bons momentos de condução nas estradas que de uma ponta à outra percorrem esses montes, como não poderia deixar de ser.

Fórnea

Fórnea

4ª etapa - Um dia na Arrábida com mistério, crimes, amores e vistas deslumbrantes

Vou com muita frequência à Arrábida. Sítio único, com fantásticas estradas e paisagens deslumbrantes que não me canso de percorrer. Desta vez, aproveitei para cruzar esses dois aspectos com algumas histórias muito curiosas.

Cabo Espichel

Cabo Espichel

O passeio começou na Lagoa de Albufeira com passagem nas praias da zona do Meco e paragem obrigatória no Cabo Espichel. Passei pelo imponente farol e pelo Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua (a merecer um melhor tratamento por quem vela pelo nosso património).

O passeio começou na Lagoa de Albufeira com passagem nas praias da zona do Meco e paragem obrigatória no Cabo Espichel. Passei pelo imponente farol e pelo Santuário de Nossa Senhora da Pedra Mua (a merecer um melhor tratamento por quem vela pelo nosso património).

Sesimbra

Sesimbra

Finalmente, Arrábida. Na prática tem duas estradas que a percorrem longitudinalmente: uma que segue junto às praias, desde Setúbal até ao Portinho e outra que percorre a cumeada. Comecei pela primeira e pelas praias: Portinho, Creiro, Coelhos, Galapinhos, Galápos e Figueirinha. Depois, passei o Sanatório - no Forte de Santiago do Outão - e a fábrica do cimento (uma ferida aberta no coração da paisagem).

Portinho da Arrábida

Portinho da Arrábida

Um pouco mais à frente, junto a uma pequena enseada, fica o Palácio da Comenda de Monguelas. A sua ruína e as histórias que misturam nobres endinheirados dos loucos anos 20 (do século passado) com retiros de celebridades como a viúva Kennedy e sua irmã, Truman Capote e o que mais não se sabe. E que ainda serviu de cenário para literatura contemporânea. Parece que agora finalmente está a ser recuperado...

Arrábida

Arrábida

A meia encosta encontramos um baluarte, a fortaleza da 7ª Bataria da Artilharia de Costa. O pequeno Forte Velho do Outão (a merecer cuidados, como não podia deixar de ser) com uma vista deslumbrante para Setúbal, Troia e o estuário do Sado. No exterior ainda podemos ver o que resta de 3 peças de artilharia Vickers de 152mm. E as casamatas que lhes serviam de apoio.

Palácio da Comenda

Palácio da Comenda

A viagem prossegue. O enquadramento é espectacular mas a exigir cuidados redobrados, que a estrada é sinuosa e íngreme por vezes. Alguns quilómetros à frente, já a descer, temos numa pequena recta um miradouro (dos muitos que a estrada tem) e uma rampa de parapente. No final dessa recta, antes da curva à direita, um local celebrizado no único dos filmes de James Bond passado em Portugal... segundo consta, estava Ao Serviço de Sua Majestade!

7ª Bataria

7ª Bataria

5ª etapa - Sobe e desce na Serra da Estrela

O maciço da Estrela é o único pedaço de Portugal em que temos um vislumbre de montanhas a sério. Percorrer as suas estradas é garantia de muitas curvas, contracurvas e paisagens magníficas. Que por vezes nos fazem sentir a nossa pequenez.

Cântaros

Cântaros

O roteiro escolhido é relativamente simples e foi, desta vez, percorrido em dois dias. No primeiro, com pernoita na Pousada da Juventude das Penhas da Saúde, comecei pela subida da Covilhã até aos Piornos. Aquela onde a inclinação e a sinuosidade melhor se combinam. Depois, pequena descida até ao Covão da Ametade, onde nasce o Zêzere com a água das muitas fontes do alto da serra. O cenário esmaga-nos com os 3 Cântaros (todos acima dos 1800m): Raso, Magro e Gordo. Dali, a vertiginosa descida pela encosta do vale glaciar até à vila de Manteigas.

Da vila serrana e até às Penhas Douradas, uma subida mais a jeito alpino, com alguns “ganchos”, sempre a ganhar cota até terminar no Vale do Rossim. Continuei viagem em direcção ao Sabugueiro, depois Lagoa Comprida e finalmente, a Torre, onde cumpri um dos objectivos desta viagem: ver o pôr do sol no ponto mais alto de Portugal (continental). Deslumbrante!


No segundo dia, desci até à Covilhã e segui, pelo Tortozendo em direcção a Unhais da Serra. Depois, Alvoco da Serra, Loriga e, antes de Valezim, virei à direita, novamente em direcção à Torre. Fantástica escalada! Estrada recente, bom piso, sinuosa e íngreme, à qual os ciclistas chamam “Adamastor”. Ao epíteto não será estranha a inclinação: cerca de 1/3 da subida a 14% é obra... e o resto não baixa dos 9%!

Adamastor

Adamastor

Cheguei perto da Torre, mas não voltei lá. Desci de novo à Covilhã e... era tempo de regresso.

6ª etapa - Virámos a esquina e fomos até ao Lago Azul

A albufeira de Castelo de Bode - o Lago Azul - situa-se mesmo a meio de Portugal, e a barragem trava o percurso do Zêzere (cuja nascente vimos na etapa anterior) quase junto à foz onde se dissolve no Tejo.

Albufeira Castelo de Bode

Albufeira Castelo de Bode

Circundámos a albufeira, visitámos algumas das suas praias fluviais: Aldeia do Mato, Trízio, Alcanim e Castanheira (também chamada de Lago Azul...).

Lago Azul (praia fluvial)

Lago Azul (praia fluvial)

Detivemo-nos na templária Dornes, com a sua original torre de planta pentagonal. Povoação que está presente na História de Portugal desde o seu nascimento, passando pela Lenda de Nª Sª do Pranto, até aos alvores do republicanismo. Ali perto, em Carril, na Sociedade Filarmónica Carrilense, foi tocado pela primeira vez “A Portuguesa” de Keil do Amaral, no ano de 1890. Vinte anos depois passaria a ser o Hino Nacional.

A caminho de Dornes

A caminho de Dornes

As estradas que rodeiam a albufeira são excelentes para a prática do mototurismo. Foram elas que também nos levaram até ao Picoto da Melriça e ao Penedo Furado, alternando paisagens magníficas do plano de água com outras de vegetação exuberante.

Albufeira de Castelo de Bode

Albufeira de Castelo de Bode

7ª etapa - Brotas, o segredo escondido do Alentejo

Quem diria que, perdida no meio do Alentejo, meia dúzia de quilómetros antes do célebre km500 da EN2, entre Mora e Montemor-o-Novo, fica uma pequena vila, outrora sede de concelho e onde desde os idos de 1400 se professa a fé em Nossa Senhora? Muitos anos, séculos, antes de Fátima!

Brotas (vista panorâmica)

Brotas (vista panorâmica)

A aparição e o milagre da Nª Sª de Brotas aí fizeram nascer o bonito e singelo Santuário.

Santuário de Nª Sª de Brotas

Santuário de Nª Sª de Brotas

Uma fé que fez com que a terra recebesse confrarias de romeiros que aí vinham prestar o seu culto a Maria. Aí construíram as chamadas Casas de Romaria (que hoje estão muito bem recuperadas e adaptadas ao turismo rural). E levaram o culto consigo nos Descobrimentos, razão pelo qual ele se estende às mais longínquas paragens da diáspora lusitana.

Casas de Confraria

Casas de Confraria

Nas imediações, a justificar um passeio pelas calmas estradas alentejanas, Mora - o Fluviário e o Parque Ecológico do Gameiro ou o Cromeleque do Monte das Fontaínhas Velhas - Pavia e Arraiolos, com o seu típico castelo de muralha circular e o património cultural das Tapeçarias, merecem também uma visita.

Cromeleque do Monte das Fontaínhas Velhas

Cromeleque do Monte das Fontaínhas Velhas

8ª etapa - Atouguia da Baleia - quando o mar recua

Chamava-se Tauria e foi, por alturas da fundação da nacionalidade, um importante porto de abrigo na baía da S. Domingos. Fruto do assoreamento e do recuo do mar, hoje as ondas situam-se a alguns quilómetros a poente. Do porto resta a memória e S. Domingos é o nome da pequena ribeira que por ali passa. À época, Peniche e Baleal eram ilhas...

De Tauria (porque era terra de muitos touros bravios) se foi, com o correr dos tempos, passando a Atouguia. E a baleia surgiu porque, segundo reza a lenda, um enorme cetáceo com cerca de 15 metros, ali perto terá dado à costa. Na Igreja de S. Lourenço, que também tem história curiosa, até pelo facto de este não ser santo de devoção habitual no nosso País, está uma costela petrificada que seria, diz a lenda, dessa baleia.

Atouguia - Largo da Igreja Matriz

Atouguia - Largo da Igreja Matriz

S. Leonardo era um nobre gaulês do Séc. V que dedicou a sua vida a Cristo. Santo de devoção por aquelas paragens, era o padroeiro de navio que alguns séculos depois por ali passou. Forte tempestade os fez buscar abrigo na baía de S. Domingos. Vieram a terra e por aí ficaram até que a borrasca passasse. Só que, cada vez que o temporal acalmava e se tentavam lançar ao mar... logo a intempérie recrudescia e os obrigava a recolher ao abrigo. De tal forma foi, que por ali ficaram definitivamente...

Igreja de S. Leonardo

Igreja de S. Leonardo

E na Atouguia também nos cruzamos com a história trágica de Pedro e Inês (Séc. XIV).

Consta que por aqui procuraram refúgio. D. Pedro no Paço da Serra da Atouguia que por tal se veio a chamar mais tarde Serra d’El Rei. O Paço ainda lá está, como testemunho.  E D. Inês em Coimbrã (talvez pelo facto de os apaixonados virem de Coimbra), logo ali ao lado da Atouguia.

Paço Real em Serra D’El Rei

Paço Real em Serra D’El Rei

Peniche é visita obrigatória. Imperdíveis o Cabo Carvoeiro e a Papôa, onde o mar e o vento teceram curiosas esculturas.

Peniche - Papôa

Peniche - Papôa

Mais à frente, o típico e bonito Baleal. Depois, a caminho da Lagoa de Óbidos, as praias D’El Rei e do Cortiço.

Finalmente, Óbidos, a vila literária. Perdermo-nos nas suas ruas e nas ameias do castelo é vivermos um regresso à idade medieval.

Lagoa de Óbidos e Foz do Arelho

Lagoa de Óbidos e Foz do Arelho

9ª etapa - A globalização começou na EN2

Como é que um termo tão característico do Séc. XXI estará relacionado com a Estrada Nacional 2? 

Porque a verdadeira globalização, aquela que deu a conhecer “novos mundos ao mundo”, teve um marco fundamental na forma como se desenvolveu, por algo que ocorreu em 1479... na vila alentejana de Alcáçovas!


Igreja Matriz de Alcáçovas

Igreja Matriz de Alcáçovas

Aqui foi celebrado entre as coroas Portuguesas e Castelhana, no recém-restaurado Paço dos Henriques, um tratado que nas suas disposições estabelecia as bases para a divisão do mundo entre os dois países. Essa divisão seria finalmente consagrada na versão definitiva em Tordesilhas. Mas sem Alcáçovas, este não teria existido.

Paço dos Henriques

Paço dos Henriques

O Tratado de Alcáçovas foi também fundamental porque veio por termo a uma crise na sucessão da Coroa de Castela, permitindo o casamento entre Isabel de Castela e Fernando de Aragão, mais tarde conhecidos como Reis Católicos, e que iria resultar na união de estados que originou Espanha.

E Alcáçovas fica na Estrada Nacional 2! Ou seja, a globalização começou ali, na EN2.

10ª etapa - Pelos caminhos de Ibn Darraj al-Qastalli

O período da nossa história que antecede a Reconquista Cristã e a fundação de Portugal está um pouco escondido na penumbra dos tempos. Durante cerca de 8 séculos, os muçulmanos permaneceram na Península Ibérica. No território que agora é Portugal foram cerca de 400 anos… impossível não terem deixado uma forte herança, da qual a maioria das palavras do vocabulário começadas pelo prefixo “Al” não será a menor das evidências. Afinal...era o Al- Andaluz! Mas vai muito para lá disso.

Forte de Cacela

Forte de Cacela

Nesses tempos, o culto das letras era muito forte. E um dos principais poetas muçulmanos dessa época foi Ibn Darraj al-Qastalli. Nasceu no ano de 958 e chamaram-lhe Ibn Darraj. Por ter nascido em Cacela lhe deram o apelido de al-Qastalli.

Cacela Velha foi, pois, o destino! Situada à beira da Ria Formosa, perto de Tavira, a sua fundação perde-se na memória dos tempos. Seria certamente terra de passagem de comerciantes - gregos, fenícios - ou alvo de pilhagens de piratas que atacavam esta costa. Os romanos reconheceram-lhe importância, mas foi com os muçulmanos que atingiu o seu apogeu, principalmente no Séc. X e chamar-se-ia Hishn Kastala, Qastallat Dararsh, Cacetalate ou Cacila (donde virá o actual Cacela).

Ria Formosa e Forte de Cacela

Ria Formosa e Forte de Cacela

Foi conquistada pelos Cristãos em 1240 e teve foral outorgado por D. Dinis em 1283. Muito destruída pelo Terramoto de 1755, deixou de ser sede de concelho nessa época.

Ibn Darraj tinha tal prestígio que integrava a corte na qualidade de poeta oficial e escritor redactor do Estado Califal do poderoso Almançor pelos finais do Séc. X. Percorreu os domínios árabes da Península Ibérica e veio a morrer em 1030, tendo deixado vasta obra que abrange 3 períodos fundamentais da história do Al-Andalus: o esplendor do Estado Califal, a guerra civil que se lhe seguiu e o período dos reinos taifas. Foi um dos grandes viajantes medievais do Gharb al-Andalus devido à posição que ocupava na Corte, relatando, através da sua escrita, as adversidades e dificuldades que enfrentara ao viajar. A sua memória está bem presente em Cacela.

Cacela Velha - Igreja Matriz (séc. XVI)

Cacela Velha - Igreja Matriz (séc. XVI)

Cacela Velha está edificada no cimo de uma pequena arriba fóssil, antiga de 1 milhão de anos, que domina este extremo da Ria Formosa e está separada da ondulação do mar pela ilha-barreira que nos dá uma praia maravilhosa.

Destaca-se a pequena fortaleza e as muralhas que albergam no seu interior meia-dúzia de casas, uma igreja, um poço e uma riquíssima história. Que mais do que batalhas passadas recorda sim um passado e presente intimamente ligado à poesia. Talvez a beleza da paisagem seja a inspiração....

Homenagem a Ibn-Darraj

Homenagem a Ibn-Darraj

Muito mais recentes são as presenças de Sophia de Mello Breyner Andresen ou Eugénio de Andrade, entre muitos outros.

Uma pequena localidade, mas que serviu e serve de alfobre de inspiração para poetas que por sua vez, também a consagram. É possível observar em muitas das paredes, azulejos com poemas a ela dedicados e que evocam esta fonte de inspiração.

Praia da Rocha

Praia da Rocha

11ª etapa - EN 124 - A outra estrada do Algarve

Todos conhecemos ou já ouvimos falar da famigerada Nacional 125, no Algarve. Uma estrada nacional que é, na grande maioria do seu trajecto, uma via urbana, perigosa nas suas armadilhas e lenta para quem pretende deslocar-se com maior celeridade.

Mas no Algarve existe uma outra estrada que a antecede na numeração do Plano Rodoviário: a EN124.

E foi esta que percorri. Formalmente começa em Portimão e termina a meia dúzia de quilómetros de Alcoutim no outro extremo do Algarve. Resolvi alargar um pouco o âmbito: iniciei a jornada na Praia da Rocha e terminei-a novamente junto ao mar, no local mais a sudeste de Portugal: na Ponta da Areia em Vila Real de Santo António.

Barranco do Velho - EN124 cruza a EN2

Barranco do Velho - EN124 cruza a EN2

Da Praia da Rocha rumei a norte até Silves. Daqui, a nossa EN124 vira para poente e começa a ser um pouco mais interessante. Vamo-nos progressivamente afastando do Algarve turístico e entramos no Algarve rural.

Barrocal Algarvio

Barrocal Algarvio

Até S. Bartolomeu de Messines a estrada, sob o ponto de vista de condução, não nos desafia. Mas a partir de Alte, entramos na Serra do Caldeirão e a partir daí, outro mundo surge aos nossos olhos.

À nossa frente uma estrada em bom estado, com pouco movimento, numa sucessão quase infinita de curvas e contracurvas. São cerca de 90 km de puro deleite. Que não se esgotam no prazer motociclístico. Porque a paisagem do Barrocal Algarvio é deslumbrante. Quando paramos, o silêncio é quase absoluto. Digo quase, porque a natureza tem o seu fundo musical.

Pereiro - Feira de S. Rafael

Pereiro - Feira de S. Rafael

Antes de Alcoutim, em Pereiro, encontrei uma tradicional feira, com os seus vendedores de banha-da-cobra, as tendas de atoalhados ou de especialidades típicas, as barracas das bifanas... Era a feira de S. Rafael, o nosso padroeiro. Não podia ser melhor!

Alcoutim e Guadiana

Alcoutim e Guadiana

Alcoutim marca o final da EN124 (na verdade termina 8km antes). À nossa frente, o Guadiana e a espanhola San Lúcar de Guadiana.

Marginal do Guadiana

Marginal do Guadiana

Virei para sul em direcção ao final da jornada. Esperava-me a Marginal do Guadiana. Uma estrada municipal que vai de Alcoutim até um pouco abaixo de Odeleite. Sempre junto à margem direita do rio que aqui se começa a espraiar. Passo o Montinho das Laranjeiras, Guerreiros do Rio e Foz do Odeleite. e finalmente a EN122 por Castro Marim até Vila Real.

Ponta da Areia - Foz do Guadiana

Ponta da Areia - Foz do Guadiana

A Ponta da Areia é só um pouco mais adiante, depois de passado o farol mais oriental de Portugal. Dali em frente, só água: ou a foz do Guadiana e Ayamonte ou o Atlântico com sabor a Mediterrâneo.

2 anos a andar de moto - parte 1

2 anos a andar de moto - parte 1

(Continua...)

Estas foram as 11 primeiras etapas da minha viagem de 2 anos a Andar de Moto.

Quanto às 10 que faltam... bem, terão de esperar pelo próximo número da nossa revista!

Entretanto, podem ler as histórias completas que estão à vossa disposição no site da Andar de Moto. Se quiserem começar pela primeira é só seguir o link (as restantes estão lá também): https://www.andardemoto.pt/opinioes/41741-olivenca-e-nossa-dizem/

andardemoto.pt @ 23-12-2021 21:01:41 - Henrique Saraiva

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