Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

É desta que os Peões vão à IPO?

O título é provocador e a analogia óbvia com a trapalhada das Inspeções Periódicas Obrigatórias (IPO) nas motos, mas já vão perceber o porquê!

andardemoto.pt @ 5-8-2019 18:12:22 - Pedro Pereira

Recentemente, a ANSR (Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, muitas vezes ainda  conhecida por Direcção-Geral de Viação) divulgou as suas estatísticas respeitantes ao ano de 2018, relativamente à sinistralidade rodoviária.

Como o documento em si é relativamente extenso (57 páginas) e até algo denso, partilho convosco algumas das que considero serem as conclusões mais importantes, tendo como referência o ano de 2018 e algumas comparações com anos anteriores.

Da estatística constam dados relativos à evolução de acidentes com vítimas mortais desde 2009 (mais de 700) até 2018 (ligeiramente acima dos 500), tipo de acidentes, intervenientes, vítimas, peões, passageiros, condutores, dados por região e distrito, pontos negros… um verdadeiro manancial de informação, até para quem tenha gostos mórbidos! Está lá tudo!


Aproveito aqui para parabenizar a Autoridade pela sua recente Campanha: “Duas ou 4 Rodas há espaço para todos!”, que até tem um flyer bem giro, que aqui se reproduz!

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É um verdadeiro serviço ao Cidadão a partilha de todo este conhecimento. Tem até bastante informação no que diz respeito aos motociclos e ciclomotores (que aparecem em duas categorias distintas) e em que salta um dado à vista: por cada 1000 veículos em circulação o número de acidentes registados por motociclos e ciclomotores foi de 27, sendo nos ligeiros 8 e nos pesados 13… ou seja, ficamos mal na figura e temos que melhorar isso!

De destacar ainda que, no caso das duas rodas, o número de vítimas mortais caiu de 93 em 2017, para 74 em 2018, mas continua a ser muita gente! Demasiada, digo eu! Há aqui boa margem para reduzir, mesmo sabendo que o número de motociclos continua a crescer… e ainda bem!

Aproveito aqui para parabenizar a Autoridade pela sua recente Campanha: “Duas ou 4 Rodas há espaço para todos!”, que até tem um flyer bem giro, que aqui se reproduz!


O caso especial dos Peões

No meio de tantos gráficos de barras, de linhas e de queijos, além das tabelas. salta à vista o elevado número de peões vítimas de atropelamento que, em muitos casos, tiveram como resultado um óbito.

Para ser mais preciso, de acordo com os dados divulgados, no ano transato, faleceram 100 pessoas por atropelamento, ou seja, peões, não considerando aqui ciclistas nem os trotinetistas (espero que gostem do termo e que venha a ser incluído no Grande Dicionário da Língua Portuguesa) e afins, que são, muitas vezes, uma praga desordenada, sobretudo nas grandes cidades e que urge regulamentar, antes que se torne numa tragédia.

Voltando às vítimas mortais de atropelamento, subiram de 88 para 100 de um ano para o outro! Mais 12 vidas que se apagaram face ao período homólogo! Gravíssimo é também saber que nessas vítimas há 14 casos em que ocorreu fuga após o atropelamento! É mau demais para ser verdade!

As situações de atropelamento ocorridas são de natureza distinta, com especial destaque para peões a circular na faixa de rodagem, a entrar ou sair de veículos e até mesmo nas passadeiras! Há ainda informação sobre as horas mais “perigosas” ou os dias em que os cuidados devem ser ainda mais redobrados, mas de entre as muitas conclusões que se podem retirar a partir dos dados disponibilizados, há uma óbvia:

Dado o quadro tão negro que temos, talvez seja necessário que os Peões (que somos todos nós) vão fazer também uma Inspeção Periódica Obrigatória. Mas uma de verdade, sem fantochadas e sem custos para o Cidadão! Seria uma espécie de IPO aos nossos comportamentos e estado de saúde!

Que vos parece? Alguma formação e posteriores reciclagens poderiam ajudar imenso a melhorar o nosso comportamento e atitudes, não apenas como condutores ou passageiros, mas também como peões! 
Não vou querer os louros da iniciativa, nem me vou candidatar a deputado nas próximas legislativas, mas a ideia poderia ter pernas para andar e assim ajudar a mudar procedimentos e a reduzir a sinistralidade! 

Comportamentos como: atravessar ruas, estradas ou linhas de comboio em locais proibidos ou sem visibilidade, não ter a devida atenção com as crianças ou com os animais de estimação, andar em locais escuros sem material refletor ou saltar para uma passadeira de peões sem sequer olhar para os lados, são efectivamente comportamentos de risco!

Se a isso acrescentarmos as situações de visão deficiente (que deve ser boa parte da população) de problemas de audição (sobretudo a partir dos 50 anos) ou a distração (causada sobretudo pelos telemóveis e afiliados) e a falta de educação cívica… então o circo está montado!

Espero sinceramente que, em 2020, quando forem divulgadas as estatísticas de 2019, os resultados não sejam ainda piores! Cá estaremos para avaliar!

Pedro Pereira

andardemoto.pt @ 5-8-2019 18:12:22 - Pedro Pereira