Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

13 erros que se cometem a Andar de Moto

Gostamos de andar de moto, mas não somos perfeitos. Deixo aqui 13 provas disso. Vejam qual o vosso grau de identificação com o que se segue e, pela vossa saúde, não se esqueçam delas!

andardemoto.pt @ 27-11-2019 18:33:00 - Pedro Pereira

Recordam-se de, há algum tempo, ter partilhado convosco aquelas que considero serem as 12 coisas que quem gosta de moto deve fazer? Dada a positiva recetividade, decidi fazer também algo parecido, mas na perspetiva dos erros que se cometem, mesmo quando se tem alguma ou mesmo muita experiência e já não se é propriamente novato. Afinal de contas, somos humanos e errare humanum est!

 A opção pelo número 13, aparte ser maior que 12, é por ser o chamado “número do azar” e estar rodeado de superstições. Na Bíblia, o capítulo 13 do livro do Apocalipse faz referência ao anticristo e à besta. Na Última Ceia estavam presentes 13 pessoas, incluindo o traidor, e por isso não se deve fazer uma refeição com 13 convivas, os hotéis não têm quartos (e alguns nem pisos) com números 13 e no nosso PC as teclas de função acabam no F12. Tenham ainda cuidado com a sexta-feira 13, e não se esqueçam que a carta 13 do Tarot  representa a morte.

Resumindo, todo o cuidado é pouco com o número 13, embora também haja quem considere este o seu número da sorte!

 Aqui vos deixo a minha lista de erros que, apesar de andar de moto há muitos anos, assumo que continuo a cometer esporadicamente a andar de moto! Façam a vossa própria análise e reparem no que se passa à vossa volta. Se tiverem coragem/oportunidade, ajudem também os outros a cometer menos falhas, mas façam-no de forma cordial e com tato. Como habitualmente, a ordem é aleatória.

1. Não usar equipamento de proteção adequado

Aqui a opção carro ou transporte público ganha-nos aos pontos! Basta colocar o cinto de segurança (que muitos transportes públicos não têm e ainda há quem se recuse a usar) e siga! Já no universo motociclístico é bem diferente, com a agravante que alguns dos equipamentos, com qualidade, têm preços pouco simpáticos e a compra de usado pode não ser a solução.

A legislação nacional apenas exige o capacete! É francamente pouco e deve ser o adequado para o tipo de uso e devidamente colocado. Nunca andem sem luvas, seja em que circunstância for. Em caso de queda, as mãos costumam sofrer logo o primeiro impacto! Já agora o blusão, mais do que a questão estética, é um importante elemento de segurança, tal como o calçado. 

Andar de moto de calções, saia curta, chinelos e t-shirt… mesmo que seja “só para ir ali” pode ser giro e fresco, mas é mesmo a procurar problemas e correr riscos desnecessários, cujas consequências podem ser funestas para nós… e para os outros! Chega de escaldões, pele misturada com alcatrão ou picadas de insetos!

2. Excesso de confiança.

Acreditar nas nossas capacidades é muito importante, mas uma dose de moderação e prudência é fundamental, mais ainda em situações adversas como piso escorregadio ou molhado, mesmo para quem tem muitos milhares de km’s percorridos de moto! Até vários profissionais das duas rodas reconhecem que é perigoso andar de moto e chegam ao ponto de evitar andar de moto fora das pistas e circuitos onde ganham o pão de cada dia! Elucidativo, não é?

O facto de eu conhecer minimamente os meus limites e os da minha moto é essencial, mas não constitui a garantia de que vai correr tudo bem e que posso conduzir como me apetecer pois sou imune a acidentes e a situações de perigo! A adrenalina nem sempre é boa conselheira! A estrada não é só minha, nem o meu trilho favorito me pertence! Há peões, outros veículos, animais, pode haver óleo no asfalto, gravilha, uma árvore que caiu, uma falha mecânica, um carro avariado e assim sucessivamente.

Confiança sim, mas com atenção e tendo sempre presente que não controlamos todas as variáveis, mesmo que, como canta Herman José, sejamos O Super Homem, o melhor da minha rua!

3. Falta de confiança.

Esta é o inverso da anterior e talvez até seja mais fácil de corrigir, já que o tempo e a prática costumam ser bons professores, mas há que investir para a ganhar, sem cair no exagero. Ou seja, apostar no equilíbrio, sabendo que podem existir momentos em que o fiel da balança pode tender mais para um lado ou para o outro, mas é importante ter confiança em nós, no que somos e naquilo que fazemos.

É comum alguém dizer que não tem jeito para andar de moto, que não nasceu para isso ou simplesmente que tem medo, mesmo à pendura. É um direito que lhe assiste, por vezes resultante de um trauma, que pode ser difícil de ultrapassar. Se a pessoa decidir que não quer andar de moto, que não quer correr esse risco, há que respeitar e não forçar, o que não invalida que não se tente ajudar a pessoa a ganhar confiança em si própria.

Andar de moto, não considerando o seu uso do ponto de vista profissional, tem que ser visto como uma fonte de prazer e de alegria, não como uma obrigação ou algo que nos atemorize.

4. Conduzir um carro e uma moto da mesma forma.

Esta é daquelas que eu “enfermo” nitidamente. Tenho a consciência disso e fazem questão de mo lembrar muitas vezes no automóvel, quase tantas como aquelas que eu tendo a esquecer-me e o facto é que são veículos bastante diferentes! Como por questões de natureza pessoal e profissional acabo por usar ambos… só me falta alterar comportamentos, sobretudo de carro!

De moto a abordagem das curvas é completamente diferente, o arranque nos semáforos e demais pontos de paragem idem, sofremos muito menos as agruras do “pára-arranca”, é fácil de estacionar em quase todo o lado, dá para improvisar mais… são veículos muito distintos pelo que a abordagem tem que ser específica em cada um dos casos.

Para alguns de nós (sei que não sou caso isolado) é necessário mudar o chip e é por isso também que gosto mais de andar de moto do que de carro, apesar de saber que sou mais vulnerável ao não ter a aparente segurança de uma “lata” a proteger-me! Já agora, quando vão de carro, bicicleta, veículos pesados, a pé… facilitem a vida às motos… e vice-versa!


5. Esquecer a máxima “Ver e ser visto”

 A obrigação legal de os veículos de duas rodas, triciclos, quadriciclos, ciclomotores… circularem com as luzes de cruzamento (aka médios), mesmo durante o dia, tem mais de uma década e o seu desrespeito é uma infração grave.

Porém, a forma de resolver o problema foi mesmo condicionar estes veículos a ficar com as luzes acesas assim que se colocam a trabalhar! Não é apenas para vermos melhor, é para sermos vistos pelos outros! Pena que as motos mais antigas permitam circular com luzes apagadas, mas aí a culpa é de quem as conduz. Antes uma bateria nova… que um acidente!

A utilização de equipamento (blusão, capacete…) com material refletor é também para ajudar a sermos mais visíveis! Aliás, a utilização de um colete de alta visibilidade por cima do equipamento pode salvar muitas vidas de motociclistas, não apenas de peregrinos!Evitemos os exageros na iluminação! Faróis mal regulados, lâmpadas "xenon" manhosas, faróis auxiliares duvidosos... que nada nos ajudam e, muitas vezes, ainda encadeiam os outros condutores e peões, constituindo um perigo adicional e uma ilegalidade por não estarem averbados. Lembro ainda que os piscas (o que é isso?) também fazem parte da estratégia de ver e ser visto e nem todas as motos os desligam automaticamente!

6. Negligenciar a conservação/manutenção da moto

Nem todos fazemos exercício físico de forma regular, temos os devidos cuidados com a alimentação ou fazemos um check-up frequente para avaliar o nosso estado de saúde. Estes comportamentos podem significar ou não que somos pessoas negligentes, mas existem perigos, nomeadamente para a nossa saúde, que podem ser prevenidos.

Com as nossas motos é similar. Espera-se que sejamos cuidadosos, que as estimemos para serem mais fiáveis, oferecerem um nível superior de segurança e até evitar encargos escusados.
Costumam verificar a pressão dos pneus, se não existir na moto um indicador para esse efeito? A pressão (in)correta dos pneus faz toda a diferença! Têm as manutenções em dia,sendo ou não vocês a fazê-las? Lubrificam a corrente, caso exista, ou não tenha sistema de lubrificação automática? E ajustar a respetiva folga? Olham para o desgaste das pastilhas de travão? Sabem interpretar os manómetros e as luzes do painel de instrumentos?

Não se espera que sejamos paranoicos e desmesuradamente picuinhas, mas verificações regulares podem fazer toda a diferença e os manuais das motos todos falam nisso. Já agora, leram o da vossa moto ou sabem sequer onde está, se é que o têm, nem que seja em formato eletrónico? Estar noutra língua não é desculpa e achar que se sabe tudo é…vejam o ponto 2!

7. Fazer da estrada uma pista ou uma corrida

A expressão “devagar que tenho pressa” é atribuída a Napoleão, mas não faço ideia se é da sua autoria ou não. Seja como for, encaixa perfeitamente no que deve ser o nosso comportamento enquanto motociclistas responsáveis que priorizam a segurança, antes da rapidez e que se querem chegar realmente depressa... o melhor é sair mais cedo!

Circular constantemente a velocidades abusivas para a via em causa (seja lá isso o que for),buzinar ou gesticular desalmadamente no meio dos carros, forçando a passagem, são atitudes que em nada nos honram. Querer ser o rei dos semáforos, “picar-se” ou “picar” os outros condutores… são tudo atitudes arriscadas e que podem ter consequências funestas!

Se realmente querem mostrar os vossos dotes de pilotagem, que seja em condições de segurança, num qualquer track day ou similar, agora andar a colocar a vossa segurança em risco e a dos outros não vale a pena! É pura burrice! A vida não é uma corrida de 400 metros… é uma maratona!

8. Não usar devidamente os travões, sobretudo o da frente

Este é um clássico, mesmo para quem tem experiência ou para motos com sistemas eletrónicos de ajuda à condução. Esta situação é tanto mais relevante nas circunstâncias em que é necessário fazer uma travagem de emergência, reagir perante gravilha ou um obstáculo inesperado… e conseguir minimizar os riscos de queda, embate ou perda de controlo do veículo.

No fora de estrada a realidade é algo diferente, mas também aí os travões existem para ser usados, incluindo à frente!

Não é à toa que as motos costumam ter mais potência de travagem no eixo dianteiro. É pura física! Quando travamos à frente, há ainda uma transferência de massas para a dianteira da moto o que equivale a dizer que a traseira fica mais leve, necessitando de menor esforço para travar e com a frente sucede o inverso. O conceito chave no dia a dia deve ser a suavidade e não a agressividade, sendo que não é por travarmos mais à frente que significa que vamos cair ou ser projetados! É um tema apaixonante.

Deixo uma expressão inglesa que serve como ponto de partida para pesquisa e compreensão do conceito: chama-se trail braking. Já agora, a caixa de velocidades, se existir, é também fundamental na travagem.

9. Conduzir distraído/a

Quando ando de moto, tal como muitos de vós, tento alhear-me das preocupações e dos problemas. Não quero dizer que a moto me causa alucinações, mas antes que me ajuda a descontrair! Porém, andar descontraído ao circular de moto é muito diferente de andar distraído. São coisas completamente diferentes, tal como atento e desatento são antónimos!

Andar de moto, mesmo que a um ritmo de passeio, exige um elevado nível de atenção, com os sentidos bem despertos. Não temos que circular rígidos ou 101% alerta, mas é crucial estarmos focalizados no que estamos a fazer, até porque temos que apostar na antecipação, nomeadamente no que fazem os outros condutores. Há que perceber que somos bem menos visíveis e muito rápidos, o que nos torna mais vulneráveis.

Para se ficar com uma ideia, uma moto de média cilindrada faz dos 0 aos 100 km/h nuns 5 segundos. Mesmo uma scooter 125 faz à volta de 8 segundos e de motos com arranque rápido nem vou falar. A 100 km/h percorrem-se cerca de 28 metros por segundo! Uma simples distração… já sabem o resto!


10. Negligenciar o passageiro/a ou a eventual carga

É um lugar comum que o comportamento de uma moto é muito diferente quando se circula apenas com o condutor ou quando se circula também com passageiro e/ou carga. Para um automóvel mais ou menos 100 kg não fazem grande diferença, mas para uma moto é completamente distinto, tal como uma forte rajada de vento lateral ou a ultrapassagem a um camião.

 Circular com passageiro/a significa uma responsabilidade adicional, diferente comportamento das suspensões (que podem necessitar de outra afinação, em especial atrás), maior distância de travagem, pressão dos pneus adequada… Transportar carga (no depósito, atrás, dos lados) também influencia o comportamento da moto, fora o risco de perda da mesma, se mal acondicionada.

Especial atenção aos vários tipos de pendura: cooperante, medroso, com espírito de piloto, indiferente, desconfiado… e o conhecimento mútuo pode melhorar ou comprometer a simbiose entre os três. Última achega, já vi pequenas quedas com o/a pendura a subir ou a descer, portanto, redobrada atenção nestes momentos! Levantar a moto depois… é tema para outro artigo!

11. Facilitar a vida aos “amigos do alheio”

Para a maioria de nós a aquisição de uma moto representa um encargo importante. Foram muitas horas de labuta para a pagar (se é que ainda não o estamos a fazer) e mesmo o seu uso em aluguer ou qualquer outra forma representa um custo. Até me magoa só imaginar a hipótese de chegar ao lugar onde deixei a minha fiel companheira e estar lá apenas o local, sendo que alguém a levou e refiro-me em concreto a ladrões, algo que continua a acontecer, infelizmente!

Uma forma de mitigar o risco de roubo ou dano é o recurso a seguros de danos próprios, mas são caros e nem sempre aplicáveis. Vamos dificultar a vida aos amigos do alheio! Podem ser cadeados, correntes, sistemas de alarme, de controlo por GPS à distância, corta-corrente escondido, garagem, evitar locais pouco iluminados, mas façam-no! Se assistirem a uma tentativa nesse sentido não fiquem impávidos, a fingir que nada viram! Não necessitam de “andar à pancada” com os meliantes, mas façam barulho, chamem as autoridades, não sejam coniventes!

Mais que solidariedade, é a forma de evitar que possamos ser as próximas vítimas! Escusado será dizer que não comprar peças usadas, de proveniência duvidosa, mesmo que a preços apetecíveis, é parte da estratégia para reduzir os roubos.

12. Mau uso de gadgets eletrónicos

A tecnologia tem tido evoluções fantásticas e várias delas são também úteis para quem anda de moto! Hoje usamos intercomunicadores enquanto conduzimos que permitem conversar com vários intervenientes, câmaras para filmar os nossos trajetos, sistemas de navegação inteligentes, podemos fazer e receber chamadas, ouvir a nossa música favorita e mais um sem número de aplicações para interagir com o telemóvel ou diretamente com a nossa moto!

Não sou avesso à tecnologia e sei que tudo isto é maravilhoso e pode trazer-nos uma série de novas possibilidades que ainda há pouco tempo eram desconhecidas e mais pareciam ficção científica. Porém, nem tudo são vantagens e não podemos escamotear os riscos! Por exemplo, é vulgar vermos condutores de automóvel “agarrados” ao telemóvel ou ao GPS enquanto conduzem, cometendo vários disparates na estrada. Não lhe sigamos o exemplo! Tem que haver muita ponderação da nossa parte ou então acabamos a correr riscos desnecessários e a sermos iguais aos que tanto criticamos!

13. Conduzir sob o efeito do álcool e/ou substâncias psicotrópicas

Pela enésima, vez volto a bater nesta tecla!Não sou santo, não tenho essa ambição, mas estou mais consciente que nunca dos riscos. Se com este alerta evitar um comportamento de risco que seja… então este artigo já valeu a pena!

Está mais que provado que o álcool e várias substâncias psicotrópicas (simplificando, drogas), exercem uma influência tremenda no nosso sistema nervoso central e, inerentemente, em todo o organismo, incluindo ao nível da condução e não são positivas! Já agora, andar de moto e fumar ao mesmo tempo não combinam e o mesmo vale para o sono, mas esse terá direito a um artigo só para ele!

Aparte as questões relacionadas com o facto de serem contraordenações graves, no caso do álcool de 0,5 a 0,79 gr por litro de sangue, muito graves daí até 1,19 gr e daí para cima crime, a realidade nua e crua é que o álcool e demais drogas comprometem a segurança rodoviária e ceifam vidas, mais ainda se forem conjugadas! Os reflexos são mais lentos, a coordenação motora é alterada, tal como a acuidade visual e auditiva, a perceção da velocidade é transformada, há sensações de euforia, de sonolência e a lista pode continuar, mas a verdade nua e crua é: O RISCO DE ACIDENTE AUMENTA EXPONENCIALMENTE!

Não vale a pena! Lembro ainda que depois do mal já estar feito já não há remédio e os remorsos não resolvem situações passadas, talvez apenas as possam atenuar!


Não vou alongar-me mais, embora muito tenha ficado por apresentar. Não interpretem esta lista como absoluta ou definitiva. Cada um de vós terá a própria perceção e pode fazer uma, maior ou menor que esta, mas fica uma certeza: todos podemos progredir e fazer (mais) alguma coisa para minorar o erro e promover a segurança. A nossa e a dos outros!

andardemoto.pt @ 27-11-2019 18:33:00 - Pedro Pereira


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