Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Equipamentos que não precisamos, mas que depois não podemos viver sem eles

Precisamos da maior parte das coisas que compramos por impulso? Se calhar não. Mas isso não quer dizer que façamos maus investimentos.

andardemoto.pt @ 6-4-2021 08:00:00 - Susana Esteves

As equipas de marketing são exímias em levar-nos a comprar coisas que não servem para nada, mas que no momento acreditamos piamente que vão ser fundamentais e vão revolucionar o nosso dia-a-dia.

Algumas delas nunca passarão da categoria Flop Total, outras acabam por revelar-se um achado.No mundo das duas rodas existem milhares de acessórios assim. Não estou a falar de acessórios de proteção – esses têm um argumento válido associado. Estou a falar daqueles acessórios que coloco na categoria das “mariquices”.

- O carregador de bateria é, neste momento, um dos meus melhores amigos. Com todas estas proibições e as motas no estaleiro é importante garantir que tudo funciona na perfeição sempre que o “bichinho” acordar. Podia viver sem ele? Claro. Mas neste momento não o troco por nada.


- Se há coisa que detesto fazer é encher pneus. Várias razões: É quase preciso um milagre para encontrar uma bomba com este sistema a funcionar. Porque roubam, porque furam, porque estragam, porque o visor queimou, porque um dos botões não funciona …

E quando tenho a sorte de encontrar um, há uma fila de pessoas desesperadas como eu que querem fazer o mesmo. O tempo que algumas pessoas demoram a encher os pneus é desconcertante.

Porque vão ver ao autocolante o valor da pressão, porque carregam nos botões de configuração em câmara lenta, porque enroscam as tampas devagar, depois perdem as tampas, depois lavam as mãos com a mangueira que está ao lado, depois aproveita para lavar o vidro da frente, depois mais 5 minutos para enrolar as mangueiras, etc, etc, etc.

Para evitar este filme vou adiando, adiando, até perceber que as rotundas e restantes curvas de repente parecem amanteigadas e que se calhar é melhor respirar fundo e ir à procura de ar.

Solução: um compressor de ar. Só meu. Todo meu. Disponível 24/7 na garagem. À totaldisposição das minhas meninas. Sempre que eu quiser. É essencial? Não. Mas é maravilhoso para a minha saúde mental.

Há uns anos tive uma mota com punhos aquecidos. Não há maior mariquice que esta. É como ter banco do carro aquecido para não apanharmos frio no … Poupem-me!




Mas já que a mariquice existia, eu usava (que não gosto de desperdiçar estas coisas). É claro que ninguém precisa daquilo para conduzir, mas a verdade é que o quentinho nas mãos em pleno inverno é maravilhoso.

E penso muito nele, com saudade (admito), especialmente quando deixo de sentir a ponta dos dedos ou quando o punho começa a rodar mais do que devia (claramente divido à perda de sensibilidade nas mãos devido ao frio). É um daqueles gadgets que primeiro estranha-se, mas depois entranha-se.

Os protetores de sapatos são outro exemplo. Mas quem é que perde tempo a colocar e a tiraraquilo todos os dias? Eu, nas viagens mais longas, quando vejo que os melhores ténis da minha coleção começam a ficar rafados e a romper, e sei que não pertenço àquela classe privilegiada que pode dizer: “Não faz mal, depois compro outros.” Pior, só um deles é que se estraga, portanto nem o argumento - “Eles são mesmo assim” – eu posso usar.

Que mariquices não dispensam?

Partilhem para eu não me sentir sozinha!
Boas curvas

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