Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

Quanto custa ter uma (ou mais) motos?

Os custos associados podem ser significativos, mas o prazer de andar de moto não tem preço.

andardemoto.pt @ 21-12-2021 06:09:00 - Pedro Pereira

Todos/as nós, que gostamos de andar de moto (mesmo que seja à pendura), sabemos perfeitamente que existem custos associados que podem ser significativos, mesmo nos casos daquelas motos que fazem uma quilometragem anual muito baixa ou que são muito económicas, por exemplo ao nível dos consumos ou das revisões.

Conheço até diversos casos de motards que não partilham, nomeadamente lá em casa, os reais custos associados à fruição da sua moto e que vão muito para além do tradicional seguro, IUC (Imposto Único de Circulação), revisão anual e alguma gasolina…

Sem ser fundamentalista, assumo que tenho um pequeno ficheiro em Excel e que lá vou registando os diferentes gastos que tenho com a moto. Não sou mesquinho a ponto de contar cada cêntimo e nem guardo esse ficheiro escondido “a 7 chaves”.

O objetivo é apenas ter uma noção aproximada do que gasto anualmente, tendo sempre presente que existe uma relação direta com a maior ou menor quilometragem, se é ou não veículo único, entre outros.

Assim, nesta crónica, pretendo deixar alguns alertas para os mais incautos e também reforçar aquela máxima que todos conhecem, mas nem sempre se recordam: o prazer que andar de moto me dá, não tem preço! Não conheço dinheiro que o pague! É isso e o tempo que poupo ao andar de moto!

Andar de moto sai sempre mais barato que andar de automóvel?

Para muita gente a resposta é sim, sem margem para dúvidas! Ainda assim, se começarem a fazer as contas (lado racional), é bem provável que possam ter surpresas inesperadas e chegar a uma conclusão: objetivamente falando, nem sempre o uso da moto sai mais barato, face ao automóvel!

Claro que os custos com estacionamento e parqueamento são menores ou inexistentes, o IUC, mesmo no escalão mais elevado, não chega a 130 € (e considero caro) e podemos até ter um desconto nas portagens (30% e bem que poderia ser de 50%), mas essas não são as contas todas!

Existem muitos outros custos que não podem ser ignorados, mas vejamos alguns exemplos para reforçar o que acabo de escrever e para ajudar à reflexão:

Equipamento técnico de proteção:

Não é necessário para andar de automóvel e está longe de ser barato, mais ainda se for de qualidade (como se recomenda). Acresce que se degrada com o uso e varia consoante a estação do ano, ou seja, não deve ser o mesmo no pino do verão… e no do inverno! Se têm dúvidas… façam a experiência… ou então deixam a moto parada parte do ano! E depois ainda, deve adequar-se ao tipo de utilização;

Consumos:

Sabemos que existem motos que se contentam com 2 litros aos 100 ou mesmo menos, mas grande parte das motos que circulam por aí consome o dobro ou o triplo, mais ainda se adotarmos ritmos alegres. Além disso, não temos motos a diesel nem híbridas e mesmo as elétricas são ainda quase exclusivamente para uso urbano, suburbano ou então caríssimas;


Pneus:

Ainda que sendo apenas 2 (não considerando triciclos ou quadriciclos), a verdade é que o seu custo é elevado e a duração nem tanto, mais ainda em motos potentes ou com muito binário que, com relativa facilidade, comem pneus frequentemente!

No off-road então é melhor nem falar, pois um pneu traseiro chega a ser destroçado em meia dúzia de voltinhas de fim de semana, sobretudo em pisos mais demolidores!

Outros consumíveis:

Aqui entram, por exemplo, os conjuntos de transmissão (corrente, cremalheira e pinhão, correia…) cuja duração não é assim tão elevada, mais ainda se forem negligenciados. Nos sistemas de veio/cardã a situação é melhor, mas mesmo esses implicam manutenção, nem que seja somente a mudança do respetivo lubrificante;

Revisões:

Esta é uma matéria que assusta muita gente e com razão! É um facto que as revisões são atualmente muito mais esaçadas (10.000, 15.000/ano ou mesmo mais), mas as fapturas estão quase a chegar ao preço das dos automóveis!

Então naquelas mais complexas, como afinar válvulas em motores pluricilíndricos em que é preciso desmontar “meia moto” para fazer a verificação, casos há em que é necessário quase vender um rim para pagar a conta!

Desvalorização:

Face ao n.º de km’s: a minha perceção (fundamentada na realidade que vou conhecendo) diz-me que as motos desvalorizam menos, porém, a aceitação no mercado é muito condicionada pela quilometragem! Um carro com 100.000 km é comumente aceite como tendo baixa quilometragem.

Uma moto com 50.000 km já olhada de lado pela maioria dos potenciais interessados, retomas incluídas, então se a cilindrada for baixa e a performance alta… ainda pior;


Seguros:

Também aqui podem existir surpresas! Há seguradoras que nas motos recusam assumir “Danos Próprios”, mesmo com muitas exclusões, e prémios elevadíssimos!

Além disso, são fortemente penalizadas as idades mais jovens e podem até existir cláusulas específicas noutros seguros, por exemplo no de Vida, que sancionam severamente quem anda de moto!



Reparação em caso de acidente/queda:

Muitos de nós sabemos, por experiência própria, que uma simples queda a baixa velocidade (ou mesmo parado) pode ter consequências sérias para o nosso bolso em carenagens, pinturas, piscas, retrovisores… sobretudo se quisermos que a moto volte a ficar original.

Acresce ainda que há pouco material alternativo. Adquirir, por exemplo, crash bars, mitiga o risco, mas é mais um custo e pode comprometer a estética!

Inspeções:

Deixei este ponto deliberadamente para o fim. É uma questão polémica e discutível, mas tudo indica que é para avançar. Não está aqui em causa ser a favor ou contra.

Na prática, é mais um custo que pode ser seriamente inflacionado nas motos customizadas/personalizadas e que pode até obrigar a inspeções do Tipo B ou a aprovações duvidosas, algo que, supostamente, já acontece noutros veículos...

Somos todos diferentes! A capacidade financeira e gestão de recursos de cada um é algo muito pessoal e assim deve permanecer, mesmo sabendo que há quem use a moto também como forma de ostentação e de status. É uma opção que não partilho, mas respeito!

Se, por exemplo, tiver o privilégio de ter 3 motos, uma scooter para utilização urbana, uma moto de enduro para aliviar o stress e ainda uma turística para viagens e escapadinhas, é lógico que tenha custos mais elevados que uma pessoa que tem apenas uma moto. Basta fazer as contas!

Se for adepto (eu não sou) de uma condução permanentemente mais rápida e agressiva, é previsível que os meus custos (de gasolina, pneus, pastilhas de travão, autuações…) sejam superiores ao de outro motard que até pode ter uma moto igual e fazer a mesma quilometragem anual, mas com gastos bastantes inferiores. É uma opção pessoal.

Se for defensor ferrenho do hypermiling e tentar bater recordes consecutivos do melhor consumo, naturalmente que gastará menos do precioso néctar, mas isso não é para todos os condutores! Nem todos temos paciência (eu não tenho) ou coragem para fazer isso sistematicamente!

Quem andar sempre com a moto carregada de tralhas, mesmo que devidamente afinada, com pendura e em longas viagens (bem que gostava) inevitavelmente vai ter mais sorrisos, mas também vai ter mais custos e, é lógico, uma maior desvalorização da moto, até porque teima-se em dar muito valor (talvez excessivamente) à quilometragem.

Nem todos gostamos e temos conhecimentos de mecânica ou condições de espaço e equipamento adequadas, mas se ao menos fizermos as coisas básicas, como verificar e retificar os níveis, a pressão e desgaste dos pneus, entre outros, é uma forma de aumentar a segurança e, ao mesmo tempo, poupar a componente mecânica e o ambiente. Ter um mecânico e/ou oficina de confiança também ajuda.


Quem usar a moto como “instrumento de trabalho” e fizer muitos km’s, deve dar prioridade a aspetos como a fiabilidade e os reduzidos custos de utilização, em detrimento da performance pura ou da componente mais desportiva, isto partindo do pressuposto que a componente financeira é importante.

Se apenas utilizar a moto uma ou duas vezes por ano… porque não abdicar da sua posse?

É possível alugar boas motos por um curto período de tempo, o que pode significar uma enorme poupança! Acresce que a moto não fica a dar despesa durante todo o ano e permite ter uma moto nova a cada viagem!

O próprio conceito de posse está a mudar! Cada vez mais se torna comum a fruição da moto sem se ser o proprietário! São cada vez mais populares produtos em que, por exemplo, temos as vantagens do crédito e do renting, pagando apenas pelo período de utilização. No final do contrato decidimos se compramos ou devolvemos. Simples e prático! Nem sei como não são mais populares!

Resumindo, cai um bocado por terra a teoria de que a moto é sempre, do ponto de vista económico, melhor opção que o automóvel.

Aliás, se os custos forem a prioridade, talvez a melhor solução seja mesmo os transportes públicos e andar a pé ou de bicicleta, sempre que possível.

Independentemente disso, o que realmente merece destaque é que as motos continuam a ser uma opção interessante, quer do ponto de vista racional quer, sobretudo, do ponto de vista emocional! Não me imagino a viver sem elas e estar mais de uma semana sem andar de moto começa a ser para mim suplício! Serei eu caso único?

andardemoto.pt @ 21-12-2021 06:09:00 - Pedro Pereira


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