Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Telemóvel: perigo de morte

O uso do telemóvel ao volante continua a ser uma das principais causas dos acidentes rodoviários e a principal causa de eu perder a cabeça com alguém no meio da estrada, de ser acusada de agressão, de ir presa, ou de levar um enxerto de porrada qualquer dia (qualquer um dos cenários me parece válido).

andardemoto.pt @ 10-5-2022 07:03:00 - Susana Esteves

Há pouca coisa que me consegue levar dos 0 aos 100 em alguns segundos - o uso do telemóvel ao volante é uma delas. Quem faz o IC19 de moto diariamente percebe que 90% dos automobilistas estão com o telemóvel no colo ou na mão. As fotos, as redes sociais, as mensagens, os jogos, os vídeos no YouTube, as videochamadas, a Netflix (caso real visto por mim) – já apanhei de tudo.

Os carros têm sistemas mãos-livres. As lojas têm sistemas mãos-livres. Os próprios telefones têm sistemas mãos-livres. Porquê?

Para quem anda de moto diariamente a regra é simples: carro aos S’s é sinónimo de condutor ao telemóvel.  Esta semana apanhei um a ver/enviar/escrever mensagens enquanto fazia a rotunda. Totalmente despreocupado, com um sorriso nos lábios, e o carro totalmente descontrolado no meio das faixas cada vez mais perto de mim. Desviei-me a tempo para ele não me bater, mas foi por milímetros.

Apitei. Ele assustou-se. Eu passei revisão a todas as asneiras que me lembrei no momento e segui caminho atrás dele até ao semáforo. Parado, continuava totalmente feliz a mandar mensagens e a tirar fotos pela janela.

Bati no vidro do carro e perguntei amavelmente (e com toda a delicadeza) se podia pousar o telefone, e se se recordava do que tinha acontecido anteriormente, quando quase me passou por cima.

Se calhar as minhas palavras delicadas e respeitadoras soaram mais agressivas quando ditas em voz alta. Mas ainda assim, a resposta dele foi: o carro é meu, o telemóvel é meu, eu faço o que quiser.

- Como matar alguém?

- E se acontecer?

Para quem anda de moto basta um toque. Um encosto ligeiro. Já tive esta discussão inúmeras vezes, e a resposta é quase sempre a mesma por parte dos automobilistas: não andem entre os carros; tenham cuidado; mantenham distância; acham perigoso, não andem de moto.

A questão é que não somos só nós que podemos morrer, e depois já não há nada a fazer. Não vale a pena dizer:  “Nunca mais toco num telefone”, ou “Peço desculpa, não queria que isto acontecesse, nunca pensei”.

Vale a pena? Acreditamos mesmo que só acontece aos outros? 

Um amigo polícia diz que a resposta mais comum é:  foram só uns segundos. Só precisava de fazer…”

E eu digo: “Bastam esses segundos.”

Boas curvas, com segurança

Fevereiro 2022

andardemoto.pt @ 10-5-2022 07:03:00 - Susana Esteves

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