Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Quer a moto? Não vendo a mulheres!

Há algum tempo colocaram num grupo que sigo um anúncio de venda de uma moto, em segunda mão, em que o vendedor sublinhava (de forma muito explícita) que não vendia a sua moto a mulheres.

andardemoto.pt @ 31-1-2022 09:30:00 - Susana Esteves

Sou muito pouco complicada, mas admito que a minha necessidade de saber o porquê das coisas me deixa doente. Acho que as pessoas têm o direito de vender os seus bens a quem quiserem, como quiserem – por muito parvas que as “regras” do negócio possam parecer. Mas porque é que alguém não quer vender a sua moto a uma mulher?

Medo? Alergia? Trauma? Um daqueles problemas psicológicos de nome complicado? Qualquer justificação é válida. E eu só precisava de saber o porquê.

Fui averiguar. Podia ter sido apenas um rasgo de criatividade de um vendedor – caso isolado, portanto. Mas não. A verdade é que há vários vendedores que sublinham esta alínea na descrição de venda.

- Não vendo a mulheres!

Mandei mensagens aos vendedores. Perguntei. Até propus mais dinheiro. A resposta foi sempre: Não! Porquê? Ainda hoje não sei.

Na internet há vários relatos de episódios sobre recusa ou problemas de venda a motociclistas do sexo feminino, algo que está a ser combatido pelas próprias marcas que estão a dar formação às equipas comerciais sobre como abordar as mulheres numa venda. Pode parecer estranho, mas não é.

Apesar de a minha carteira não me permitir trocar frequentemente de moto, de  vez em quando gosto de entrar nos stands para “ver as vistas”. Os melhores negócios e os grandes amores chegam quando menos esperamos, não é o que dizem?    

E não é a primeira vez (ou segunda) que me perguntam:

 - Quer dar uma prenda ao namorado?

 - Anda à procura de moto para alguém?

 - É para si? Temos outras cilindradas e tamanhos!

 - Tem a certeza que isso é mais indicado? Temos as scooters em promoção.

Conclusão: toda a formação é bem-vinda, e ainda bem que as marcas estão atentas – até porque é um target em crescimento para elas. Há cada vez mais mulheres motociclistas e isto é benéfico para o mercado e para a própria sociedade.

Nas lojas toda a ajuda dos vendedores é bem-vinda, mas é importante que nenhum vendedor assuma automaticamente nada com base no sexo da pessoa que entra na loja. Por vezes não se perde apenas um negócio. Perde-se reputação, imagem e credibilidade e isto pode ser trágico para um negócio, principalmente numa era dominada pelo online e pelas redes sociais.

Mas nas plataformas online de venda de automóveis e motociclos o que conduz a esta regra?

Se souberem partilhem.

Boas curvas

30-10-2021

andardemoto.pt @ 31-1-2022 09:30:00 - Susana Esteves

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