Susana Esteves

Susana Esteves

Jornalista e motociclista

OPINIÃO

Arrisco a multa ou arrisco o encosto?

O IC19 e a segunda circular, em Lisboa, são verdadeiras terapias de choque para os motociclistas que têm medo de circular em estradas com muito trânsito, ou entre os carros. Uma semana depois o resultado é “limpinho”: ou começam a hiperventilar e vão comprar o passe do comboio, ou metem os medos para trás das costas e enfrentam o bicho de frente.

andardemoto.pt @ 25-4-2020 12:35:33 - Susana Esteves

E circulam por onde: pela berma ou entre os carros?

Não sou adepta das bermas, e nem no início da minha vida em duas rodas optei por este caminho - quando só me apetecia ir de olhos fechados entre os carros, a minha pulsação batia recordes diários, e quando chegava ao destino agradecia ainda estar viva. Mas esta escolha está longe de ser consensual entre os motociclistas, algo que aliás podemos comprovar diariamente nas estradas.


Há uma opção certa? Se calhar não!

Em primeiro lugar, ambas são ilegais. Em segundo lugar, ambas são perigosas. Se entre os carros temos os fanáticos dos telemóveis, os leitores de volante, as sessões de maquilhagem no retrovisor e os que acham que “o pisca é coisa de meninos”, nas bermas temos os óleos, as peças esquecidas, as areias, os carros parados e acidentados, os traços escorregadios e os afiados separadores. Ou seja, se entre os carros arriscamos um encosto, nas bermas arriscamos a derrapagem e muitas vezes um “recuerdo” da polícia.

Circular entre os carros é um comportamento tolerado pela polícia, em benefício da mobilidade, mas as bermas são um assunto “sensível” para a autoridade. Quanto aos automobilistas, o nível de tolerância pode depender dos dias. Quem circula habitualmente nestas estradas está habituado à presença dos motociclistas que furam as filas, e já têm algum cuidado extra sempre que querem mudar de faixa (alguns…). Nas bermas estas manobras são mais perigosas. Muitos automobilistas acabam por usar estas mesmas bermas quando querem escapar às filas, e abandonar a faixa na próxima saída. Quantos olham para ver se alguém circula na berma? Muito poucos.


Berma ou entre os carros?

Independentemente da opção, a atenção tem de ser redobrada. Com a experiência, o medo inicial desaparece e dá lugar a um estado de relaxamento que acaba por ser bastante mais perigoso. O medo torna-nos mais atentos e menos “afoitos”, e basta um centímetro mal medido para o alcatrão fazer estragos.

Boas curvas

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