Pedro Pereira

Pedro Pereira

Só ando de moto em 2 locais: na estrada e fora dela!

OPINIÃO

12 coisas que quem gosta de motos deve fazer nesta vida

Sugestões que são uma base de partida para experiências que não podem deixar de ter.

andardemoto.pt @ 17-6-2019 18:03:28 - Pedro Pereira

O número 12 está carregado de simbolismo, desde sempre e em vários povos e culturas, muito para além do típico “à dúzia ser mais barato”! São 12 meses, 12 casas do zodíaco, 12 tribos de Israel, 12 trabalhos de Hércules, 12 Apóstolos, 12 pedras incrustadas na coroa inglesa…

Agora que já tentei justificar esta minha fascinação pelo número 12, vou lançar-vos um desafio que já fiz a um conjunto de amigos/as, durante amena cavaqueira:  Pensem naquelas 12 coisas que todas as pessoas que gostam e andam ou andaram de moto, independentemente da cilindrada, marca ou perfil… deveriam fazer… se ainda não o fizeram!

O repto que vos lanço pode ser condicionado pela situação económica e financeira, ou disponibilidade profissional, mas sejam sinceros e pensem naquelas 12 coisas que realmente gostavam mesmo de fazer antes de morrer. A chamada “bucket list”.

Vou deixar as minhas com a certeza de que ainda não as concretizei a todas, mas também ainda não perdi a esperança. A ordem é aleatória.

1. Ir a uma concentração de motos.

Não precisa de ser a Daytona ou mesmo a Faro, mas vão a uma concentração. Aliás, se puderem, vão a várias! Pelo ambiente mágico, pela partilha de sensações, pela atmosfera inebriante. Se estiver ao vosso alcance optem por uma em que estejam presentes diferentes estilos de motos e amantes das mesmas, idealmente com exposições, concursos, música ao vivo e pessoas de outras línguas e culturas. Vão adorar e vai-vos fazer perceber (se ainda não aconteceu) que é um mundo muito especial e fascinante.

Uma boa sugestão, a nível nacional, pode ser por exemplo ir a Góis ou a Barcelos, mas há muitas outras. Uma outra sugestão é participar no Dia Nacional do Motociclista, mas vão! Nem que seja de enlatado, à boleia ou à pendura, de transportes públicos… não deixem de o fazer!

2. Viajar numa moto de 50 cc, de preferência de marca nacional.

Muitos de nós começaram assim. Por uma Casal, uma Famel, uma Pachancho e tantas, mas tantas outras! Viajar numa XF-17 ou numa Casal Boss é algo mágico e até desconcertante, mas faz parte da nossa história! Esqueçam as limitações ao nível de travões, quadro ou iluminação e absorvam a história que dos veículos que locomoveram gerações durante décadas! Famílias inteiras, incluindo alcofas e o belo do garrafão de tinto! Se puderem, tenham mesmo uma vossa e… andem nela e ensinem aos mais jovens a apreciá-las! Arranquem-nos das redes sociais e dos jogos e tragam-nos para o mundo real!

Já agora, conhecem a anedota do homem que vai com a esposa e 2 filhos (um em cima do depósito e outro a separar o casal) e a GNR manda-o parar e diz-lhe: - Atenção que esta motorizada não é para levar 4 pessoas! O homem, todo orgulhoso, aponta para o depósito e responde: - Tem razão sr. Guarda é uma Sachs V5, mas, como a minha mulher está grávida, daqui a alguns meses já Vão 5! :)

3. Pratiquem atos de solidariedade e de responsabilidade social.

 Os/as amantes de motos não são arruaceiros ou marginais, pelo menos a esmagadora maioria e mesmo essa (má) imagem já é coisa do passado. São pessoas como as outras, capazes de se envolver em causas para ajudar o próximo. Imagino que não vos faltem ideias, mas cá vão algumas, só para começar:

Campanhas de angariação de alimentos ou agasalhos, plantação de árvores, doação de sangue (que não custa nada), limpeza de bermas da estrada, das matas ou das praias, ou qualquer outro tipo de voluntariado, mas façam-no de forma a poderem usar as vossas motos nesses atos de civismo e de participação na vida da comunidade e na ajuda ao próximo.
Vão ver que não custa nada e pode representar muito!


4. Vão assistir a competições, se possível de âmbito mundial.

O nosso país é farto em provas de gabarito mundial no mundo das duas rodas: são as superbikes em Portimão, o Extreme Lagares, o Mundial de Enduro, em Valpaços, o Mundial de Motocross em Águeda, e este ano, uma nova edição dos Six Days no Algarve, dez anos após a última que por cá se realizou na Figueira da Foz! E estes são apenas alguns exemplos!

Provas desta natureza vão mostrar-vos a capacidade de superação dos profissionais e o espírito que se vive à volta da corrida, além do profissionalismo das equipas de topo. Muitas das soluções técnicas apresentadas vão passar depois para as motos de produção, com benefícios para todos nós. Se forem capazes, arrastem também a família e os amigos, mas não deixem de ir! Vai valer a pena!

5. Façam uma (ou mais) viagens de moto!

Não interessam os cavalos ou os cilindros, façam-no! Se puderem sair de Portugal, tanto melhor! Para muitos bastará uma ida aos Picos da Europa (paisagens e curvas de sonho), a Andorra (aí há alguns preços que são uma tentação, gasolina incluída) ou a Marrocos (o deserto esmaga-nos e reduz-nos à nossa insignificância) onde nem sequer precisa pisar a areia!.

Já para outros será suficiente a N2 completa (não vale atalhar), o Lés a Lés (On ou Off-road), ou uma ida ao Cabo Norte! Já nem menciono uma volta ao Mundo, essa ao alcance de poucos, mas certamente sonhada por muitos, onde me incluo! E hoje em dia até é fácil alugar uma moto durante as férias…

Andar de moto é também isso. Fazer a preparação prévia, partir à descoberta, evitar sofrer imprevistos, falhas mecânicas ou um clima desfavorável. Não deixem de se superar e pôr à prova. Isso vai fazer de vós melhores pessoas e mais ricas, ainda que não do ponto de vista material, antes com recordações que ficam para a vida!

6. Experimentem andar à pendura/a conduzir.

A maioria de nós ou é uma ou outra coisa (geralmente condutor/a ou pendura). O desafio é passar para o outro lugar, nem que isso implique ter que tirar a carta ou superar medos e fraquezas, mas obriga-nos a sair da nossa zona de conforto!

Como muitos de vós, assumo que me habituei a conduzir e me custa fazer muitos quilómetros sentado atrás, mas é um desafio muito interessante, que me ensinou primeiro a confiar, e depois a descontrair e apreciar a paisagem, os sons e os cheiros, de forma muito mais relaxada e natural, embora dificilmente me sinta mesmo confortável!
Experimentem e pode ser que tenham uma surpresa, tal como eu tive!

7. Andem de moto em ambiente controlado, mas a um ritmo mais elevado.

Para quem gosta de estrada, experimentem uma pista, um circuito de verdade, nem que seja um kartódromo! Aí, sem terem que se preocupar com o Código da Estrada, nem com quem vem de frente, e a poder usar a totalidade da via, vão poder perceber o que são escapatórias, um apex, os pontos de travagem e de aceleração.
Melhor ainda se tiverem acompanhamento especializado para vos ajudar a evoluir. É algo maravilhoso, que permite facilmente corrigir tantos erros, e que pode vir a salvar-vos a vida!

Para quem gosta de andar fora do asfalto também existem pistas de enduro, de MX e de SX, pelo que não têm desculpas,  não deixem de experimentar. Se possível, façam-no em grupo e também com acompanhamento profissional, para vos ajudar a progredir e a evitar falhas mais ou menos infantis, e a ganharem confiança.


8. Não tenham medo de experimentar motos diferentes.

 Esta é uma máxima que digo e sigo muitas vezes. Claro que o devem fazer tendo presente todas as condições de segurança, as vossas limitações e o facto de estarem a aceitar um desafio, mas não o recusem porque vos vai abrir horizontes e até valorizar ou não a moto que têm ou gostariam de vir a ter. O que menos interessa é a cilindrada, ou a potência e o que mais importa é facilidade de condução. Apreciem e valorizem a diferença!

Há pouco tempo tive oportunidade de andar numa moto que era um “monte de ferros”, literalmente falando. Com uma posição de condução quanto a mim, impraticável, um peso medonho, binário elevadíssimo e travões do tipo abrandador, se é que eram travões. Ia de mente pouco aberta, mas depois da experiência senti-me outro e aprendi a valorizar mais a diferença e quem aprecia estas motos. Só faltou desejar ter uma parecida, mas isso (ainda) não aconteceu, embora o futuro seja uma incógnita!

9. Façam um (ou mais) cursos de condução defensiva.

 Não sou desonesto a ponto de dizer que andar de moto não comporta riscos. Sei que os comporta, já tive quedas, sofri lesões com gravidade e perdi amigos/as em acidentes, sendo que sentirei sempre a sua falta.

Temos que fazer tudo para melhorar a segurança, a nossa e a dos outros, e o melhor que podemos fazer é aprender mais sobre a condução, a moto e nós próprios. Vale a pena fazer mais pressão também junto das entidades competentes (GNR, PSP, Prevenção Rodoviária, FNM, Autarquias…) para que sejam feitas mais acções de formação, sensibilização e de reciclagem, para todos os condutores sem excepção, para se melhorarem as vias de comunicação... Todos juntos somos mais fortes e podemos melhorar alguma coisa, sempre a pensar no bem comum e na nossa segurança!

10. Aprendam e ensinem mais sobre motos e afins.

 Isto é algo para ser feito ao longo da vida e partilhado com os outros, inclusive com quem detesta motos e tudo o que com elas se relaciona. Afinal de contas, a aprendizagem deve ser feita ao longo de toda a vida e ao contrário do que diz a sabedoria popular “burro velho também aprende línguas”! Vou descobrindo isso a cada ano que passa e cada vez me convenço mais da minha ignorância e da minha vontade de aprender!

Se gostam de mecânica de moto… façam um pequeno curso, sem medo! Se vão de férias… porque não fazer um pequeno desvio para ir visitar o museu x ou a coleção y? Porque não oferecer um livro sobre motos a um amigo que pouco sabe da matéria?

Não tenham medo de sujar as mãos e de ampliar os vossos conhecimentos para além de ver a pressão dos pneus ou o nível de óleo! Há tanto para aprender e partilhar! Se já possuem bastantes conhecimentos, então pode ser uma boa altura de os transmitir a quem os não tem!

11. Assumam que gostam de motos e vivam felizes com isso.

Não é necessário deixar crescer o cabelo ou a barba até ao infinito, ter tatuagens espalhados por todo o corpo ou andar com um colete pejado de pins e bordados sempre que forem à rua. Podem andar sem barba, e com o cabelo impecavelmente arranjado (o capacete aqui não ajuda), cheirosas/os e ainda assim gostarem de motos e partilhar essa paixão uns com os outros e a sociedade em geral.

Não temos todos que fazer parte ativa de moto clubes, embora isso não seja má ideia, mas podem monopolizar a TV lá de casa para ver tudo o que diga respeito às duas rodas. Porém, não temam em mostrar aos outros que gostam de motos e que as usam, se possível o ano inteiro! 

Seja numa singela scooter que não vai além dos 60 km/h, numa moto em que os cromados ofuscam a lua, numa moto de TT que mais parece um monte de lama com rodas ou numa RR que atinge velocidades estratosféricas! Podem até nem ter moto e gostarem delas à mesma!

12. Visitem um serviço de politraumatizados e/ou uma unidade de reabilitação.

Deixei este tema para o fim, porque esta é uma visita que não se esquece. Lidar de perto com pessoas paraplégicas,  traplégicas, amputadas… é algo que nos marca, mesmo sabendo que muitas das ocorrências nada tiveram a ver com motos!
É algo que mexe com o nosso íntimo e nos mostra o quão vulneráveis somos. Se tiverem oportunidade/coragem, falem com pessoas que sofreram esse tipo de traumas, oiçam a família, os amigos, as suas histórias de vida e morte…

E vão perceber que pode nem sempre “acontecer aos outros” ou que o risco que um motociclista corre é omnipresente, por muito cuidadosos que sejamos! Se já viveram essas experiências traumatizantes de perto… partilhem-nas com outros. Pode ser numa lógica de “exorcizar fantasmas”, ou de dar conselhos ou outra qualquer, mas façam-no!

andardemoto.pt @ 17-6-2019 18:03:28 - Pedro Pereira


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